Receba as novidades por e-mail:

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Gordura na dieta e hiperinsulinemia

Dietary Fat and Hyperinsulinemia
by Jason Fung

Eu sempre recomendei mudar para uma dieta com mais gorduras naturais e menos carboidratos refinados. Qual é o negócio com a gordura na dieta? Simplificando, a gordura dietética não aumenta a insulina. E hiperinsulinemia é o principal motor da obesidade. A hiperinsulinemia significa, literalmente, elevados de insulina no sangue (hiper significa alto, e -emia significa níveis sanguíneos).
Então, logicamente, trocar carboidratos refinados (levanta insulina) por gordura dietética, pode diminuir os níveis de insulina significativamente, mesmo se você consumir o mesmo número total de calorias. Mas o que é tão diferente sobre a gordura dietética em comparação com proteínas e carboidratos que torna isso verdadeiro? Tudo se resume às diferentes formas pelas quais as proteínas e gorduras são metabolizadas.

Hipótese de Carboidrato-Insulina

Este também ilustra a diferença entre a Hipótese da Insulina e a Hipótese Carboidrato-Insulina (CIH - carbohydrate-insulin hypothesis). A hipótese carboidrato-insulina sustenta que a insulina é o principal motor da obesidade, e que o principal motor da insulina são os carboidratos. Portanto, se você simplesmente reduzir os carboidratos, a insulina também é reduzida. Eu acho que isso não é inteiramente verdade. A proteína animal, por exemplo, é altamente insulinogênica (provoca uma resposta de insulina), e até com a mesma intensidade, como muitos carboidratos refinados. Se você comer de acordo com esta hipótese, você deveria ser capaz de comer tanta proteína quanto quiser, sem problemas. Mas isso não é verdade.
A hipótese da insulina ou a Teoria da Obesidade Hormonal (HOT - Hormonal Obesity Theory), é uma versão mais completa, matizada, da Hipótese Carboidrato-Insulina. A insulina ainda é o principal motor da obesidade, mas há muitas maneiras diferentes pelas quais a insulina pode ser elevada ou reduzida. Por exemplo, a resistência à insulina, frutose, proteínas animais, incretinas, o vinagre e a fibra podem ser incorporados neste modelo mais completo da obesidade, que ainda mantém a insulina no centro da teia.
Neste caso, a proteína dietética não é recebe passe livre, uma vez que estimula a insulina. Se você comer proteína em excesso na dieta, de acordo com a Teoria da Obesidade Hormonal, você ainda pode desenvolver obesidade. Este é o conhecimento chave por trás do mais recente movimento LCHF (Low Carb, High Fat – Baixo Carboidrato, Alta Gordura) ao invés do movimento Low Carb puro (Atkins e outros) que não restringem qualquer gordura ou proteína.
Mas há uma diferença fundamental no metabolismo da gordura dietética que a diferencia de ambos, proteínas e carboidratos. Ela tem quase nenhum efeito da insulina. Por que não? Porque não utiliza o fígado para o metabolismo. A insulina é necessária apenas queimar glicose, não gordura.
Assim, durante o metabolismo normal, os três macronutrientes são absorvidos e metabolizados de forma completamente diferente. Vamos começar com carboidratos. Estes são cadeias de glicose, principalmente como amilopectina ou amilose. Existem diferentes formas de amilopectina (A, B, e C) que são metabolizadas de forma diferente. A amilopectina A é o mais facilmente digerível e a forma encontrada no pão. A amilopectina C é o menos digestível e é encontrado em grãos. A razão pela qual os grãos fazem você ficar estufado e cheio de gases é porque grande parte da amilopectina C não indigestível toma o caminho para o cólon, onde as bactérias a fermentam e criam o gás que sai da extremidade inferior para a diversão sem fim de meninos por aí. As bananas contêm amilopectina B, que é intermédia entre A e C.
Esta diferença torna-se evidente no índice glicêmico, que é um bom indicador do efeito da insulina para alimentos com carboidratos. O IG para o trigo é muito elevado, e para o feijão, é bastante baixo. Então, carboidratos não são iguais, e nem mesmo a amilopectina é igual. É a insulina que conduz o ganho de peso, não os carboidratos, de modo que feijão e pão não são iguais, apesar do fato de que ambos serem carboidratos e conterem amilopectina.
As moléculas de amilopectina e amilose são divididas em seus componentes de moléculas de glicose e absorvidas na circulação portal. É a corrente sanguínea que pega a glicose absorvida e a leva diretamente para o fígado. No fígado, ela é reformada em longas cadeias chamadas glicogênio, que é uma forma de armazenamento de glicose (plantas usam amilopectina e amilose, animais utilizam glicogênio). No entanto, a capacidade de armazenamento é baixa, assim o resto é transformado em gordura via lipogênese de novo. Esta gordura recém-criada é ácido palmítico altamente saturado, que é como dietas ricas em carboidratos refinados aumentam os níveis sanguíneos de gordura saturada, que está ligada a doenças cardíacas.
