segunda-feira, 29 de maio de 2017

O quero eu mais quero: APROVAÇÃO ou SAÚDE?


Texto original: Júci de Paula


Quando resolvemos mudar hábitos alimentares em prol da nossa saúde podem surgir algumas situações com as quais talvez não estejamos tão preparados para lidar. Elas acontecem na família, no trabalho, numa mesa com conhecidos e vão desde críticas sutis a isolamento e, às vezes, a ter que escolher entre comer o que há na mesa, para “não fazer desfeita”, e/ou manter-se firme na sua decisão e aguentar questionamentos não muito agradáveis. Vivemos em sociedade, somos indivíduos interagindo em diferentes círculos de influências, influenciando e sendo influenciados, aprovando, desaprovando, sofrendo aprovação, desaprovação, o tempo todo, é natural usar referências externas e esperar uma interação, um retorno positivo por parte destas “referências, isto é parte do que nos define como humanos. Quem sou EU, sem os outros para me ajudar a ME definir? Onde realmente começa a JÚCI, na melhor versão dela, SEM a influência de outros? Pois é: NÃO SEI. Mas aprendi que quando o resultado da decisão que eu tomar se mostra no MEU CORPO, opa, ESTE é o MEU limite. Como defini-lo? O truque está em observar-se e notar aquelas ações que executamos, consciente ou inconsciente, SOMENTE para obter esta aprovação, aceitação alheia. É NELAS que mora o perigo, o “ah, não faz esta desfeita... Come, só um pouquinho não faz mal”, o “nunca vi! Até ontem, tava aí, comendo de tudo, agora vem com esta história de que não pode...”, vê, são pressões de pessoas que NÃO estão na SUA pele para sentir o que VOCÊ sente quando come tal alimento, mas a opinião, o selo de aprovação delas continua tendo um certo poder sobre o SEU corpo, sobre aquilo que deveria ser SUA decisão.





Por que isto acontece? Comer é um EVENTO SOCIAL, é um espaço compartilhado, a forma como se alimentam, de que e quais os rituais são seguidos é o traço mais forte de uma cultura, há até comidas consideradas sagradas (pergunte a um celíaco o “argumento” que eles mais ouvem sobre o pão, é algo mais ou menos como “aaiinn, é a comida de Jesus, como pode fazer mal?” – a pessoa já não sofre o suficiente por ter uma restrição, né? Tem que ser questionada a respeito da sua saúde com argumentos estúpidos baseados em crendices, também. TSC, TSC, TSC), não comê-las é tomado como “ofensa pessoal”. E quando muda sua forma de se alimentar, é como se estivesse questionando todas estas “verdades” “dogmas”. Em resumo: às vezes, o que põe no SEU prato vai incomodar, tipo, MUITO, quem está ao seu lado. E você vai ter que segurar as pontas e decidir como vai ser, se cede para ser “considerado” agradável ou se permanece firme no seu propósito.



Prepare-se, porque vai, SIM, enfrentar situações em que será “deixado de fora”, porque tudo que está na mesa não lhe serve ou lhe faz mal, em que você levará a sua comida separada num evento de família e receberá olhares tortos, cochichos e reprimendas, sutis ou escancaradas. Haverá vezes em que se sentirá um pouco desconfortável quando pessoas ao seu redor começam a falar, assim, do nada, que "são contra a moda do glúten”, ou quando a nutricionista da Universidade, onde você estuda e foi buscar informações a respeito da alimentação oferecida aos alunos, olhar para sua cara e falar "Tirou lactose, também? Porque agora é moda, né?". Poderá sentir, também, um pouco de desconforto físico, quando tiver que prolongar o seu jejum intermitente, além do que planejou, porque não há comida segura para você no lugar onde está trabalhando aquele dia. Bem, são só alguns exemplos de situações nas quais você tem que escolher se responder com um “Teria um minutinho?”, e dar uma aula completa sobre a sua condição, se vai levantar pra 10 e dizer “Pessoa querida, o fato de que você age como uma lixeira ambulante, pondo tudo e qualquer coisa para dentro, não significa que eu também tenha que agir igual, né?”, ou se respira fundo e “Sorriam e acenem, Rapazes. Sorriam e acenem.”



