sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Aumento dos fatores de risco metabólico 20 anos ou mais antes do diagnóstico de diabetes tipo 2 - experiência do estudo AMORIS


Por: Lissandra Bischoff

Os fatores de risco para Diabetes Tipo 2 (DT2) podem estar presentes muito antes do diagnóstico. Elevação da glicose e dos triglicerídeos foram relatados até 10 a 15 anos antes do diagnóstico. É provável que os processos subjacentes possam estar ativos ainda mais cedo, mas poucos estudos documentaram o impacto de tais fatores durante um período pré-diabético superior a 10 anos.
Nesse novo estudo, que conta com informações de uma grande coorte sueca, AMORIS – baseada em população com dados relevantes dos fatores de risco para 296.439 indivíduos – os autores buscaram descrever trajetórias para fatores de risco metabólico até 25 anos antes do diagnóstico e estimar o risco absoluto de 20 anos para DT2 com base em um conjunto simples de fatores de risco chave comumente medidos.

Todas as amostras de sangue dos indivíduos analisados foram obtidas a partir de exames de saúde realizados durante o período 1985-96. Para o estudo foram utilizadas as informações sobre glicose, fructosamina, triglicerídeos, colesterol total, apolipoproteína B e A-I, a proporção de apoB e A-I, albumina, haptoglobina e ácido úrico. Para uma proporção (14%) da população de estudo, o IMC (kg/m2) foi recuperado desses exames de saúde.
A população completa do estudo foi acompanhada em média por 20 anos.
No estudo, indivíduos que foram diagnosticados diabéticos foram classificados como ‘casos’, enquanto o restante da população não diabética foi classificada como grupo controle (os ‘controles’).
Durante o período de acompanhamento foram identificados 28.244 novos casos de DT2 na população estudada. Destes casos, 85% ocorreram dentro de um período de 20 anos a partir do exame inicial e corresponderam a um risco médio de 20 anos de DT2 de 8,1%.
Os resultados mostraram que tanto para homens como para mulheres, o risco estimado de 20 anos de DT2 aumentou acentuadamente com um IMC maior e foi duplicado com triglicerídeos ≥124 mg/dL, INDEPENDENTE do IMC e da glicemia em jejum (Tabela abaixo). 

Com um IMC <25 kg/m2, triglicerídeos em jejum <124 mg/dL e glicemia em jejum <81 mg/dL, o risco estimado de 20 anos foi de 2,2% e 1,3% respectivamente para homens e mulheres com idade entre 40-49 anos.
O risco correspondente com um IMC ≥30kg/m2, triglicerídeos em jejum ≥124 mg/dL e glicemia em jejum entre 100-125 mg/dL foi de 63,5% e 69,6% para homens e mulheres, respectivamente.
Ou seja: o risco aumenta substancialmente quando aumentam o IMC, a glicemia em jejum e os níveis de triglicerídeos.
As Figuras abaixo mostram as médias para as médias dos marcadores analisados em casos de DT2 e controles, respectivamente, de acordo com o intervalo de tempo desde os exames até o diagnóstico como diabético tipo 2 ou seleção para o grupo controle. 

A glicemia em jejum foi maior nos casos comparada com os controles já 25 anos antes do diagnóstico. A glicemia de jejum aumentou sucessivamente nos casos, com média de 106 mg/dL no ano anterior ao diagnóstico, em comparação com 90 mg/dL nos controles, que tiveram um aumento menos acentuado.
O nível de glicose de pré-diabetes (100 mg/dL para glicemia em jejum) foi observado entre os casos, em média, sete anos antes do diagnóstico de DT2.
Os resultados indicam que elevações sutis nos marcadores metabólicos estão presentes (embora os níveis ainda estivessem na faixa normal) mais de duas décadas antes do diagnóstico de DT2.
Os marcadores inflamatórios (haptoglobina e ácido úrico) foram maiores nos casos comparados aos controles 25 anos antes do diagnóstico e a diferença permaneceu constante ao longo do tempo. Nos casos também foram observados maior IMC médio, triglicerídeos mais elevados e aumento da relação apoB/A-I 25 anos antes do diagnóstico de DT2.
O estudo descobriu que os marcadores que indicavam a síndrome metabólica e a doença hepática gordurosa (aumento do IMC, triglicerídeos e ácido úrico, além de menor apoA-I) estavam elevados nos futuros diabéticos em comparação com o grupo controle muitos anos antes do diagnóstico. Isso provavelmente reflete uma menor sensibilidade à insulina.
A proporção entre triglicerídeos e HDL-C, proposta como uma medida de substituição da ação de insulina e a proporção de triglicerídeos/apoA-I, estava aumentada nos casos décadas antes do diagnóstico de T2D. Isso é consistente com a síndrome metabólica como característica precoce no desenvolvimento do DT2.
Segundo os autores do estudo, isso indica que os processos biomédicos associados ao aumento da resistência à insulina estão presentes no desenvolvimento do DT2 muito cedo e enfatiza a importância da detecção precoce e iniciação de medidas preventivas.

Obs.: O estudo tem limitações, como o fato de não possuir os dados de IMC de todos indivíduos do estudo. Também não estavam disponíveis informações sobre resultados de insulina, para poder calcular o Homa-IR, e peptídeo C.

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