quarta-feira, 1 de março de 2017

Hiperinsulinemia e Resistência à insulina: o maior assassino do mundo?

Hyperinsulinemia and Insulin Resistance: The World’s Biggest Killers?
By Michael Joseph (Nutrition advance)
Publicado em 28 de fevereiro de 2017


Quando pensamos no maior assassino do mundo, coisas diferentes vêm à mente.
Armas?
Ou possivelmente doença cardíaca, câncer, ou até mesmo demência?
Bem, essas três doenças crônicas são todas boas apostas. Mas e se elas são apenas o resultado de outra coisa, e todas elas têm uma causa comum?
Nesse caso, essa causa comum poderia ser o maior assassino do mundo - e leva o nome de hiperinsulinemia.
Este artigo analisa o rápido crescimento do problema da hiperinsulinemia e da resistência à insulina.

O que é Resistência à Insulina?
Resistência à insulina é um termo para descrever quando nosso corpo desenvolve uma resistência aos efeitos do hormônio insulina (1).
Como resultado, experimentamos aumento dos níveis de glicose no sangue e níveis mais elevados de insulina circulante (2, 3).

O que é hiperinsulinemia?


Hiperinsulinemia refere-se à situação em que temos uma elevação constante dos níveis de insulina (4).
A definição literal é simplesmente uma quantidade excessiva de insulina no sangue.
A resistência à insulina é a causa usual da hiperinsulinemia, e os altos níveis de insulina resultantes podem ser muito prejudiciais ao nosso corpo (5).

A hiperinsulinemia é diabetes tipo 2?
Existe uma forte ligação entre hiperinsulinemia e diabetes tipo 2, mas não são a mesma coisa.
Diabetes tipo 2 ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente para manter níveis normais de glicose no sangue (6).
No entanto, hiperinsulinemia refere-se a quando o corpo está produzindo insulina demais para manter sob controle os altos níveis de glicose no sangue (7).
Sem uma intervenção adequada, a hiperinsulinemia crônica pode levar ao diabetes tipo 2 (8).
Mas é preciso lembrar: a hiperinsulinemia está associada à síndrome metabólica, e é prejudicial independentemente do diabetes.

Ponto-chave: A resistência à insulina leva a hiperinsulinemia - quantidades excessivas de insulina circulante no corpo.

O que causa altos níveis de insulina?

Como mostrado acima, a resistência à insulina leva a níveis mais elevados de glicose no sangue. E o resultado disso é que o pâncreas libera níveis excessivos de insulina para tentar compensar.
Mas o que causa a resistência à insulina?

Fatores de risco
Em primeiro lugar, existem alguns sintomas/fatores de risco geral de resistência à insulina, que incluem os seguintes (9, 10):
- Idade: resistência à insulina geralmente é diagnosticada em pessoas com mais de 40 anos
- Obesidade (especialmente relacionada à gordura abdominal)
- Hipertensão
- Prediabetes
- Genética: um histórico familiar aumenta o risco
- Falta de atividade física
- Estilo de vida sedentário
- HDL baixo e níveis elevados de triglicerídeos

Mais importante: a causa dos fatores de risco
Conhecer os fatores de risco para uma condição de saúde não é viável se não estamos cientes da causa desses fatores de risco.
Pre diabetes e obesidade certamente não aparecem da noite para o dia; Eles têm uma causa comum.
E essa causa é muitas vezes dieta.

Exposição Um: A Dieta Moderna

Em contraste com um século atrás, o alimento que comemos agora é quase irreconhecível.
Enquanto a vovó passava uma hora ou duas fazendo um grosso caldo de carne, vegetais e talvez algumas batatas, é completamente diferente agora.
Hoje em dia, a pessoa média come:
- Bolos, biscoitos, doces
- Doces
- Cereal (vamos ser honestos, podemos chamar a maioria dessas coisas “doces de café-da-manhã”)
- Fast food
- Refeições de microondas cheias de carboidratos refinados, óleos vegetais e açúcar
- Pão ultra-processado contendo uma variedade de aditivos e óleos (novamente, não como o pão da vovó)
Certo; Alguns desses alimentos sempre estiveram no menu, mas não com a frequência que estão agora.
E se você olhar para cada uma dessas categorias, você verá um tema comum: carboidratos altamente processados. Na verdade, as estimativas dizem que 58% de todas as calorias na “dieta americana padrão” vêm de alimentos ultra-processados ​​(11).

