sexta-feira, 7 de abril de 2017

Entendendo melhor o início das doenças do coração e das artérias

Há muito sabemos que o colesterol, por si só, não é a maior ameaça às artérias do nosso corpo. O colesterol é como se fosse uma “argamassa” utilizada pelo corpo para “fechar as rachaduras” das artérias (lesões causadas nas artérias que geram inflamação).
Abaixo reproduzo trechos do livro “Você – Manual do Proprietário (Michael Roizen e Mehmet Oz) e uma imagem do livro que ilustra isso. O texto não é direcionado a médicos ou estudantes, pelo contrário, ele é voltado para o público leigo e explica de maneira simples e didática, para o público comum, como ocorrem os danos nas artérias do coração. Lembro, no entanto, que esse livro foi publicado há mais de 10 anos atrás e pode estar desatualizado em relação a alguns aspectos técnicos.
No capítulo 2 do livro, os autores tratam do coração e das artérias. E eles discutem 3 mitos relacionados a isso. O segundo mito é: “A maior ameaça às artérias é o colesterol”. E porque é um mito? As explicações trazidas ao longo do capítulo levam à compreensão de como isso está equivocado, o que eles chamam de “destruidor de mitos”.

FENDAS
O macio revestimento interno das artérias mantém sua integridade por meio de delicadas células que podem ser afetadas por anormalidades sutis, como açúcar sanguíneo elevado, pressão na corrente sanguínea, ou substâncias tóxicas, como nicotina e homocisteína. Quando são atingidas, essas células se afastam umas das outras, o que forma uma fenda. Esse “corte” tem que ser fechado rapidamente, a fim de proteger o interior dos vasos sanguíneos. Tais fendas são provocadas por uma variedade de fatores que você é plenamente capaz de controlar: pressão alta, altos níveis sanguíneos de compostos como homocisteína, tabagismo, inflamações crônicas provenientes de coisas tão diversas como doença periodontal ou doenças sexualmente transmissíveis, estresse, raiva, níveis elevados de açúcar no sangue. A maioria dessas complicações pode ser controlada (...)
Mas a fenda em si é o primeiro passo. Na sequência, ela passa a ser pavimentada por um caminho de colesterol, o que provoca, em seguida, inflamação e obstrução das artérias.
PLACAS
O organismo se desestabiliza quando ocorre uma falha – um rompimento ou fenda – no revestimento interno de uma artéria, porque a camada do meio passa a ter contato com o sangue. Nesta situação, o organismo, como se fosse um operário que deve fazer um revestimento de gesso, recorre à “argamassa”, ou placa, para preencher os rompimentos na parede interna da artéria. (A argamassa acaba por piorar o problema, como veremos.) Um tipo de argamassa – o colesterol – tem mais propaganda negativa que atores mirins, mas sua má reputação não é de todo justa. Enquanto o mau colesterol (LDL) merece toda a propaganda negativa que recebe, o bom colesterol transita pelo organismo por meio de lipoproteínas de alta densidade (HDL), agindo como uma espátula de limpeza do sistema arterial – em vista disso, só merece elogios. Compacto e poderoso, chega e lança-se nas artérias, na tentativa de retirar a argamassa em excesso. Em contrapartida, o mau colesterol, que percorre o organismo através de liproteínas de baixa densidade (LDL), é como um desses balões usados para decorar festas: grande, inchado e instável, podendo estourar a qualquer momento e espalhar pedaços de colesterol à sua volta. Quando seu nível de colesterol LDL está elevado (...) e aparecem fendas no revestimento interno das suas artérias, o corpo se encarrega de tentar resolver o problema com a argamassa de que dispõe. Na ânsia de consertar o estrago, porém, ele começa a cobrir os cortes com o mau colesterol [LDL], e o faz como se estivesse colocando argamassa demais num buraco na parede. E isso é só o começo, pois a argamassa em excesso estimula o sistema imunológico a enviar glóbulos brancos para o local, na tentativa de amainar o problema provocado pelo mau colesterol [LDL]. Esses glóbulos, então, lançam na região algumas de suas propriedades tóxicas – agindo como se atacassem infecções inimigas –, o que provoca uma inflamação generalizada. Essa inflamação, aliada à presença do mau colesterol [LDL] constrói espaços do tamanho de bolhas chamados células esponjosas, o que aumenta ainda mais o tamanho da placa ou argamassa, tornando a superfície da artéria mais áspera e provocando ainda mais inflamação, o que cria saliências e buracos em suas paredes. É como se acontecesse uma festa nas artérias aproveitando a ausência dos pais no fim de semana. Os adolescentes estão fazendo um senhor estrago, chamando cada vez mais convidados, e ninguém avisa a polícia.
Essas grandes células esponjosas tornam-se tão vorazes que crescem mais que o suprimento de sangue. Quando isso acontece, algumas começam a “passar fome” por falta de sangue, e ao morrerem, tornam-se “irritadiças” – isto é, essas células possuem uma carga elétrica semelhante àquela que, às vezes, deixa seu cabelo “elétrico” ao ser penteado. Essa carga atrai plaquetas sanguíneas “viscosas”, que percorrem o organismo sempre em grandes quantidades e acabam por formar coágulos nas suas artérias. Então, o primeiro problema são as placas; depois, o excesso de argamassa (mau colesterol - LDL), ou a pouca atividade da espátula (o bom colesterol - HDL); o terceiro problema é a inflamação; e o último são os coágulos nos remendos feitos com colesterol.
COÁGULOS
As plaquetas, células sanguíneas que se parecem com lençóis amassados em uma cama desfeita, fazem um bom trabalho. Por exemplo, são elas que o impedem de sangrar até a morte ao se cortar com uma lâmina de barbear. Elas são benéficas e calmas até encontrarem uma matéria áspera, como os remendos no interior de uma artéria remendada com colesterol. Quando encontram esses remendos, se desfazem e se prendem ao revestimento interno da artéria como se fosse um salva-vidas. (Se a aspereza for um corte na pele, você ficará feliz com a chegada das plaquetas ao local, pois elas vão fazer um coágulo no final do vaso sanguíneo, que mais tarde se transformará numa crosta, ajudando-o a parar de sangrar e a cicatrizar a ferida.) Se a aspereza for uma placa aderindo aos buracos nas suas artérias, e se essa placa estiver carregada eletricamente com células mortas, as plaquetas sanguíneas acabarão por formar um grande coágulo no topo da placa já irritada e inflamada, o que atrairá ainda mais proteínas para o local. Essa inflamação, bem como as lesões nas artérias, atraem as plaquetas, que vão se empilhando até que um dia – Bum! As paredes que vinham se inflamando e inchando de gordura de repente atraem tantas plaquetas e coágulos que estes preenchem completamente a artéria. Resultado: o tecido vivo do coração, alimentado pelos vasos sanguíneos, é privado de seu alimento vital. Então começa a morrer.
Agora, vamos deixar de lado por um minuto essa história de colesterol inflamado e considerar outra razão que torna os coágulos convidados indesejados. Às vezes, um coágulo que participa da festa nas artérias decide ir para outro lugar. Isso é mais que um simples aborrecimento: pode ser um evento absolutamente letal. Se um coágulo decide perambular pelas outras artérias, ele pode ser resolver iniciar uma festa num lugar ainda menor, e ficar completamente preso lá, impedindo o sangue de passar sequer pela porta [Trombose]. Agora, se essa nova festa estiver acontecendo numa área vital do seu organismo, todas as comemorações podem terminar subitamente – e para sempre.
(...)
CONHEÇA SEUS NÚMEROS
MEDIÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL
A pressão arterial é a força que o sangue faz à medida que passa pelas paredes das artérias. Se a sua pressão estiver alta (...), essa força literalmente fará furos nas suas artérias, causando os cortes mencionados antes. Mas a hipertensão é assintomática, o que torna mais fácil ignorá-la. (...)
EXAME DE SANGUE
Colesterol
(...) Verificou-se nos últimos anos que a taxa total de colesterol não é tão importante quanto as taxas de LDL e HDL, pois ambos têm ações diferentes sobre o organismo. (...) Praticar exercícios físicos, perder até mesmo cinco quilos, evitar carboidratos simples (a maioria dos alimentos “brancos”, como pão, açúcar e massas em geral) e restringir o consumo de gorduras saturadas (...) diminuirá sensivelmente seus níveis de colesterol LDL. (...) Agora, só para variar, vamos aumentar algo no seu corpo. É importante ter um nível de colesterol HDL o mais alto possível – pelo menos acima de 40mg/l. (...) O aumento do colesterol HDL pode ser conseguindo de diversas maneiras: consumir gorduras saudáveis, como as presentes no azeite de oliva extra virgem, nos peixes e nas nozes (...)
Homocisteína
Aminoácido resultante do processo de digestão, a homocisteína causa cortes e inflamação nas paredes das artérias, possivelmente por ser feita de pequenos cristais que bombardeiam diretamente as paredes. Níveis elevados de homocisteína são facilmente reduzidos às suas taxas normais por meio da ingestão de ácido fólico (...)
Proteína C-reativa
Essa proteína mede o nível de inflamação no corpo, desde uma sinusite até uma infecção do trato urinário ou uma inflamação das gengivas. Se o nível for alto, suas chances de ter uma doença cardíaca também são altas, pois qualquer inflamação mais significativa aumenta a inflamação dos vasos sanguíneos. O estudo do Women’s Health Iniciative, realizado com mais de 28 mil mulheres mostrou que as que possuem níveis elevados de Proteína C-reativa têm mortalidade em consequência de doenças cardiovasculares 3,1 vezes maior que a mortalidade de pessoas com níveis baixos da proteína. (...)
Açúcar no sangue
Mantenha essa taxa abaixo de 100mg/dl. O excesso de açúcar no sangue, que é causado pelo diabetes, prejudica as artérias ao desativar uma fosfoquinase específica, substância que possibilita a dilatação e a concentração das artérias. Sem essa fosfoquinase, o risco de fendas nas junções das paredes arteriais aumenta consideravelmente.

