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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

O experimento de fome de Minnesota

The Minnesota Starvation Experiment
by Zöe Harcombe
Publicado em 3 de dezembro de 2009


Este é um post a respeito do que é possivelmente o experimento de obesidade mais importante já realizado. Por favor, me avise se você se deparar com um nutricionista que nunca tenha ouvido falar dele, muito menos o tenha estudado...
A América entrou para a Segunda Guerra Mundial em 1941 - época em que a Europa já estava experimentando racionamento e escassez de alimentos. Dois anos mais tarde, um médico americano, Ancel Keys, percebeu que seria crucial saber o que aconteceria se a guerra não acabasse logo e o racionamento se transformasse em fome. Ele realizou uma das mais ambiciosas experiências de saúde já realizadas - para fornecer o estudo definitivo da fome e re-alimentação. Keys alcançou este objetivo e também, sem querer, ele forneceu uma das descobertas mais importantes em dieta e perda de peso até hoje.
O experimento “Minnesota Starvation” começou com um anúncio, publicado em toda a América em maio de 1944. “Você vai morrer de fome para que eles sejam melhor alimentados?” Duzentos voluntários se candidataram, como uma alternativa à guerra, e Keys e sua equipe de pesquisadores selecionaram 36 homens dentre eles. Os homens (todos com idade entre 20 e 33 anos) foram escolhidos por sua resistência física e mental. Os resultados, 1.385 páginas no total, foram publicados em “The Biology of Human Starvation” (1950).
O experimento de um ano foi dividido em quatro fases:
1) O Período de Controle (12 semanas): O principal objetivo deste período foi determinar a necessidade calórica para os homens. Estabeleceu-se que os homens conseguiam manter seu peso com aproximadamente 3.210 calorias por dia enquanto andavam 22 milhas a cada semana - uma média de apenas três milhas ao dia (45-60 minutos de caminhada).
2) O período de fome (24 semanas): O fato de o estudo ser referido como uma “experiência de fome” é tão interessante, porque a “fome” de seis meses foi realmente uma dieta controlada por calorias de aproximadamente 1.600 calorias por dia (mais calorias do que muitas dietas modernas permitem). As refeições eram compostas de alimentos normalmente disponíveis na Europa durante os últimos estágios da guerra: batatas, nabos, pão e macarrão - ou seja, carboidratos amiláceos. Ancel Keys definiu isso para tentar induzir uma perda de peso de 25% em cada homem em 24 semanas.
3) Período de reabilitação com restrições (12 semanas): Os homens foram divididos em quatro grupos de oito (quatro foram demitidos por roubar alimentos e comer além do permitido) e receberam níveis diferentes de calorias, proteínas e vitaminas para ver o que seria melhor para nutri-los novamente e restaurar a saúde.
4) Período de reabilitação sem restrições (8 semanas): Durante o período final, os homens podiam comer tanto quanto desejavam e a equipe de pesquisa registrou cuidadosamente o que de fato comeram.
Este estudo inestimável nos diz o seguinte sobre dieta e perda de peso:
1) A fome é comparável com a guerra em termos do efeito devastador que tem sobre os seres humanos. Muitos dos voluntários chegaram a acreditar que o serviço militar teria sido uma opção mais fácil do que o caminho escolhido.
Keys colocou 36 homens fisicamente e mentalmente saudáveis ​​em uma dieta controlada de calorias, com uma quantidade moderada de exercício, e, em questão de semanas, ele os transformou em destroços físicos e emocionais (bulímicos, para todos os efeitos).
Fisicamente, os homens relataram incessante fome, fraqueza, exaustão e perderam 21% de sua força nas primeiras 12 semanas. Eles experimentaram tonturas, perda muscular, perda de cabelo e coordenação reduzida. Vários se retiraram de suas aulas universitárias, porque simplesmente não tinham energia ou motivação para participar.
Psicologicamente, os homens ficaram obcecados com comida, com os horários das refeições e com tudo o que tinha a ver com comida (alguns se tornaram cozinheiros após a experiência, tal era seu interesse em comida). Eles tiveram que criar um sistema (“buddy system” - acordo de cooperação no qual indivíduos emparelhados assumem responsabilidade pela instrução, produtividade, bem estar ou segurança do outro) para evitar quebrar suas dietas, uma vez que a sua tendência de comer além do permitido era enorme. Antes que o buddy system fosse posto em prática, uma dupla se apossou de alguns alimentoa proibidos e sofreu compulsão e extrema culpa e auto-aversão como resultado. (É justo supor, portanto, que, se não tivesse sido uma experiência confinada, todos os homens teriam desistido de sua “dieta”). Os homens relataram depressão extrema, irritabilidade, uma sensação de privação e perderam todo o interesse no sexo. (Eles realmente perderam todo o interesse em qualquer coisa que não fosse comida - tal é a tendência humana para superar a fome).
2) Você pode ter ouvido falar do ditado “Para perder meio quilo de gordura você precisa para criar um déficit de 3.500 calorias.” O experimento Minnesota sozinho torna esta declaração inválida.
O déficit, no estudo de Keys, começou em 1.640 calorias por dia. Assumindo que o déficit permanecesse em 1.640 para o período de 24 semanas de “fome”, se a fórmula de 3.500 estava correta, durante as 24 semanas, cada homem, sozinho, deveria ter perdido pelo menos 35 quilos de gordura, além de água e massa magra. A perda média de peso dos homens foi menos da metade disto - 17 quilos – 680 gramas por semana. Se a fórmula de 3.500 estivesse correta, o homem mais leve do estudo, Bob Villwock, de Ohio, deveria ter terminado o estudo abaixo de 20 quilos (ele teria, naturalmente, morrido muito antes disso).
3) Quanto menos você come, menos você deve continuar a comer para ter qualquer chance de perder mais peso e a perda de peso vai parar, em algum momento, quer você goste ou não.
Como Keys mostrou, os homens precisavam de 3.200 calorias, em média, para manter seu peso. Como os homens receberam 1.570 calorias por dia no “período de fome”, eles perderam peso e sua necessidade de energia caiu e, portanto, a sua nível calórico tinha que cair, para manter o déficit.
Curiosamente, Keys rejeitou a fórmula de 3.500 desde o início e, em vez disso, teve que ajustar a ingestão de calorias a cada semana para tentar induzir sua perda de peso desejada de 25%. Keys descobriu que ele precisava limitar alguns homens a 1.000 calorias por dia para tentar induzir mais perda de peso (os homens deveriam estar perdendo mais de 2 quilos por semana, com esta ingestão de calorias, tendo criado um déficit de quase 2.500 calorias por dia a partir da sua necessidade original de calorias. Na realidade, o corpo tinha ajustado sua necessidade de energia para resistir a qualquer perda de peso adicional).
Todos atingiram um platô em torno da semana 20 e não era possível induzir mais perda de peso. Pelo menos um diário registrou ganho de peso no último mês do período de “fome”.
4) O corpo vai fazer o que for preciso para reverter os efeitos da fome/dieta.
Durante o período de reabilitação com restrição, os quatro grupos diferentes de homens receberam 400, 800, 1.200 ou 1.600 calorias adicionais por dia. Dentro de cada grupo de oito homens, alguns também receberam suplementos vitamínicos e protéicos. Ancel Keys concluiu que a única coisa que determinou a velocidade com que os homens se recuperaram foi a ingestão de calorias. O corpo não respondeu a vitaminas ou proteínas - só queria que o déficit de energia (calorias) fosse revertido.
Pode não ser nenhuma surpresa, portanto, que quando dado acesso livre à alimentação, nos últimos dois meses, os homens comeram excessivamente e de forma esfomeada para corrigir o déficit calórico que tinham sofrido. Um homem conseguiu comer 11.500 calorias em um dia e os homens ainda sentiam fome consumindo o dobro do número de calorias que mantinham seu peso no período de controle. Todos ganharam todo seu peso de volta e aproximadamente 10% a mais do que pesavam antes do experimento. Os homens que antes não mostravam nenhuma consciência do tamanho do seu corpo e da sua imagem relataram se sentirem “gordos”.

Certamente, acabamos de observar o pré-requisito para uma epidemia de obesidade? Comer menos, ficar com fome, retardar o metabolismo, aumentar o desejo de consumir energia, reduzir o desejo de gastar energia, engordar, tentar comer menos e assim por diante. Nós apenas acabamos de descrever o mundo ocidental, desde que começamos a nossa obsessão com a contagem de calorias.



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2 comentários:

  1. Liss, eu li o material do Dr Jason Fung sobre o corpo se adaptar a diminuição de calorias, e agora esse texto, mas vc tem alguma coisa sobre como corrigir isso? Eu perdi 42 kg com cetogênica, e ganhei algumas complicações tmb, SII e problemas na tireóide, devido a baixíssima qnt de carboidratos que como, e agora estou há 7 meses em um platô, oscilando em 67/68 kgs, e nada de diminuir o peso, se não posso restringir ainda mais as calorias, já faço jejum diáriamente de 16/18/20/24 e já fiz até de 40 horas e nada de sair do platô e estou tendo dificuldades de comer muita coisa devido a SII, então o que fazer??? Se tiver algum material me indique por favor. Socorrrooooo

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    1. Conforme o Jason Fung fala, a restrição calórica volutária leva o corpo a se adaptar. Mas ele diz que jejum é diferente de restrição calórica. No entanto, você já está fazendo jejum, pelo que contou.
      Baixar cada vez mais os carboidratos não é solução. Chega uma hora em que o platô acontece mesmo. Aconteceu comigo também. A experiência que eu vejo com outras pessoas é que as coisas levam tempo. Nos primeiros meses a perda de peso acontece sem muita dificuldade. Depois disso, o ritmo diminui. Há que considerar também a questão genética. Às vezes a gente quer perder mais peso, mas o nosso corpo está confortável do jeito que está. Caso não tenha lido ainda, sugiro a leitura desse texto do dr. Souto: http://www.lowcarb-paleo.com.br/2012/11/expectativas-versus-realidade.html
      Quanto à questão da tireoide, como você estava fazendo cetogênica, sugiro a leitura desse outro texto que mostra que os resultados de exames em low carb diferem dos resultados de uma pessoa com alto consumo de carboidratos: http://www.resistencia-insulina.com.br/2017/06/exames-laboratoriais-em-low-carb-parte_19.html
      Por fim, para sair do platô você pode tentar uma abordagem diferente (por um período de tempo) para ver se dá resultado. Segue aqui um texto sobre isso: http://www.resistencia-insulina.com.br/2017/06/protein-sparing-modified-fast-psmf.html

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