Ponto-chave: há muitos fatores de risco diferentes para a resistência à insulina, mas muitas pessoas acreditam que nossa dieta moderna é o mais significativo.

Como os alimentos que comemos estão relacionados à resistência à insulina

Quer comer um bolo de chocolate no seu aniversário? Desde que você esteja saudável, isso provavelmente não é problema.
Desfrutar de uma pizza ocasionalmente com seus amigos? Eu não estou dizendo que é saudável, mas novamente - é improvável que cause problemas.
Mas quando comemos constantemente quantidades excessivas de carboidratos, ocorrem problemas.
Veja o que acontece em uma pessoa saudável:
- Em primeiro lugar, o pâncreas libera insulina quando detecta o aumento dos níveis de glicose, após a digestão dos carboidratos.
- Em segundo lugar, esta insulina transporta glicose (bem como gorduras no sangue) para as células do corpo.
No entanto, muitas pessoas estão comendo carboidratos refinados na forma de grãos e açúcares a cada poucas horas.
E o coquetel moderno de óleos vegetais, grãos e açúcar (alto carboidrato, alta gordura) é o maior culpado.

Como a resistência à insulina se desenvolve
- Se estamos comendo carboidratos refinados e açúcares a cada poucas horas, então o resultado é uma elevação constante nos níveis de glicose no sangue.
- Como resultado, o pâncreas está trabalhando excessivamente para liberar insulina e reduzir esses açúcares no sangue.
- Do lado negativo, esta situação não pode durar para sempre, e ao longo do tempo as células do corpo tornam-se resistentes aos efeitos da insulina.
- Neste caso, à medida em que a resistência à insulina aumenta, existe uma quantidade maior de glicose correspondente no sangue.
- Esta grande quantidade de glicose no sangue resulta em constantes níveis de insulina circulantes mais elevados para tentar controlar a glicose no sangue. Isto também é conhecido como hiperinsulinemia.

Ponto chave: A dieta moderna desempenha um grande papel no desenvolvimento da resistência à insulina. Especificamente, elevações contínuas na glicose sanguínea provenientes de carboidratos excessivos faz com que as células do corpo se tornem resistentes à insulina.

Link entre hiperinsulinemia e doenças crônicas
Muitas pessoas sabem que um diagnóstico de diabetes tipo 2 leva a um aumento do risco de doença cardiovascular, câncer e demência.
No entanto, altos níveis de insulina no sangue (e hiperinsulinemia) são prejudiciais por si só - se o diabetes está presente ou não.

Alzheimer

- A hiperinsulinemia tem uma “associação robusta” com maior risco de doença de Alzheimer (12).
- Altos níveis de insulina inibem a degradação de beta amilóide (que contribui para a placa no cérebro). Além disso, estudos de amostragem sugerem que a hiperinsulinemia está associada a quase metade dos casos de Alzheimer (13).
- A hiperinsulinemia pode levar à resistência à insulina no cérebro, e um estudo longitudinal mostra que níveis elevados de insulina - sem diabetes - dobram o risco de desenvolver a doença de Alzheimer (14).

Câncer
- Indivíduos com níveis mais altos de insulina no sangue têm um risco 62% maior de mortalidade por câncer. Em particular, eles também têm um risco 161% maior de mortalidade gastrointestinal (15).
- A hiperinsulinemia crônica pode aumentar o risco de câncer aumentando a atividade biológica do IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina), que pode ajudar os tumores a crescerem. A insulina também pode influenciar diretamente o crescimento tumoral (16).

Doença Cardiovascular (DCV)
- A hiperinsulinemia estimula a produção de citocinas pró-inflamatórias em sistemas vasculares e células endoteliais (17).
- Níveis elevados de insulina podem levar ao desenvolvimento de hipertensão (pressão arterial elevada) por meio de sinais de insulina prejudicados e outros distúrbios metabólicos (18).
- O aumento dos níveis de insulina em jejum aumenta o risco de DCV, independentemente de outros fatores de risco de DCV (19).

Doença Renal Crônica (DRC)

- A resistência à insulina é visível nos estágios iniciais da doença renal crônica (20).
- A hiperinsulinemia pode levar à DRC independentemente de diabetes tipo 2 por meio do estresse oxidativo, estimulando fatores de crescimento e regulando os receptores renais (21).

Todas as Doenças Crônicas
- A resistência à insulina, a hiperinsulinemia e a síndrome metabólica são parte de uma “doença sistemática que afeta todos os principais órgãos”, além do sistema nervoso e do sistema imunológico (22).

Ponto-chave: A resistência à insulina e a hiperinsulinemia parecem desempenhar um papel fundamental na patologia das principais doenças crônicas.

Hiperinsulinemia: Sinais e Sintomas

É importante perceber os sinais e sintomas da hiperinsulinemia.
Quanto mais cedo forem reconhecidos, mais cedo você poderá deter os danos.
Dado isto, aqui estão alguns sinais a observar:
- Fadiga / Falta de energia
- Ganho de peso
- Visão embaçada
- Fome intensa / Desejo por doces
- Incapacidade de manter o foco
- Fraqueza muscular
- Pensamento nebuloso
- Sede constante
No entanto, tenha em mente que a hiperinsulinemia é frequentemente assintomática. Em outras palavras, pode não haver indicadores visíveis, mas uma completa ausência de sintomas.

Ponto-chave: A hiperinsulinemia tem uma série de sintomas a serem observados, mas às vezes pode não haver sinal de problema.

Quando procurar aconselhamento médico
Hiperinsulinemia é uma condição médica grave que pode levar a complicações potencialmente fatais.
Como resultado, se você suspeitar de qualquer problema relacionado à resistência à insulina ou hiperinsulinemia, então, não faço auto diagnóstico.
Procure aconselhamento médico e trabalhe com seu médico, pois o diagnóstico preciso requer exames médicos.
Fazer isso permitirá que você saiba com certeza, e permitirá que você discuta possíveis opções de tratamento com um profissional médico.

Ponto-chave: A hiperinsulinemia é um problema médico grave, por isso consulte um profissional médico se tiver alguma dúvida.

Dieta para Hiperinsulinemia: Podemos reverter a resistência à insulina?


A resistência à insulina tem uma ligação significativa com os alimentos que comemos. Para ser específico: alimentos que aumentam maciçamente a glicose no sangue.
Para reverter a hiperinsulinemia, é essencial remover o problema subjacente de níveis excessivos de glicose no sangue.
E muitas pessoas têm desfrutado de sucesso ao fazer isso, adotando uma dieta de restrição de carboidratos.
A composição geral dessas dietas é extremamente baixa em carboidratos (<10%), com proteína moderada e maiores quantidades de gorduras saudáveis.
Para uma ideia de como essa dieta seria, os seguintes alimentos são enfatizados:
- Carnes
- Legumes
- Frutas com baixo teor de açúcar (abacates, bagas, azeitonas)
- Peixes
- Nozes
- Sementes
- Lanches com pouco açúcar (por exemplo, chocolate amargo – 70% ou mais de cacau)

O que a ciência diz?
Do lado positivo, há dezenas de estudos que apoiam dietas de baixo carboidrato como uma possível intervenção para níveis elevados de glicose sanguínea (e hiperinsulinemia).
Aqui está apenas uma pequena seleção das descobertas:
- Dietas de baixo teor de carboidratos induzem vários efeitos metabólicos favoráveis, incluindo diminuição da glicose sanguínea e redução dos níveis de insulina (23).
- Em mulheres com obesidade, uma dieta cetogênica de baixo carboidrato resultou em uma redução significativa nos níveis de insulina em jejum (-54%) ao longo de 24 semanas (24).
- A restrição de carboidratos em pacientes idosos obesos leva a melhorias na sensibilidade à insulina (25).
- Em um estudo randomizado envolvendo pacientes diabéticos, uma baixa ingestão de carboidratos mostrou menores níveis de glicose e de insulina em comparação com uma dieta rica em carboidratos. Ambas as dietas induziram reduções semelhantes no peso, de modo que os benefícios da dieta de baixao carboidrato foram independentes da perda de peso (26).

Ponto-chave: A adesão a dietas de baixo carboidrato reduz, de forma confiável, os níveis de glicose sanguínea e de insulina circulantes.

O sono e seu papel na hiperinsulinemia

Não é apenas a dieta que afeta a glicose no sangue e a insulina, mas também dormir - ou mais precisamente - a nossa qualidade de sono.
- Privação de sono em homens jovens saudáveis ​​induz níveis mais elevados de insulina em jejum. Além disso, a perda do sono está ligada ao aumento da inflamação que pode predispor o corpo a níveis mais elevados de insulina (27).
- Mesmo as mudanças a curto prazo no sono podem afetar seriamente o metabolismo da glicose. A privação do sono que dura entre 24 horas e 5 dias resulta em níveis alterados de glicose (28).
- Em um estudo com 1455 adultos com idade superior a 6 anos, os indivíduos que dormiam menos de 6 horas por noite apresentaram níveis significativamente mais elevados de glicose em jejum (29).
- Um estudo analisou indivíduos saudáveis ​​após uma típica noite de 8 horas de sono e, em seguida, uma noite de sono de 4 horas. Esta única noite de privação de sono reduziu a taxa de infusão de glicose dos indivíduos em 25% (30).
Embora seja algo que muitas vezes esquecemos, sono suficiente é fundamental para a nossa saúde geral.

Ponto-chave: Nossos níveis de glicose sanguínea e de insulina não são determinados apenas pela dieta, mas também pela qualidade do sono que recebemos.

Exercícios também reduzem os níveis de insulina em jejum

Outro ponto importante a lembrar são os benefícios que o exercício físico traz.
- O exercício de alta intensidade melhora os níveis de glicose no sangue durante 1-3 dias após o exercício, tanto em diabéticos como em não diabéticos. Além disso, diminui os níveis de insulina em jejum por até 3 dias (31).
- O exercício melhora a glicose no sangue em jejum e os níveis de insulina em combinação com uma dieta com baixo índice glicêmico (IG), mas os níveis de insulina permanecem elevados com uma dieta de alto IG - mesmo com exercício (32).
- O exercício diminui os níveis de glicose sanguínea, reduz a gordura corporal e aumenta a sensibilidade à insulina, tanto a curto como a longo prazo (33).

Ponto-chave: Os exercícios ajudam a melhorar todos os marcadores de saúde relacionados aos níveis de glicose sanguínea e de insulina. Macadamente, este efeito permanece por vários dias após o exercício.

Conclusões finais
A hiperinsulinemia é uma causa unificadora e subjacente da maioria das doenças crônicas? Algumas pessoas pensam assim e olhando para a evidência - elas podem estar certas.
É importante lembrar que níveis elevados de glicose no sangue e insulina são prejudiciais para todos, não apenas para aqueles que têm diabetes.
E todos nós podemos tomar medidas simples para melhorar a nossa saúde, minimizando a quantidade de açúcar/carboidratos refinados que consumimos.
Por último, não devemos negligenciar os benefícios do sono e do exercício - ambos os quais desempenham um papel inestimável na nossa saúde geral.



Para ficar por dentro das atualizações,
CURTA NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK:
PARTICIPE DO NOSSO GRUPO NO FACEBOOK:
E SE INSCREVA NO NOSSO CANAL NO YOUTUBE:



Um comentário: