quarta-feira, 5 de abril de 2017

A evidência para a restrição calórica

The Evidence for Caloric Restriction
by Jason Fung

Há muitas pessoas, altamente educadas e que se acham inteligentes, que dizem que todas as dietas se reduzem a calorias. Assim, qualquer dieta que funciona automaticamente se resume a cortar calorias. Parece ser uma posição de recuo de muitos acadêmicos e pesquisadores e outros que tendem a não viver no mundo real. Eles dizem “esta dieta (Paleo, Baixo Carb, Whole Food, etc.) funciona porque cria um ‘déficit calórico’”. Ou seja, reduzir as calorias que você come criará um déficit calórico. Eles muitas vezes invocam a antiga regra Calorias que Entram, Calorias que Saem.
Mudança na gordura corporal = Calorias que Entram – Calorias que Saem. Sim. Isso é verdade. Isto é, naturalmente, análogo ao estádio lotado. Mudança na multidão do estádio = Pessoas que Entram – Pessoas que Saem. Mas e daí? Quem se importa?

A primeira lei da Termodinâmica é sempre verdadeira, mas completamente irrelevante para a saúde humana. Sim, se Calorias que Entram for mais do que Calorias que Saem, então você vai acumular gordura. Mas se você comer mais calorias, você vai queimar mais calorias. Se você comer menos calorias, você vai queimar menos. Portanto, não há nenhuma mudança geral na gordura corporal. Assim como o estádio - se mais pessoas entram, mas mais pessoas vão sair, então não há mudança.
O problema é que as pessoas agora fazem a suposição inteiramente injustificada de que a produção de calorias permanece estável, de modo que a redução da ingestão de calorias (alimentos) resulta automaticamente em perda de gordura corporal. É por isso que vejo tabelas como esta, que são apreciadas por muitos. Como eu tenho escrito a respeito várias vezes, isso é totalmente falso. O metabolismo basal pode aumentar ou diminuir até 40%.
Mas essa falsa crença resulta na estratégia que eu chamo de Redução Calórica como hipótese Primária (CRaP - Caloric Reduction as Primary). Tantas pessoas acreditam que simplesmente reduzir a ingestão de calorias é uma estratégia razoável de perda de peso. Elas pensam que as alterações hormonais (principalmente insulina e resistência à insulina) criadas por jejum intermitente ou dietas paleo ou cetogênicas são irrelevantes. Para elas, é tudo sobre a ingestão de calorias. Mas acreditamos na medicina baseada em evidências. Então, onde está a evidência de que a redução da ingestão de calorias como estratégia principal resulta em perda significativa de peso a longo prazo?
As pessoas assumem que é um fato cientificamente comprovado que a redução de “Calorias que Entram” irá causar perda de gordura corporal a longo prazo. Experimentalmente, isso é simples. Pegue algumas pessoas. Randomize-as. Dê a alguns deles restrição calórica. Observe-os perder peso e viver felizes para sempre. Os outros que continuam com sua dieta habitual não perdem peso. Simples.
Alguém pode me indicar esses estudos? Recomendamos a estratégia “Coma menos, mova-se mais” por quase meio século. Onde estão todos esses estudos? Oh, certo. Todos eles mostram conclusivamente que Redução Calórica como hipótese Primária (CRaP) NÃO produz perda de peso a longo prazo. Vejamos alguns desses estudos. Especialmente os randomizados controlados.
O estudo TODAY foi um estudo de diabéticos usando medicação (metformina) com ou sem mudanças de estilo de vida. Esta basicamente a abordagem de déficit calórico tão amado por médicos acadêmicos. O estudo principal mostrou que este método CRaP não produziu benefícios clínicos no manejo do diabetes. E quanto à perda de peso?

Vamos ver. No início do estudo, o Índice de Massa Corporal [IMC] médio do grupo de estilo de vida era 34. Após 5 anos de aconselhamento dietético para reduzir as calorias, o IMC médio era ... ... 34. Bom trabalho, rapazes. Contentes que vocês passaram os últimos 5 anos de suas vidas contando calorias?
O Programa de Prevenção do Diabetes foi outro estudo de estilo de vida randomizado que visava prevenir o diabetes, que foi, de fato, bem sucedido. Mas a questão aqui é sobre a perda de peso.

