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sábado, 22 de abril de 2017

Exames laboratoriais e a Bomba Relógio

Texto original de Lissandra Bischoff 
Eu já contei pra vocês como a minha saúde melhorou desde que eu comecei minha jornada de perda de peso:
Mas hoje eu não vou apenas contar, eu vou MOSTRAR pra vocês.

Vejo que algumas pessoas se preocupam muito com os resultados dos exames laboratoriais – às vezes até mais do que deveriam. A pessoa começa uma dieta low carb, por exemplo, perde peso, sente-se mais disposta, consegue se livrar de problemas que tinha e de remédios que tomava, mas aí faz um exame de sangue e vê que o colesterol “aumentou”... e aí é suficiente pra querer jogar tudo para o alto e querer voltar ao que fazia antes.
É por isso que eu resolvi fazer uma série de posts abordando esse tema; exames laboratoriais, valores de referência (como são calculados), indicadores de risco, ou seja: o que de fato importa? Resultados de exames laboratoriais nunca devem ser vistos de forma isolada (por exemplo: ‘meu colesterol aumentou, então minha saúde piorou’). Exames laboratoriais precisam ser interpretados em conjunto com outros sinais, levando em conta a história prévia do paciente, seu histórico familiar, etc.
Na minha casa, tanto eu quanto meu marido embarcamos em uma mudança de estilo de vida no final de 2016. Os resultados disso eu vou mostrar par vocês a seguir.
Para entender o que aconteceu comigo, eu vou trazer os dados em duas etapas – antes e depois da alteração da alimentação.
O primeiro quadro é de ANTES:

Agora vamos fazer a análise dos dados que estão apresentados acima. Você verá que tem um dado para cada ano (2011, 2012, 2013, 2014 e 2015).
Resistência à Insulina – Vamos começar a análise com a Hemoglobina Glicada (HbA1c) e a Insulina Basal. Vejam que durante todos os anos apresentados minha insulina basal, e consequentemente meu Homa-IR, estavam bastante elevados, indicando alta resistência à insulina. Sim! – eu cheguei a ter 56 de insulina basal e Homa-IR de 15! (Se você não sabe o que isso significa, leia aqui: http://resistencia-insulina.blogspot.com.br/2016/07/como-saber-se-eu-tenho-resistencia.html)
Síndrome Metabólica – Vamos relembrar o que é síndrome metabólica (leia mais sobre isso aqui: http://resistencia-insulina.blogspot.com.br/2016/06/eu-tenho-resistencia-insulina-mas-o-que_12.html).
O diagnóstico é dado quando três ou mais fatores de risco estiverem presentes numa mesma pessoa:
• Grande quantidade de gordura abdominal - Em homens cintura com mais de 102cm e nas mulheres maior que 88cm.
• Baixo HDL (“bom colesterol”) - Em homens menos que 40mg/dl e nas mulheres menos do que 50mg/dl.
• Triglicerídeos elevado (nível de gordura no sangue) - 150mg/dl ou superior
• Pressão sanguínea alta - 135/85 mmHg ou superior ou se está utilizando algum medicamento para reduzir a pressão
• Glicose elevada - 110mg/dl ou superior.
Ter três ou mais dos fatores acima é um sinal da presença da resistência insulínica, que é um hormônio produzido pelo pâncreas. Esta resistência significa que mais insulina do que a quantidade normal está sendo necessária para manter o organismo funcionando e a glicose em níveis normais.
Eu só não tinha a glicose acima de 110. Todos os outros fatores de risco eu tinha. Vejam nos meus exames de sangue que em 2011 e 2012 a síndrome metabólica fica bastante evidente. (Sim! – eu cheguei a ter mais de 700 de triglicerídeos!!! E o meu HDL estava abaixo de 50).
Síndrome dos Ovários Policísticos – O valor de referência para testosterona total em mulheres é de 14 a 76 ng/dL. Em 2011 minha testosterona total estava muito acima disso (111 ng/dL). Esse era apenas um dos sinais da síndrome dos ovários policísticos que eu já carregava há anos (leia mais aqui: http://resistencia-insulina.blogspot.com.br/2016/10/sindrome-do-ovario-policistico-o.html).
Risco Cardiovascular – Num post futuro eu vou trazer com mais detalhes o cálculo dos indicadores de risco cardiovascular. Por enquanto você pode ler mais sobre isso aqui: http://resistencia-insulina.blogspot.com.br/2017/01/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-o.html)
Na tabela anterior eu trago o cálculo de dois indicadores principais de risco cardiovascular: Colesterol Total/HDL, que deve ser inferior a 4,5 e Triglicerídeos/HDL, que deve ser inferior a 2. Basta olhar para os resultados de 2011 e 2012 e ver que meus indicadores estavam perigosamente elevados.
Mas em 2015 meu colesterol total finalmente ficou abaixo de 200 e meu LDL abaixo 100! Eu devia comemorar, afinal é isso que se busca, não?
Infelizmente eu não tinha nada a comemorar... Eu estava no pior momento da minha saúde, com obesidade, pressão arterial descontrolada, enxaquecas horríveis quase que diariamente, tomando vários medicamentos diferentes... mas meu colesterol estava “normal” – dentro dos valores de referência (em um post futuro falaremos sobre como os laboratórios chegam nesses “valores de referência”).
Ainda assim, meu risco cardíaco continuava elevado. Em 2015 meu indicador Triglicerídeos/HDL ainda era 4,2 (quando deveria ser no máximo 2...)
Vocês sabem por que o título deste post tem relação com a “Bomba Relógio”? Porque no ano passado eu fui consultar um endocrinologista aqui na cidade (para ver como estava a questão hormonal) e ele olhou todo o meu histórico de exames e me disse: “Menina, você ERA uma bomba relógio prestes a explodir a qualquer momento”...
Infelizmente, em 2011 e 2012 ninguém me disse que era uma “bomba relógio”...
Vejamos então como ficaram meus exames de sangue após a mudança no meu estilo de alimentação:

Resistência à Insulina – A resistência à insulina persistiu por muito tempo. Somente em março de 2017 é que eu consegui finalmente trazer a insulina e o Homa-IR para níveis “normais”, indicando que a resistência à insulina está começando a ceder.
Síndrome Metabólica – A síndrome metabólica se foi. Hoje eu não tenho mais NENHUM daqueles fatores de risco. Meus triglicerídeos baixaram e o HDL aumentou. E isso foi conseguido sem intervenção medicamentosa, apenas com a mudança na alimentação.
Síndrome dos Ovários Policísticos – Eu fiz uso de anticoncepcional durante vários anos para tratar a síndrome dos ovários policísticos. Em maio de 2016 minha testosterona total estava 29,5. Esse é um nível considerado “normal”, no entanto uma testosterona baixa tem outras implicações, como a dificuldade de ganhar massa magra. Ao final de 2016 eu abandonei o anticoncepcional e desde então meus níveis de testosterona vem se mantendo em torno de 47 (nível normal, mas mais adequado ao objetivo de ganhar mais magra).
Risco Cardiovascular – Meus indicadores de risco cardiovascular (Colesterol Total/HDL e Triglicerídeos/HDL) estão agora dentro da normalidade, indicando que meu risco cardiovascular reduziu. Isso é ótimo! Mas... veja bem... depois da mudança na alimentação meu LDL e meu colesterol total subiram! Agora estão acima dos valores de referência. O que isso quer dizer? Dependendo do médico que eu consulte, eu posso ouvir algo do tipo: “você precisa tomar estatinas para reduzir esse colesterol”. Mas... espere... TODOS os meus indicadores de risco cardiovascular melhoram! (Na tabela acima eu apresentou também os valores APO A1, APO B – mas isso eu explicar num próximo post) A Síndrome dos ovários policísticos se foi, a Síndrome metabólica se foi, a Resistência à insulina cedeu, eu perdi 18 kg de gordura, não tenho mais enxaquecas... mas meu colesterol aumentou. Como pode todos os indicadores terem melhorado e ainda assim eu estar “pior” do que antes? Afinal, qual o meu risco real?
De acordo com o dr. Souto, se você colocar os seus dados na calculadora de risco da American Heart Association (AHA) e o risco cardiovascular em 10 anos for inferior a 10%, as diretrizes oficiais dos EUA não indicam estatinas (independentemente de quão alto seja o colesterol total, desde que o LDL não ultrapasse 190). Eu joguei minhas informações na calculadora de risco e resultado foi: 0,8%

Ou seja, de acordo com American Heart Association meu risco cardiovascular é baixíssimo (faça seu cálculo aqui: http://www.cvriskcalculator.com/)
... ... ...
No início do post eu disse pra vocês que na minha casa, tanto eu quanto meu marido embarcamos em uma mudança de estilo de vida no final de 2016. Vamos ver agora como ficaram os exames laboratoriais do meu marido (o contorno preto representa os resultados ANTES da mudança e o contorno vermelho representa os resultados DEPOIS):

Percebam que o colesterol dele também elevou (num próximo post que também vou falar sobre porque isso acontece). Mas os indicadores de risco cardiovascular, assim como os meus, também melhoram. Ou seja: o risco diminuiu!

E de acordo com a calculadora da American Heart Association o risco cardiovascular dele também é baixo.
Mas no exame dele tem um outro dado que também chamou atenção. O HDL chegou ao maior nível da série histórica. E a testosterona total aumentou (Não, não ele fez reposição hormonal ou outro tratamento para aumentar a testosterona...). Será que isso foi só coincidência? Precisamos lembrar que o colesterol é o precursor de todos os hormônios esteroides. E a associação positiva entre os níveis de testosterona e de colesterol HDL já foi comprovada em diversos estudos clínicos:
Portanto, mesmo os níveis de colesterol tendo aumentado, quando avaliados sob uma ótica mais ampla, nossos resultados estão muito melhores hoje do que no passado. A bomba relógio foi desarmada.

Nos próximos posts iremos nos aprofundar nos exames laboratoriais, valores de referência, cálculo dos indicadores de risco, etc.


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6 comentários:

  1. Você utiliza alguma suplementação ou medicação específica no tratamento da resistência insulínica?

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    1. Por recomendação da minha médica, atualmente eu estou fazendo uso do Glifage em conjunto com um composto que contém Glycosil. Mas a médica disse que em breve eu não precisarei mais da medicação. Estamos acompanhando os resultados.

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  2. Excelente! E parabéns pela mudança de vida e pelos resultados!

    Minha esposa perdeu 16kg, TG caíram e HDL ficou > 50 pela primeira vez, mas médico mandou tomar Sinvastatina porque o colesterol total ficou em 256.

    Já meu sogro sempre teve colesterol "normal" e ganhou de presente 6 pontes cardíacas uns anos atrás.

    Tem algo muito errado com a Medicina.

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  3. arriscaria indicar alguns exames médicos de que devemos fazer e se sim, qual a frequência ?

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    1. Os exames necessários variam muito e dependem da suspeita do médico em relação à algum problema que a pessoa possa ter. Quando a pessoa está bem, saudável, não vejo razão para fazer exames com muita frequência. Mas quando há um problema, como o meu caso com a resistência à insulina, por exemplo, aí é bom fazer com alguma frequência para acompanhar a evolução. Eu faço o exame de insulina basal a cada 3 meses aproximadamente.

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