Depois de ler esse texto, você consegue entender porque o colesterol, por si só, não é o problema? Porque o colesterol é como se fosse uma argamassa que age para fechar as fendas nas artérias provocadas por uma variedade de fatores que são plenamente controláveis com hábitos de vida adequados. Ou seja, podemos reduzir nosso risco de doenças do coração e das artérias.
O problema é que a nossa visão atual sobre “prevenir doenças das artérias” parece só se preocupar em reduzir o colesterol. A ideia é limitar a quantidade de argamassa disponível para evitar que o corpo coloque argamassa demais naquelas fendas e acabe obstruindo as artérias. Devemos lembra, no entanto, que a maior parte do colesterol do nosso corpo (em torno de 75%) NÃO vem da alimentação, mas é fabricada pelo nosso organismo. Por isso, muitas vezes, os pacientes são orientados a tomar remédios que vão baixar o seu colesterol “na marra”. Como funcionam esses remédios? Sua ação se dá pelo bloqueio da enzima do fígado responsável pela produção de colesterol.
Podemos reduzir nosso colesterol, seja pela alimentação, seja por meio de medicamentos, mas qual o ponto disso se o principal problema continua lá? (As lesões nas paredes das artérias e inflamações.) O foco principal da prevenção deveria ser evitar que ocorram essas “fendas” nas paredes das artérias, pois é aí que tudo começa.


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