Com aconselhamento intensivo para reduzir a ingestão de calorias a perda de peso foi ótima (7kg). No início. No longo prazo, não tanto. Em um padrão familiar para todas as pessoas que já se fizeram dieta, o peso começa a ser recuperado, apesar da continuidade da dieta. Dentro de alguns anos, há somente uma diferença pequena no peso (2 quilos ou menos de 5 libras) e no fim do estudo, não há virtualmente nenhuma diferença.
O peso corporal diminui muito bem nos primeiros 6-12 meses, mas a partir daí mostra um aumento constante de peso.
E quanto os não-diabéticos? Vejamos a Iniciativa da Saúde da Mulher (Women’s Health Initiative). Quase 50.000 mulheres foram randomizadas para o estudo e receberam instruções para reduzir a ingestão de gordura. Este é o maior e mais importante estudo de nutrição já feito de intervenção de dieta de restrição calórica de baixo teor de gordura.
Mais de 7 anos, as mulheres reduziram sua ingestão calórica diária em 361 calorias por dia. Elas reduziram sua porcentagem de calorias de gordura e aumentaram seus carboidratos. Elas também aumentaram o seu exercício diário em 10%.
Parece que elas seguiram o conselho “Comer menos, mover mais” direitinho. Portanto, elas devem ter perdido muito peso e agradecido a seus médicos acadêmicos profusamente.
Humm, de fato não. Veja o que aconteceu com a perda de peso. Contra o grupo de comparação que seguiu sua dieta habitual, houve uma perda de peso inicial, seguida pelo conhecido platô de peso e, então, eventual recuperação de peso. Não houve melhorias na circunferência da cintura.

Há muitos que reclamam que este não foi especificamente um estudo de perda de peso. É sempre fácil achar defeitos no desenho de estudo após o fato. Mas o fato é que dois grupos foram randomizados. Um recebeu aconselhamento dietético para reduzir calorias, especificamente de gordura. Como resultado, as calorias foram reduzidas. Não é tudo sobre calorias?
Vamos também usar um pouco de senso comum aqui. É resultado do estudo é tão inacreditável? Centenas de milhões de pessoas seguiram uma dieta reduzida em calorias. Eu certamente tentei. Qual é a nossa experiência pessoal? Exatamente como o estudo mostrou.
Além disso, é importante notar que as mulheres, de fato, se mantiveram na sua dieta de calorias reduzidas. No entanto, a recuperação de peso ainda aconteceu. MAS não foi por causa da não conformidade. Isso é muitas vezes ignorado, porque médicos que dão conselhos dietéticos querem desesperadamente acreditar que as pessoas falham em suas dietas, porque elas não as seguem. Eles simplesmente não conseguem enfrentar a verdade super óbvia, mas altamente inconveniente, que está na cara. Se essas mulheres seguiram a dieta, mas ainda não conseguiram perder peso - o problema é a DIETA, e não o PACIENTE. Os médicos não podem ficar jogando o seu jogo favorito de ‘Culpe a vítima’.
Assim, todas as dietas funcionam por meio da redução da ingestão de calorias, certo? Mas todos os estudos de redução de ingestão de calorias não mostraram nenhum benefício na perda de peso. Como isso funciona? Onde está a terra mágica onde a redução da ingestão calórica automaticamente causa perda de peso a longo prazo? Como todas as dietas podem ser bem sucedidas apenas na medida em que elas reduzem a ingestão calórica, se está provado que reduzir a ingestão calórica NÃO causa perda de peso?
Nós declaramos viver em uma época de medicina baseada em evidências. Mas isso só parece se aplicar a tudo o que não é a sabedoria convencional aceita. O status quo sempre recebe um passe livre. Onde está a evidência de que cortar calorias provoca perda de peso?



Para ficar por dentro das atualizações,
CURTA NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK:
PARTICIPE DO NOSSO GRUPO NO FACEBOOK:
E SE INSCREVA NO NOSSO CANAL NO YOUTUBE:


3 comentários: