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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Exames laboratoriais em Low Carb - Parte 5 - Tireoide

Low-carb Lab Testing — Part 5 — Thyroid Panel
by Amy Berger

Obs.: O post número 4 não foi traduzido porque é bastante específico para a realidade de outros países, como os Estados Unidos. Trata de orientações para que a pessoa solicite seus próprios exames laboratoriais.
Para quem tiver interesse, post nr. 4 original aqui: https://www.headsuphealth.com/blog/self-tracking/diy-lab-tests/

A função da tireoide é um tópico muito discutido no mundo de baixo teor de carboidratos. Embora a maioria das pessoas geralmente experimente perda de gordura, melhores níveis de energia e maior vitalidade geral em uma dieta de baixo carboidratos, em alguns indivíduos, as medidas dos hormônios relacionados à tireoide sugerem que uma ingestão baixa de carboidratos pode ter efeitos adversos sobre a glândula tireoide. É possível que uma maneira de comer que tenha benefícios tão maravilhosos para o corpo pode ser prejudicial para a tireoide?
Esta é a quinta parte de uma série explorando testes de laboratório para pessoas que seguem dietas com baixo teor de carboidratos. Devido aos efeitos de um estilo de alimentação low carb ou cetogênica no metabolismo geral, interpretar determinados exames laboratoriais requer uma perspectiva ligeiramente diferente em comparação com os resultados de pessoas que seguem dietas de alto carboidrato.

As postagens anteriores exploraram exames de glicose no sangue, insulina em jejum e HOMA-IR (...).

Localização e estrutura da glândula tireoide.

Antes de mergulhar nos detalhes, vamos falar brevemente sobre o que a tireoide faz. A glândula tireoide (que está localizada na frente do pescoço, abaixo do pomo de Adão e na frente da traquéia), muitas vezes é chamada de “regulador mestre” do metabolismo, devido à sua profunda influência sobre como o corpo usa energia. A função ideal da tireoide é crucial para manter um peso saudável, bons níveis de energia e até mesmo uma perspectiva mental positiva. A tireoide ajuda a estabelecer a sua taxa metabólica de repouso: a quantidade de energia que seu corpo usa - ou as “calorias que você queima”, enquanto não faz absolutamente nada. É a taxa em que seu corpo usa energia apenas para executar todos os processos que o mantêm vivo (como respirar e bater seu coração). As diferenças nos níveis de hormônio da tireoide podem explicar em parte por que algumas pessoas parecem ter “metabolismos acelerado”, mesmo quando elas não exercem nenhuma atividade física e por que outras lutam para perder meras gramas enquanto seguem uma dieta rigorosa e um plano de exercícios. (A taxa metabólica de repouso pode representar até 70% do gasto total de energia de uma pessoa - muito mais do que você poderia queimar através em exercícios deliberados em uma bicicleta, pista de corrida ou na sala de musculação).
Devido ao seu papel crítico no metabolismo e ao funcionamento eficiente de milhares de processos no corpo, a produção reduzida de hormônio da tireoide resulta em uma desaceleração geral que afeta quase tudo.

Sinais e sintomas de tireoide hipoativa
- Ganho de peso (e/ou incapacidade de perder peso)
- Perda de cabelo
- Prisão de ventre
- Depressão, apatia
- Fadiga
- Mãos e pés frios
- Pele seca
- Voz rouca
- Perda da parte externa das sobrancelhas
- Colesterol alto (total e LDL)
- Pressão sanguínea baixa
- Frequência cardíaca reduzida
Considerando os efeitos do hormônio da tireoide sobre o metabolismo, isso não é surpresa. Tudo no corpo diminui: a frequência cardíaca, a geração de calor e até o movimento dos resíduos através do cólon. E o hormônio da tireoide é necessário para o bom funcionamento do receptor de LDL, então é por isso que o LDL se acumula na corrente sanguínea quando o hormônio da tireoide é baixo.
Por outro lado, alguns indivíduos experimentam hiperfuncionamento da glândula tireoide. Isso é muito menos comum do que a hipofunção, mas não é inédito, e essas pessoas geralmente ficam sem discussões sobre a função da tireoide.

Sinais e sintomas de tireoide hiperativa:
- Frequência cardíaca acelerada, palpitações
- Aumento do apetite
- Perda de peso repentina e inexplicável (mesmo comendo a mesma quantidade de alimento ou aumentando a ingestão de alimentos)
- Nervosismo, ansiedade, irritabilidade
- Tremor; tremendo nas mãos e nos dedos
- Sudorese
- Maior sensibilidade ao calor
- Movimentos intestinais mais frequentes
- Ampliação da glândula tireoide (inchaço que você pode sentir na base do pescoço)
- Fadiga, fraqueza muscular
- Olhos proeminentes ou saltados
- Dificuldade de dormir
- Afinamento da pele
- Cabelo quebradiço
É importante saber que você não precisa experimentar todos os sintomas acima para ter uma função de tireoide inferior ou excessiva. O hipo e o hipertireoidismo podem se manifestar de forma ligeiramente diferente em pessoas diferentes, então, se você se sentir concordando com mais sintomas do que não concordando, é hora de avaliar sua função tireoidiana.

Exame de hormônios tireoidianos
A coisa mais importante a saber é que se você suspeita que sua tireoide está apresentando problemas, você deve pedir um perfil abrangente da tireoide. O teste do hormônio da tireoide é complexo, e muitos médicos observam apenas uma pequena fração das medidas relevantes. Como resultado, inúmeros pacientes são informados de que seus valores laboratoriais são “normais”, mas continuarão a sofrer os efeitos às vezes debilitantes da tireoide hipo ou hiperativa. Considerando o impacto na qualidade de vida quando os sintomas da tireoide são graves, esta é verdadeiramente uma das grandes tragédias médicas do nosso tempo.
Para obter uma imagem completa da função tireoidiana, vários hormônios diferentes devem ser medidos.
Hormônio estimulante da tireoide (TSH): o TSH não é produzido pela glândula tireoide, em si, mas pela glândula pituitária (localizada no cérebro). Ele faz exatamente o que parece: ele estimula a tireoide a produzir seus próprios hormônios. O TSH é frequentemente elevado em indivíduos com baixa função tireoidiana: se a glândula tireoide não responde ao secretar seus hormônios, é gerado mais TSH para enviar um sinal mais forte. Em casos menos comuns de baixa função tireoidiana, o TSH será baixo, o que significa que a glândula tireoide não recebe um estímulo adequado em primeiro lugar.
Tiroxina (T4): Este é o hormônio primário produzido pela glândula tireoide. Consiste principalmente no aminoácido tirosina ligado a quatro átomos de iodo. (o “4” em T4.) No entanto, T4 não é a forma mais poderosa do hormônio da tireoide. O T4 é secretado no sangue, e outros tecidos devem convertê-lo em T3. Várias coisas podem interferir e prejudicar a conversão de T4 em T3. Por esta razão, as pessoas com pouca função tireoidiana que recebem medicamento somente para T4 (levotiroxina) muitas vezes não se sentem melhores, mesmo depois de anos tomando isso. Para muitas pessoas, a medicação somente para T4 não é suficiente. Eles precisarão de T4 e T3 para ter melhora nos sintomas. T4 é medido como T4 total (a quantidade total de T4 no sangue) ou T4 livre (a quantidade de T4 que não está associada a outras moléculas e, portanto, “livre” para realizar suas ações).
Triiodotironina (T3): o T3 é a forma mais potente ou “bioativa” do hormônio da tireoide. É responsável pela maioria dos efeitos que associamos à função tireoidiana saudável e ao metabolismo ideal. A tireoide secreta pequenas quantidades de T3, mas a maioria dos T3 é produzida a partir de T4 em outras partes do corpo. A enzima que converte T4 em T3 é uma de-iodinase – ela remove um átomo de iodo de T4, deixando 3. (Agora você sabe de onde os 4 e os 3 provêm!) Esta enzima é dependente do selênio, e é por isso que você pode ter ouvida falar que o selênio é importante para a função da tireoide, além do iodo, óbvio. (O ferro e a vitamina A também são necessários para a função tireoidiana saudável). Tal como no caso do T4, T3 também é medido como T3 total ou livre, sendo que o T3 livre é um indicador melhor do estado da tireoide do que o T3 total.
T3 Reverso (rT3): pense nele como um impostor T3 - ele se encaixa no receptor para T3, mas não tem o mesmo efeito hormonal. Em essência, bloqueia o T3 real de fazer seu trabalho. (É considerada uma forma “biologicamente inativa” de T3.) O T3 reverso pode ser elevado durante períodos de estresse pesado ou de doença grave, como uma forma do corpo conversar de energia. Os altos níveis de cortisol são frequentemente associados com T3 reverso elevado; ambos ajudam o corpo a lidar com o estresse prolongado.
Anticorpos de tireoide: estes incluem anticorpos de peroxidase de tireoide (TPO) e anticorpos de tireoglobulina (TgAb). Elevações nestes indicam um ataque autoimune na glândula tireoide, caso em que o problema subjacente não está na tireoide, mas sim num sistema imune hiperativo. A autoimunidade que resulta em hipotireoidismo é chamada de doença de Hashimoto, e a autoimunidade que leva ao hipertireoidismo é conhecida como doença de Graves. Algumas pessoas com doença de tireoide autoimune ficam num pingue-pongue entre sintomas de hipo e hiperatividade.
Somente ao ver a imagem completa, você e seu médico podem determinar por que você está com sintomas de tireoide baixa. E saber por que pode ajudar a orientar o tratamento adequado. Infelizmente, muitos médicos solicitarão somente TSH e T4, e alguns irão pedir apenas TSH. Olhar para o TSH sozinho é como olhar para o seu colesterol total sem saber os detalhes: ele não diz praticamente nada. Esses diferentes hormônios são como um cubo de Rubik [cubo mágico]: eles interagem e influenciam a produção do outro, e é importante olhar para todos eles para ajudar a encaixar as coisas no lugar correto.

