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terça-feira, 21 de março de 2017

Você conhece o Guia Alimentar para a População Brasileira?



Texto original de Lissandra Bischoff

Você conhece o Guia Alimentar para a População Brasileira (de 2014)?

Esse Guia Alimentar não é tão novo assim, mas muita gente ainda não conhece (ou nem sabe que mudou...)
O Guia pode ser encontrado aqui:

Imagem: Conselho Federal de Nutrição

“O Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado em 2006, apresentou as primeiras diretrizes alimentares oficiais para a nossa população. Diante das transformações sociais vivenciadas pela sociedade brasileira, que impactaram sobre suas condições de saúde e nutrição, fez-se necessária a apresentação de novas recomendações. A segunda edição do guia [2014] passou por um processo de consulta pública, que permitiu o seu amplo debate por diversos setores da sociedade e orientou a construção da versão final, aqui apresentada.
Tendo por pressupostos os direitos à saúde e à alimentação adequada e saudável, o guia é um documento oficial que aborda os princípios e as recomendações de uma alimentação adequada e saudável para a população brasileira, configurando-se como instrumento de apoio às ações de educação alimentar e nutricional no SUS e também em outros setores. Considerando os múltiplos determinantes das práticas alimentares e, a complexidade e os desafios que envolvem a conformação dos sistemas alimentares atuais, o guia alimentar reforça o compromisso do ministério da saúde de contribuir para o desenvolvimento de estratégias para a promoção e a realização do direito humano à alimentação adequada.
Ministério da saúde”

Mas O QUE MUDOU?

Imagem: Conselho Federal de Nutrição

Bom, em primeiro lugar, a pirâmide alimentar caiu!!! Leia mais sobre isso aqui:

“Almeja-se que este guia seja utilizado nas casas das pessoas, nas unidades de saúde, nas escolas e em todo e qualquer espaço onde atividades de promoção da saúde tenham lugar, como centros comunitários, centros de referência de assistência social, sindicatos, centros de formação de trabalhadores e sedes de movimentos sociais.
Embora o foco deste material seja a promoção da saúde e a prevenção de enfermidades, suas recomendações poderão ser úteis a todos aqueles que padeçam de doenças específicas. Neste caso, é imprescindível que nutricionistas adaptem as recomendações às condições específicas de cada pessoa, apoiando profissionais de saúde na organização da atenção nutricional.” (Introdução do Guia Alimentar) 


Certas pessoas precisam de cuidados especiais em sua alimentação devido a doenças específicas. Quem é celíaco, por exemplo, não deverá comer alimentos que contenham glúten. Quer foi intolerante à lactose deverá evitar produtos com lactose, etc. Sabemos que o diabetes é uma doença de intolerância à glicose, portanto também requer recomendações específicas de alimentação:

Imagens: Conselho Federal de Nutrição

Quer dizer que, se eu tiver boas fontes de informação, eu posso ter autonomia para fazer minhas próprias escolhas alimentares? Isso é muito bom!
Vegetarianos, por exemplo, optam por não comer carne. Já os seguidores de uma dieta Paleo/Primal optam por não comer outros tipos de alimentos (tais como farinhas, açúcares e certos grãos, por exemplo). Quem faz uma alimentação low carb opta por não comer 50-60% de sua alimentação diária vinda de carboidratos.

Imagens: Conselho Federal de Nutrição

“Há informações sobre alimentação e saúde, mas poucas são de fontes confiáveis”.
“Recomendações sobre alimentação devem estar em sintonia com seu tempo.”
Duas grandes verdades! Como saber, então, quão confiável é informação que eu recebo? Poderíamos começar olhando qual o nível de evidência científica por trás dessa informação:

O mundo evolui. E assim evoluiu nosso conhecimento e entendimento a respeito de todos os assuntos. A cada momento novos estudos são conduzidos, novas conclusões são divulgadas e precisamos estar atentos ao nível de evidência dessas novas informações que a gente recebe.
Obs.: Devemos estar atentos ao nível de evidência das informações antigas também! Nem tudo é o que parece:

* * * * *

Mas afinal, o que diz nosso Guia Alimentar?
No capítulo 2 do Guia, são apresentadas quatro categorias de alimentos, definidas de acordo com o tipo de processamento empregado na sua produção.