Particularmente, sou uma pessoa combativa, não lido muito bem com pitacos maldosos e as pessoas ao meu redor meio que "pressentem" isto (nah, por que será, né? :D ) e mesmo assim passei por quase todas estas situações narradas. Eu fico imaginando uma pessoa que não tenha o mesmo suporte que eu, o mesmo apoio familiar (alguns não entendem, mas TODOS respeitam, ao menos na minha frente, ahahahahah), como faz para lidar? Bem, acho que posso ajudar:


1.     tenha em mente qual é A sua prioridade. Dica: se houver mais do que UMA prioridade, é porque NÃO há nenhuma. Eleja UMA e em torno dela escolha quais batalhas vai lutar e quais vai deixar passar batido. Aprovação, sentimento de pertencimento, é importante. Mas será que é MAIS importante do que a sua SAÚDE? Em quais circunstâncias isto seria verdadeiro?


2.     quanto mais EXCEÇÕES abrir, PIOR a sua CREDIBILIDADE com as pessoas ao seu redor. SE VOCÊ não leva a sério as suas restrições, por que sua família, amigos, colegas, deveriam? Se cede sob pressão ou quando vem com aquela velha história do “come, um pouquinho não faz mal”, sua imagem passa a ser a daquela pessoa que USA sua doença como MOEDA para recusar convenientemente tal e tal alimento, para "criar situações". NÃO FAÇA CONCESSÕES e as pessoas irão se acostumar;


3.     dificilmente alguém porá uma ARMA na sua cara e dirá "ou come ou morre". As pessoas irão insistir, encher o saco, falar asneiras, fazer pressão. Porém, lembre-se: só passa da sua boca para dentro o que VOCÊ deixa passar para dentro. Não use os outros como desculpas para justificar as SUAS escolhas porque não é o corpo deles que vai ficar inchado, passar mal, engordar, adoecer, É O SEU. A aprovação/desaprovação das pessoas é TEMPORÁRIA, as consequências da SUA decisão, NÃO. Mesmo que por um dia, uma semana, elas estarão lá NO SEU CORPO. PENSE NISTO.


4.     alimento é a forma mais íntima de cuidar da SUA saúde, o que você põe pra dentro literalmente vai FAZER PARTE DE VOCÊ. E estes que hoje criticam a sua marmitinha são EXATAMENTE os mesmos que NUNCA irão visitá-la(o) em um hospital, quando as consequências de ceder ao "ainnn, come, um pouquinho não faz mal" mostrar as caras;


5.     Por mais que reclamem que as coisas "estão sempre iguais", NINGUÉM gosta de mudar, as pessoas adoram rotina, rituais. A SUA mudança perturbou, de alguma forma, o mundo delas. Natural que elas ralhem, reclamem, porque quando VOCÊ mudou o SEU, OBRIGOU mudanças na parte do DELAS que ambos compartilham. Estas reações são tentativas de fazer com que você volte ao padrão antigo, para que ELAS não tenham que fazer ajuste algum nas suas rotinas. Cabe a VOCÊ sustentar a sua mudança até que ELAS internalizem isto como um novo hábito e este vire uma rotina SUA incorporada à vida DELAS. E, em algumas situações, VOCÊ terá que ser MAIS VOCÊ e dar uma “banana” para o mundo.






6.     Aprenda a distinguir quem merece uma explicação, quem merece uma resposta e quem merece NADA - eu já deixei gente falando sozinha. Sim, simplesmente virei as costas e saí. E faria de novo. Não, não é se mal educada, é saber qual é a própria PRIORIDADE, inclusive sanidade mental.



SEU CORPO, SEU TEMPLO, SUA SAÚDE, SEU INTERESSE. Não terceirize seu cérebro.






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