quinta-feira, 25 de maio de 2017

Rumo à cura

Towards a Cure – T2D35
by Jason Fung

Respostas de Proteção
Estima-se que mais de 50% dos adultos americanos tenham pré diabetes ou diabetes. Os ciclos gêmeos (hepático e pancreático) não são simplesmente erros metabólicos raros que levam à doença. Essas respostas são quase universais porque servem como mecanismos de proteção.
Proteção? Eu quase posso ouvi-lo ofegar. A resistência à insulina e a disfunção das células beta são protetoras? Sim. Absolutamente. Do que elas nos protegem? O próprio nome dá a pista. A resistência à insulina protege o fígado de muita insulina. Nosso corpo está resistindo a insulina excessiva, que é prejudicial.

Imagine o fígado como um balão que pode ser preenchido com açúcar e gordura, as duas formas de armazenamento de energia alimentar. Normalmente, quando comemos, a insulina sobe, armazenando parte dessa energia alimentar. Quando paramos de comer, durante o jejum, os níveis de insulina caem, liberando parte da energia armazenada para o resto do corpo.
Quando os níveis de insulina permanecem elevados durante um período prolongado, o fígado se enche de açúcar e gordura, como um balão inflado. A pressão dentro do fígado aumenta mais e mais, tornando cada vez mais difícil mover o açúcar para este fígado sobrecarregado. Esta é a resistência à insulina. O fígado simplesmente não pode armazenar mais, então rejeita os açúcares que estão chegando, tornando-se resistente ao sinal normal da insulina. A glicose se acumula no sangue no lado de fora da célula.
Isto provoca uma hiperinsulinemia compensatória. É como tentar encher um balão que já está cheio, funciona por um tempo. No entanto, torna-se cada vez mais difícil. Em última análise, o fígado estava apenas tentando se proteger dos efeitos nocivos da insulina alta. O problema não é a resistência à insulina, mas a hiperinsulinemia original.
O fígado está ocupado tentando limpar o congestionamento de gordura, exportando esta gordura nova. Parte dela se acumula no pâncreas, eventualmente entupindo-o e diminuindo os níveis de insulina. Esta é exatamente a resposta correta de proteção. Uma vez que a insulina elevada é o principal problema que causa diabetes tipo 2, a redução da insulina é a estratégia protetora mais eficaz.
A glicemia começa a alcançar níveis anormalmente altos e se derrama na urina, causando sintomas como necessidade de urinar e sede frequentes. Isso também pode ser entendido como um mecanismo de proteção apropriado. Forçar mais glicose para o fígado e pâncreas sobrecarregados acabará por destruí-los. O corpo agora está tentando livrar-se da glicose tóxica, eliminando-a através da urina.
A obesidade também pode ser entendida como uma resposta protetora contra a ‘lipogênese De novo’ excessiva. Os adipócitos são células especializadas que armazenam gordura (triglicerídeos) sem problema. Sem células de gordura para armazenar esta gordura recém criada, ela imediatamente acaba por se depositar nos órgãos e causar diabetes tipo 2. Na doença genética rara da síndrome de lipodistrofia de Beradinelli-Siep há uma falta congênita de células de gordura. Praticamente todos esses pacientes desenvolvem diabetes tipo 2, muitas vezes durante a adolescência, por causa do excesso de gordura, tanto da dieta quanto da lipogênese De novo, depositada diretamente no fígado e músculos.
Fígado gorduroso de longo data causa cicatrizes e logo se tornará a principal causa de insuficiência hepática na América do Norte. Pâncreas gorduroso de longa data acaba por levar a cicatriz também, e após muitas décadas, o pâncreas é destruído. Para se proteger, o corpo precisa se livrar dessa carga excessiva de glicose tóxica. Forçando a glicose para fora no sangue, derramará para fora na urina. Isso causa muitos dos sintomas de micção excessiva e perda de peso, mas pelo menos a carga de glicose tóxica está sendo excretada.

Implicações
Este novo entendimento tem várias implicações importantes. Primeiro, o diabetes tipo 2 resulta de um único mecanismo subjacente e unificado. Não resulta de dois mecanismos fisiopatológicos totalmente distintos, um para a resistência à insulina e outro para a disfunção das células beta. A história natural e todas as manifestações do diabetes tipo 2 podem ser explicadas pela infiltração excessiva de gordura nos órgãos.
Muita lipogênese De novo resulta em fígado gorduroso e resistência à insulina. Gordura demais nas células beta resulta em menor produção de insulina. Mas a hiperinsulinemia é, em última instância, a causa raiz de todo o problema.
Em segundo lugar, ambos os defeitos, de resistência à insulina e a disfunção das células beta, são inteiramente reversíveis pela remoção do excesso de gordura que está entupindo os órgãos. Contrariamente à crença popular, o pâncreas não está danificado e esgotado, sem condições de reparação. Em vez disso, o pâncreas está simplesmente obstruído com gordura. Uma vez que você desobstrua a gordura, o pâncreas começa a trabalhar novamente e a insulina é secretada normalmente.
Em terceiro lugar, e talvez o mais importante, o diabetes tipo 2 é tanto evitável quanto reversível, não crônico e progressivo. Não é uma sentença de morte. Este novo amanhecer carrega tremenda esperança para os aflitos. Só precisamos entender a doença subjacente e aplicar nosso novo conhecimento. Nossos tratamentos eram ineficazes, e por isso acreditávamos que a progressão era parte da história natural da doença em si. Em vez disso, o culpado era a nossa má interpretação fundamental desta doença.

Rumo a uma cura
Em qualquer doença, o sucesso depende de identificar e tratar a causa subjacente, não os sintomas. Por exemplo, uma infecção bacteriana pode causar sintomas como febre. A causa raiz é a bactéria e a febre é apenas um sintoma. Para curar a doença, você deve atacar a causa raiz, neste caso, um antibiótico para matar as bactérias. Isso também elimina com êxito o sintoma de febre.
Mas se você simplesmente tratar o sintoma, não há benefício. Neste caso, você pode tratar a febre com um antitérmico, mas a infecção persiste sem interrupção e pode eventualmente matá-lo. Uma vez que você para de tomar o antitérmico, a febre retorna porque a doença não foi tratada. Isso pode levar à falsa impressão de que a doença é crônica e progressiva, mas apenas porque o tratamento é incorreto. Tratar a febre é apenas tratamento sintomático, uma vez que a febre não é a real doença.
É exatamente o mesmo problema que existe no diabetes tipo 2. A causa raiz é hiperinsulinemia, e o sintoma é a glicemia elevada. Diabetes tipo 2, e na verdade todas as manifestações da síndrome metabólica, são doenças causadas por excesso de insulina. No entanto, nosso atual paradigma de tratamento se concentra na redução da glicose no sangue, que é apenas o sintoma da doença, mas não a própria doença. Em vez de tratar a hiperinsulinemia, estávamos tratando a glicemia elevada.
Os tratamentos atualmente recomendados para diabetes tipo 2 incluem insulina, hipoglicemiantes orais e dietas com baixo teor de gordura. Cinquenta anos de experiência nos dizem que esses tratamentos não curam a doença, mas apenas tratam os sintomas. Todas estas terapias são direcionadas a baixar a glicose sanguínea, mas não a hiperinsulinemia subjacente. Na verdade, todos esses tratamentos aumentam a insulina.
Os tratamentos que são conhecidos por levar a uma cura - jejum, cirurgia bariátrica e dietas de baixo carboidrato - todos compartilham um recurso em comum. Todos eles são tratamentos que reduzem a insulina. Aqui está a súbita e horrível constatação. Os tratamentos que temos utilizado para o diabetes tipo 2 estavam TOTALMENTE errados. Insulina demais causa esta doença. Dar insulina ou drogas que aumentam a insulina não vai melhorar a doença. Só vai piorar!
Não é diferente de tratar o alcoolismo com mais álcool. Tratar a retirada do álcool dando mais álcool certamente melhorará os sintomas no curto prazo. Mas a doença, o alcoolismo vai piorar.
Era exatamente isso que acontecia. Pacientes diabéticos tipo 2 geralmente recebem um medicamento no diagnóstico. Isso só trata os sintomas, então ao longo do tempo a doença piora e a dose é aumentada. Uma vez que a dose máxima é alcançada, um segundo medicamento é adicionado, em seguida, um terceiro. Depois disso, a insulina é prescrita em doses cada vez maiores em uma tentativa desesperada para controlar o açúcar no sangue. Mas, se você precisa de doses cada vez mais altas de medicamentos, seu diabetes não está melhorando, está ficando pior. O tratamento está totalmente errado.
No diabetes tipo 2 os níveis de insulina são altos, não baixos. Injetar mais insulina não vai ajudar a tratar. Sim, a curto prazo, o sintoma de altos níveis de glicose no sangue está melhor, mas a doença, o diabetes está piorando continuamente. Como nós podíamos esperar que dar mais insulina a um paciente que já tem muita, iria ajudar? Nossos tratamentos padrão aceitos eram precisamente como NÃO tratar o diabetes tipo 2.


Esta é uma série de posts publicados pelo dr. Jason Fung.
Leia o primeiro post AQUI.
Leia o segundo post AQUI.

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