1.   ALIMENTOS IN NATURA OU MINIMAMENTE PROCESSADOS
A primeira categoria do Guia Alimentar reúne alimentos in natura ou minimamente processados.
Alimentos in natura são aqueles obtidos diretamente de plantas ou de animais (como folhas e frutos ou ovos e leite) e adquiridos para consumo sem que tenham sofrido qualquer alteração após deixarem a natureza.
Alimentos minimamente processados são alimentos in natura que, antes de sua aquisição, que foram submetidos a processos de limpeza, remoção de partes não comestíveis ou indesejáveis, fracionamento, moagem, secagem, fermentação, pasteurização, refrigeração, congelamento e processos similares que não envolvam agregação de sal, açúcar, óleos, gorduras ou outras substâncias ao alimento original.
Imagem reproduzida a partir das imagens apresentadas no Guia Alimentar

Isso parece com uma Alimentação Paleo/Primal!
A diferença é que na Paleo/Primal a gente evita comer alguns desses grãos (primeira foto que aparece imagem). Mas isso não é diferente de outras escolhas alimentares que encontramos. Os vegetarianos evitam as carnes (duas últimas fotos que aparecem na imagem). Os veganos vão além: evitam todos os produtos de origem animal, como leite e ovos (terceira foto).
Os vegetarianos e veganos têm suas razões para evitarem esses alimentos (que podem ser questões de saúde, de ideologia, culturais ou religiosas, etc). Da mesma forma que pessoas que seguem uma alimentação Paleo/Primal têm suas razões para evitarem os grãos. Em sua maior parte é uma questão de saúde – leia aqui:
Quando uma pessoa decide seguir uma alimentação vegana ela precisa suplementar certas vitaminas, como a B12, uma vez que não existe fontes veganas naturais para compensar a necessidade dessa vitamina. Leia mais sobre isso aqui: http://www.vitamina-b12.net/veganos-e-vegetarianos/
Assim, os nutricionistas devem orientar seus pacientes com relação a esse e outros aspectos relacionados à sua opção alimentar.
Quem decide seguir uma alimentação Paleo/Primal evita os grãos. Quem decide seguir uma alimentação low carb REDUZ (não zera) a quantidade de carboidratos na sua alimentação. Qual o problema disso? Não chega nem de longe a ser problema semelhante ao da exclusão dos alimentos de origem animal.
Existem aminoácidos essenciais, isto é, que só podem ser obtidos através da dieta. Da mesma forma, existem ácidos graxos essenciais. Mas não existem carboidratos essenciais, ou seja, o corpo é capaz de sintetizar todos os carboidratos (inclusive a glicose) de que necessita a partir de outros precursores (aminoácidos e glicerol, por exemplo, um processo denominado gliconeogênese, que ocorre em condições de baixa insulina).” (dr. Souto - http://www.lowcarb-paleo.com.br/2011/12/por-que-algumas-dietas-funcionam-e.html)

2.   ÓLEOS, GORDURAS, SAL E AÇÚCAR
A segunda categoria corresponde a produtos extraídos de alimentos in natura ou diretamente da natureza e usados pelas pessoas para temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias. Exemplos desses produtos são: óleos, gorduras, açúcar e sal.
Imagem extraída do Guia Alimentar

O Guia fala em “óleos de soja, de milho, de girassol ou de oliva, manteiga, banha de porco, gordura de coco, açúcar de mesa branco, demerara ou mascavo, sal de cozinha refinado ou grosso”.
Aqui, veganos evitam a manteiga e a banha de porco – pelos motivos citados anteriormente. Da mesma forma, pessoas que seguem pessoas que seguem uma alimentação Paleo/Primal evitam os óleos vegetais refinados, como óleo de soja, de milho, de girassol etc., e os açúcares em geral – pelo motivo citado anteriormente (saúde). Veja mais sobre isso, aqui:



3.   ALIMENTOS PROCESSADOS
A terceira categoria corresponde a produtos fabricados essencialmente com a adição de sal ou açúcar a um alimento in natura ou minimamente processado, como legumes em conserva, frutas em calda, queijos e pães.
Imagem extraída do Guia Alimentar

O Guia recomenda que se limite o uso de alimentos processados, consumindo-os, em pequenas quantidades, como ingredientes de preparações culinárias ou como parte de refeições baseadas em alimentos in natura ou minimamente processados.
Veja bem: o pão está aí no meio!
Quem segue uma alimentação Paleo/Primal costuma utilizar pequenas quantidades de alguns desses alimentos, como queijos, toucinho (o famoso bacon!) - lembrando que queijos e bacon não sem sempre são produtos processados, podem ser produtos artesanais também - , sardinha e atum enlatados, por exemplo. Outros produtos processados são evitados.

4.   ALIMENTOS ULTRA PROCESSADOS
A quarta categoria corresponde a produtos cuja fabricação envolve diversas etapas e técnicas de processamento e vários ingredientes, muitos deles de uso exclusivamente industrial. Exemplos incluem refrigerantes, biscoitos recheados, “salgadinhos de pacote” e “macarrão instantâneo”.
Imagem extraída do Guia Alimentar

O Guia Alimentar recomenda que esses produtos alimentícios sejam evitados:
A fabricação de alimentos ultraprocessados, feita em geral por indústrias de grande porte, envolve diversas etapas e técnicas de processamento e muitos ingredientes, incluindo sal, açúcar, óleos e gorduras e substâncias de uso exclusivamente industrial.
Ingredientes de uso industrial comuns nesses produtos incluem proteínas de soja e do leite, extratos de carnes, substâncias obtidas com o processamento adicional de óleos, gorduras, carboidratos e proteínas, bem como substâncias sintetizadas em laboratório a partir de alimentos e de outras fontes orgânicas como petróleo e carvão. Muitas dessas substâncias sintetizadas atuam como aditivos alimentares cuja função é estender a duração dos alimentos ultraprocessados ou, mais frequentemente, dotá-los de cor, sabor, aroma e textura que os tornem extremamente atraentes.
Pessoas que seguem uma alimentação Paleo/Primal definitivamente evitam ao máximo consumir esse tipo de produto alimentício (não é “comida de verdade”). E os vegetarianos e veganos? Vegetarianos e veganos precisam prestar atenção nessa questão, afinal, produtos à base de soja, por exemplo, são bastante consumidos por eles.
O Guia fala, ainda, que:
Uma forma prática de distinguir alimentos ultraprocessados de alimentos processados é consultar a lista de ingredientes que, por lei, deve constar dos rótulos de alimentos embalados que possuem mais de um ingrediente. Um número elevado de ingredientes (frequentemente cinco ou mais) e, sobretudo, a presença de ingredientes com nomes pouco familiares e não usados em preparações culinárias (gordura vegetal hidrogenada, óleos interesterificados, xarope de frutose, isolados proteicos, agentes de massa, espessantes, emulsificantes, corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e vários outros tipos de aditivos) indicam que o produto pertence à categoria de alimentos ultraprocessados.
Hummm... E agora? Será que aquela barrinha de cereal que aquele nutricionista incluiu na sua dieta não se enquadra nessa categoria? E aquele biscoitinho FIT? E o iogurte industrial desnatado que alguns ainda insistem em pensar que é “saudável”? O cereal matinal? A lista do Guia é grande... Será que não está na hora de repensar algumas coisas?
Imagem extraída do Guia Alimentar

“Em essência, dissemos que a base dessa alimentação consiste na grande variedade de alimentos in natura ou minimamente processados, predominantemente de origem vegetal, e nas preparações culinárias feitas com esses alimentos. Também dissemos que alimentos processados podem integrar a alimentação desde que consumidos em pequenas quantidades e sempre como parte ou acompanhamento de preparações culinárias com base em alimentos in natura ou minimamente processados. Alimentos ultraprocessados devem ser evitados.” (Capítulo 3 do Guia Alimentar)
Está parecendo que essa recomendação se parece com isso:

Imagem extraída de: http://www.marksdailyapple.com


O que mais diz o Guia?

Imagem: Conselho Federal de Nutrição

Evite “beliscar” nos intervalos entre as refeições! 
Quer dizer, então, que eu não preciso comer de 3 em 3 horas? Isso! Tudo bem se a pessoa optar por comer apenas as 3 refeições principais (café da manhã, almoço e jantar). 

* * * * *


Imagens: Conselho Federal de Nutrição


Realmente, nosso Guia tem sido elogiado. Mas ainda temos muito a melhorar, segundo o Dr. Souto:

Se você for atendido por médico ou nutricionista que lhe disser que você “não deve fazer Paleo/Primal”, converse com ele sobre os princípios deste Guia Alimentar e verifique se ele realmente conhece a dieta Paleo/Primal ou se tem ideias equivocadas a respeito (http://www.lowcarb-paleo.com.br/2015/01/a-falacia-do-espantalho.html).

O novo Guia Alimentar brasileiro afirma seu compromisso com “a ampliação da autonomia das pessoas nas escolhas alimentares e com a defesa do direito humano à alimentação adequada e saudável” (pág. 12 do Guia Alimentar). Portanto, faça bom proveito da sua autonomia.



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2 comentários:

  1. Trabalho maravilhoso, Liss!
    Uso o Guia com minha sala de alfabetização (e com as mães nas reuniões). Eu foco na comida de verdade em contraposição aos ultra processados.
    Ele ainda escorrega, colocando sal e açúcar no mesmo saco, não separa gorduras naturais de industrializadas, e apesar de alertar o tempo todo sobre açúcares, não deixa claro que farináceos refinados são açúcares igualmente perigosos.
    O Dr. Monteiro, coordenador do Guia, já disse em entrevista, que alimentação de baixo carboidrato ajuda em certas patologias. Desconfio que seja um simpatizante da Low Carb, todavia não pode revelar-nos...

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