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terça-feira, 13 de junho de 2017

Descobri que tenho resistência à insulina. E agora? O que eu faço?

Texto original de Lissandra Bischoff

“Descobri que tenho resistência à insulina. E agora? O que eu faço?”
Eu também já passei por isso e trilhei alguns caminhos tortuosos até chegar aqui.
Obs.: Se você ainda não sabe se tem resistência à insulina, leia aqui: http://www.resistencia-insulina.com.br/2016/07/como-saber-se-eu-tenho-resistencia.html

Vou contar pra vocês como vem sendo a minha jornada.
Eu fiz um exame de insulina basal pela primeira vez 2007 (aos 32 anos). Na época, minha insulina já estava acima de 30. Ou seja: eu já estava com resistência à insulina. Mas eu não sabia exatamente há quanto tempo. Eu estava um pouco acima do peso, mas não tanto assim. Lembro que eu não dei muita bola na época, pois não sabia exatamente o isso significava e nem qual a implicação que tinha na minha saúde, no meu peso, etc.
(Para entender mais sobre a relação entre os níveis de insulina e o peso corporal, leia a série de posts que traz um resumo das publicações do dr. Jason Fung sobre o tema:
Entendendo o BSW - Body Set Weight - ponto de ajuste de peso do corpo
Resistência à insulina explicada por Jason Fung
Resistência à insulina - O que podemos fazer a respeito
No final do ano de 2011 eu já estava bastante acima do peso e resolvi procurar uma endocrinologista para fazer uma avaliação, afinal “eu só podia estar alguma disfunção na tireoide, certo?” Errado! A médica solicitou todos os exames de sangue necessários. A tireoide estava funcionando “muito bem, obrigada”. Mas a insulina basal estava em 35,8! Sim, a explicação estava aí. Eu estava bem acima do peso, tinha pelos escuros pelo corpo (testosterona elevada), minha menstruação era completamente desregulada. Eu tinha SOP (Síndrome dos Ovários policísticos).
A endocrinologista então me prescreveu metformina. Disse que me ajudaria a reduzir a insulina, reduzir a testosterona e reduzir os pelos no corpo. Me prescreveu também o famoso “orlistat” (aquele medicamento que você toma e ele impede a absorção de 25% a 30% da gordura ingerida). Isso iria me ajudar a perder peso. Mas ela me alertou que eu não deveria contar apenas com a medicação. Deveria procurar um nutricionista para ajustar minha alimentação. Bom..., eu fiz isso. A nutricionista do plano de saúde me passou aquela dieta de sempre:
Obs.: essa dieta não funciona pra essa finalidade! A gente passa o dia todo comendo coisas que só elevam mais a insulina!

Eu “tentei” seguir a dieta. O fato é que não deu muito certo. Sentia fome o tempo todo... E acabava comendo mais do que ela havia recomendado. Mas eu comia as coisas que estavam na lista: pão integral, iogurte desnatado (tudo integral, light e diet). Cereal “fit” com gosto de papelão... E o tal do orlistat? Um horror!!! Mesmo! Não pode ingerir muita gordura porque senão dá “acidente”. É vergonhoso dizer isso, mas às vezes a gordura literalmente “escapa”, você não consegue segurar.
Cheguei a perder uns 5kg nesse período. Mas ficou nisso... Depois de alguns meses tentando, sem evolução, eu simplesmente desisti da dieta e do orlistat. Mas a metformina estava funcionando. Como vocês podem ver na tabela abaixo (nas células cinza) minha insulina reduziu bastante (chegou a 10,7 em agosto de 2012)! E meu Homa-IR chegou a um nível considerado “normal”. Os pelos no corpo realmente reduziram bastante e em algumas regiões chegaram a desaparecer totalmente. Legal! “Agora não preciso mais da medicação, certo?” Errado! Apenas 3 meses depois de suspender a medicação minha insulina basal já estava em 25 de novo... Mais do que dobrou...
Fiquei tão frustrada com aquilo tudo! Tinha passado todo aquele sacrifício pra nada... conclusão: desisti de tudo e resolvi aceitar meu destino de ser gorda e doente...
O tempo passou e eu simplesmente deixei o assunto de lado. Em agosto de 2014 fiz novo exame de insulina basal (agora a pedido da minha cardiologista) e aí veio o susto: insulina de 56,07. Homa-IR nas nuvens. Alerta vermelho total. Novamente recebi a sugestão de procurar um nutricionista. Pra que? “Pra comer pão integral e iogurte desnatado eu não preciso de nutricionista... isso eu sei fazer sozinha...
O tempo continuou passando e eu continuei engordando, e a minha saúde só foi piorando... Em 2015 minha pressão arterial estava descontrolada, apesar dos vários medicamentos que eu estava tomando. Foi nesse momento eu decide que tinha que tentar de novo. Precisava criar coragem e mudar minha alimentação de uma vez por todas. Tinha que encontrar algo que funcionasse... Foi aí que, após algumas pesquisas na internet, a alimentação paleo low carb entrou na minha vida (Para conhecer essa parte da história, leia aqui: http://www.resistencia-insulina.com.br/2016/06/minha-historia.html)
Eu iniciei a mudança alimentar e a perda de peso em outubro de 2015, e esses foram os resultados que se seguiram:
Como vocês podem ver, minha insulina reduziu bastante. Minha insulina baixou e eu consegui perder peso (foram 15kg de peso perdido nesse período). E esse resultado foi conquistado apenas com alimentação e exercícios. Eu não queria mais tomar nenhum tipo de medicação. Eu consegui estabilizar minha insulina num nível próximo de 17, mas não conseguia ir além disso. (Obs.: em junho de 2016 a minha insulina basal ficou perto de 25, resultado de uma experiência infeliz de 3 meses em que eu resolvi acrescentar adoçante na minha alimentação – mas isso é assunto para eu explicar melhor em outro post).
Em dezembro de 2016 eu decidi procurar outra médica, agora uma profissional que segue a linha low carb. Precisava fazer algo para tentar baixar mais a insulina e perder um pouco de peso extra que ainda carregava. E aí eu tive que aceitar que precisava de medicação pra isso. Eu passei mais de um ano tentando baixar a insulina só com alimentação e atividade física. Low carb é uma ótima estratégia! Tive um ótimo resultado com low carb e é algo que eu quero levar pro resto da minha vida (leia mais aqui: http://www.resistencia-insulina.com.br/2017/04/eu-nao-estou-fazendo-dieta.html). Mas anos maltratando meu organismo com alimentos extremamente altos em carboidratos e açúcares não podiam ser revertidos assim tão facilmente. 
A médica então, prescreveu o uso de metformina em conjunto com outro composto (que é manipulado em farmácia), que contém glycoxil na fórmula. A metformina atua aumentando a sensibilidade à insulina nos tecidos e reduz a produção de glicose pelo fígado. Já o glycoxil atua na prevenção e tratamento coadjuvante de diversas desordens metabólicas e doenças associadas ao envelhecimento sistêmico, pois possui a capacidade antiglicante, antiglicoxidante e desglicante, ou seja, impede a glicação das proteínas e reverte o processo de glicação. (Os.: se você pretende fazer de qualquer medicamento, procure orientação médica adequada)
A tabela a seguir mostra os resultados dos medicamentos aliados à alimentação low carb. Finalmente a insulina basal voltou a baixar e no último exame, de março/2017, finalmente meu Homa-IR passou para a faixa de normalidade.
Vou ter que tomar medicamento pelo resto da vida? A minha médica acredita que não. A proposta é tomar a medicação até a insulina chegar a níveis considerados “bons” (algo abaixo de 8). Depois disso, podemos suspender a medicação e ver o que acontece. Ela acredita que com uma alimentação low carb consistente eu serei capaz de manter esses níveis mais baixos de insulina basal mesmo sem medicação.
Registro que não estou fazendo uma dieta “very low carb” (tipo cetogênica). Já fiz durante um período de tempo, mas vi que não estava me ajudando a baixar a insulina nem perder peso como eu imaginava. Hoje em dia eu faço uma alimentação low carb com 50gr. a 100gr. de carboidratos por dia (leia mais aqui: http://www.resistencia-insulina.com.br/2017/03/os-altos-e-baixos-da-balanca.html)

Pra você que descobriu que tem resistência à insulina e não sabe por onde começar, aqui vão algumas informações importantes:
Primeiro, é preciso entender o que leva à resistência à insulina.
De acordo com o dr. Jason Fung, a resistência à insulina requer 2 coisas:
1. Níveis elevados de insulina – que tem relação com a questão “o que comer”, ou seja: uma dieta de baixo teor de gordura, alta em carboidratos - leva a NÍVEIS ELEVADOS de insulina
A imagem mostra como alimentos de alto índice glicêmico (tais como carboidratos refinados) levam a picos de glicose no sangue e, consequentemente, picos de insulina.
2. Persistência desses níveis – que está relacionado com a questão “quando comer”, ou seja: comer o tempo todo leva a NÍVEIS PERSISTENTES de insulina
A imagem mostra que ao comer de 3 em 3 horas a pessoa mantém os níveis de insulina elevados a maior parte do tempo
A imagem mostra que se a pessoa concentrar sua alimentação em apenas 3 refeições por dia, ela terá um período maior de tempo com insulina baixa
Portanto, o que fazer para evitar e reverter o processo de resistência à insulina:
1. O que comer – uma alimentação baixa em carboidratos [low carb] evita picos de glicose e picos de insulina.
2. Quando comer – Fazer apenas 3 refeições por dia (ou menos), ao invés de comer de 3 em 3 horas, reduz o tempo em que a insulina permanece alta no organismo, restabelecendo o equilíbrio entre o estado alimento e o estado de jejum.
Quanto tempo leva para obter melhoras nos níveis de insulina basal?
Eu passei anos maltratando meu corpo, forçando meu pâncreas a manter níveis de insulina extremamente elevados praticamente o tempo todo. Não é razoável esperar que o corpo se recupere em questão de semanas ou meses. É preciso dar tempo ao tempo. É preciso mudar sua alimentação e aí mantê-la sob controle – não por apenas um período pré-estabelecido de tempo, mas PARA A VIDA TODA – para que o corpo possa gradualmente ir reduzindo sua necessidade de insulina.
Mark Sisson fala que existe um parâmetro para se ter em mente. Estima-se que leve 1x de tempo para reverter a resistência à insulina para cada 10x de tempo de existência do problema. Ou seja: se você tem resistência à insulina há 20 anos, pode esperar que leve pelo menos 2 anos para conseguir mudar essa situação. Essa regra não tem respaldo científico. Ela se baseia na experiência prática das pessoas que conseguiram reverter o problema. Portanto, tenha em mente que nada acontece da noite para o dia.
E não existe fórmula mágica. Alimentação incorreta é o principal fator que leva à resistência à insulina (não é o único, temos também a contribuição do estresse, do sono inadequado, etc.). Portanto, ajustar a alimentação (e os hábitos de vida) é ponto crucial para consertar isso. Em alguns casos será necessário, sim, tomar medicação. Mas medicação sozinha não faz milagres (eu senti isso na pele).
Resumindo: É preciso consistência e persistência. Pode ser uma longa jornada para alguns...


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