Intervalos de referência dos laboratórios para hormônios tireoidianos
Uma coisa que se deve ter em mente ao avaliar seu status de tireoide é que “normal” é um termo relativo. Os intervalos de referência dos laboratórios diferem ligeiramente entre as empresas, então o que é considerado baixo ou alto também pode ser diferente. (Os laboratórios também podem usar diferentes unidades de medida.) Dependendo do laboratório utilizado, o mesmo valor pode ser normal ou fora do intervalo de normalidade. Então, a chave aqui é ir pelos seus sintomas. Os valores de referência do laboratório são um guia, mas como você se sente? Mais do que os números em um papel, seus sinais e sintomas devem orientar você e seu médico para um plano de ação apropriado. Isso não pode ser enfatizado o suficiente: muitas pessoas com sinais e sintomas óbvios da função da tireoide sub-ótima são informadas de que está tudo “normal” e não recebem alívio. Com isso em mente, abaixo tem um guia geral para os níveis de hormônio tireoidiano e relacionados à tireoide, com o entendimento de que você pode enfrentar problemas relacionados a hipo ou hipertireoidismo mesmo se você estiver dentro dos intervalos de referência.
Estamos fornecendo os intervalos utilizados na medicina convencional, bem como os intervalos preferidos por profissionais de medicina funcional. Enquanto alguns dos intervalos se sobrepõem, você notará que alguns têm diferenças significativas. Os praticantes de medicina funcional tipicamente interpretam os valores de laboratório visando o que é ideal e o que fará alguém se sentir melhor, em vez de simplesmente o que foi considerado “normal” por décadas, mas que pode não levar os pacientes aos resultados que estão procurando. Se você tiver sinais e sintomas de disfunção da tireoide, mesmo que seus valores de laboratório se enquadrem na faixa “normal”, conforme definido pelo medicamento convencional, você pode encontrar a resolução dos sintomas trabalhando com um especialista em medicina funcional e usando esses intervalos como guia.

Low Carb e Função da tireoide
No início desta publicação, mencionamos que há um pouco de controvérsia quanto aos efeitos das dietas com baixo teor de carboidratos na saúde da tireoide. Algumas pessoas que seguem low carb e descobrem que o T3 diminui após algum tempo. À primeira vista, podemos pensar que isso significa que low carb causa uma desaceleração no metabolismo, ou talvez tenha outros efeitos negativos neste sentido. Por outro lado, médicos e pesquisadores que passaram décadas melhorando a vida de seus pacientes com dietas low carb e cetogênicas não relataram efeitos adversos na função tireoidiana. Então, qual é a questão?
Bem, é por isso que os valores de referência dos laboratórios são um guia e um bom ponto de partida, mas eles não devem ser o único árbitro de sua saúde e bem-estar. Se o seu T3 está um pouco menor depois de aderir a uma dieta low carb ou cetogênica, mas você se sente bem, então não é um problema. Como explicamos em relação à glicemia em jejum e à hemoglobina glicada HbA1c, vários valores de referência laboratoriais precisam ser interpretados de forma um pouco diferente para as pessoas que seguem dietas com baixo teor de carboidratos do que para aqueles com alta ingestão de carboidratos.
Olhando através da lente da low carb, uma diminuição no T3 não significa automaticamente que a função da tireoide está ficando comprometida. Na verdade, pode ser que as melhorias na eficiência metabólica que algumas pessoas experimentam se tornam “queimadores de gordura” em vez de “queimadores de açúcar” resultam em uma maior sensibilidade ao T3 e, portanto, uma diminuição da necessidade de níveis mais elevados. Ou seja, seu corpo obtém os mesmos efeitos de um nível mais baixo do hormônio. Para ser claro, isso é especulação, mas faz sentido à luz dos mecanismos fisiológicos em trabalho. (Há uma ótima comida para a tiroide sobre esta questão aqui e aqui.)
Para seguidores de low carb que experimentam uma diminuição no T3 e se tornam sintomáticos, pode ser o resultado de restrição calórica não intencional. As dietas com baixo teor de carboidratos tendem a induzir a saciedade com mais facilidade do que as dietas com alto teor de carboidratos - o que significa que as pessoas se sentem satisfeitas e permanecem mais cheias com menos calorias totais quando estão comendo baixo teor de carboidratos do que quando comiam muito carboidrato. Para algumas pessoas, essa saciedade aumentada pode significar que, sem sequer tentar, elas comem muito menos do que antes de mudar para low carb. Se isso continuar acontecendo a longo prazo, isso pode afetar a função da tireoide, como qualquer dieta que resulte em um déficit calórico de longo prazo. A solução aqui não é necessariamente adicionar mais carboidratos (embora algumas pessoas possam melhorar com uma ingestão de carboidratos levemente maior); É garantir uma ingestão calórica adequada.


Esta é uma série de posts de Amy Berger.
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2 comentários:

  1. Olá Liss, tudo bom? Encontrei o seu blog quando pesquisava sobre os Índices Homa Beta e Homa IR, pois os meus estão 64 e 0,52 respectivamente, enquanto minha insulina é 2,7 micro ui/ ml, a glicose jejum 78,3 mg/ dl, a HG Glicada A 1C 5,0% e a Glocose média estimada 97 mg/dl e exatamente neste ícone diz "metabolismo saudavel" ou "diabete controlada"!!! Fiquei preocupada, será que corro o risco de desenvolver diabetes??? Não tenho histórico familiar, faço exercícios físicos 6x por semana e faço Lowcarb durante a semana, dando algumas escapulidas no fim de semana. Acho que posso dizer que levo uma vida super saudável nos meus 57 anos. Tenho motivos para me preocupar??? Obrigada

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    Respostas
    1. Pelo que você descreve, não há motivos para estar preocupada.
      Seus resultados (glicose, insulina, etc.) estão ótimos! Realmente, eu classificaria como "metabolismo saudável" com base nesses resultados.
      E se você tem um estilo de vida saudável, como alimentação de baixo carboidrato e fazendo atividade física, está no caminho certo.
      Parabéns! Queria ter esses números!
      :)

      Desculpe a demora em responder, mas estava em viagem.

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