A proteína da dieta é dividida em seus componentes aminoácidos e absorvida. Uma parte é necessária para a renovação da proteína, mas a quantidade é discutível. Se você está tentando construir massa magra (músculo) você necessita níveis relativamente altos de proteína. Para o resto de nós, é necessária uma quantidade moderada. Quanto? A quantidade diária recomendada é de 0,8 g/kg de massa corporal magra. Para um homem de 70 kg, isto é cerca de 56 gramas de proteína. Para referência, isto seria cerca de 85 gramas de frango, 85 gramas de atum, um copo de leite e 1/2 xícara de feijão. Essa seria a proteína necessária para o dia inteiro! Você pode ver que a maioria dos norte-americanos comem muito, muito mais do que o recomendado. Considere que um hambúrguer típico tem aproximadamente 226 gramas por si só. Há muitos que argumentam que 0,5 g/kg é suficiente, também.
Então, o que acontece com os aminoácidos em excesso? Eles não podem ser armazenados diretamente como energia, de modo que eles são convertidos em glicose através da gliconeogênese. Esta é uma via metabólica que gera glicose a partir de moléculas que não são carboidratos. Aqui também existem diferenças entre aminoácidos. Alguns aminoácidos são capazes de produzir glicose (glicogênico), alguns produzem cetonas (cetogênico) e alguns fazem as duas coisas.
Mais uma vez, estes aminoácidos são absorvidos para a circulação portal e dirigidos para o fígado, onde os aminoácidos em excesso são transformados em glicose. Uma vez que isso requer um processamento do fígado, a insulina é necessária como uma molécula de sinalização. Uma vez que a proteína não aumenta a glicose no sangue, mesmo que ela aumente o nível de insulina no sangue, o glucagon é estimulado também, bem como incretinas que ajudam a mitigar o efeito e evitar a hipoglicemia. É uma surpresa para alguns, que certas proteínas estimulam a insulina tanto quanto os carboidratos refinados. As proteínas animais têm maior efeito insulinogênico do que as proteínas vegetais. Será que isso importa? Talvez. Há um maior risco de diabetes por consumo de proteína animal elevado.
A gordura dietética, por outro lado, é metabolizada de uma maneira completamente diferente do que os carboidratos e as proteínas. A gordura da dieta é dividida em ácidos graxos por enzimas pancreáticas (lipases) e sais biliares. Eles são, em seguida, absorvidos no sistema linfático como gotas de gordura (gordura é insolúvel em água) chamado quilomícrons. Estes não vão para o sistema portal e não entram no fígado. Em seguida, fluem diretamente para a corrente sanguínea através da circulação linfática e, então, para o canal torácico.
Esta é a razão pela qual a gordura da dieta não necessita de insulina. Não há nenhum tratamento posterior, de modo a sinalização da insulina no fígado não é necessária para o metabolismo. Esta gordura na dieta pode ser armazenada ou utilizada para produzir energia. Se você fosse comer gordura pura (digamos, Bulletproof Coffee – café com manteiga ou creme de leite), então nenhuma glicose ou proteína seria ingerida e a insulina permaneceria baixa. O corpo, então, simplesmente queima de gordura.
Queimar açúcar ou queimar gordura
Existem essencialmente dois sistemas de combustível para o corpo. Você pode queimar gordura, ou queimar açúcar. Estes dois sistemas de combustível são separados e não interagem (ver Ciclo de Randle para mais detalhes). Quando os níveis de insulina são elevados, então o corpo funciona com glicose. Durante esse período, não há simplesmente nenhuma razão para seu corpo queimar gordura corporal. Por que haveria? Isso ocorre em caso de emergência, caso não haja nada para comer como estoque de calorias. É como um gerador de back-up. Se você tem energia dentro de casa, então o gerador permanece desligado e nenhuma gordura é utilizada.
No entanto, se você mudar para uma dieta baixa em carboidrato, rica em gordura, então há pouca glicose disponível para executar esse sistema de combustível. Neste caso, o “gerador de backup” é acionado e começa a queimar gordura como combustível. Isso é ótimo porque, mais do que qualquer outra coisa, nós queremos queimar gordura.
De acordo com a velha Hipótese Carboidrato-Insulina, carboidratos são engordativos, enquanto proteína e gordura não são. No entanto, o agrupamento de proteína e gordura juntos não faz sentido, porque o metabolismo de proteínas tem muito mais em comum com o de carboidratos em vez do metabolismo de gordura.
Por ser mais centrada na insulina, a Teoria da Obesidade Hormonal considera a gordura na dieta distinta de ambos, carboidratos e proteínas. Todos concordam que os carboidratos refinados precisam ser restringidos. No entanto, porque o excesso de proteína é convertido em glicose, ele pode cessar os esforços de cetose e perda de peso. Então, aqui, carboidratos e proteína em excesso são tratados da mesma forma, onde a gordura é distinta. Isso reflete uma imagem fisiologicamente muito mais precisa do metabolismo.
Então, se você comer uma refeição de baixo carboidrato, mas comer muita proteína (barras de proteína, shakes de proteína, whey protein, etc.), e em seguida, seu corpo vai continuar queimando glicose, uma que a gliconeogênese irá converter o excesso de proteína em glicose. Você está preso em um sistema de combustível de ‘queima de açúcar’. Então você não queima gordura. Você quer perder gordura corporal? Você tem que queimá-la.
É a razão pela qual o Dr. Ted Naiman chamou seu site de burnfatnotsugar (queime gordura não açúcar), onde você pode ver uma foto dele pré-LCHF como um branquelo fracote de 44 quilos quando ele era um queimador de açúcar. Você pode ver, ainda, que ele já era alérgico a usar camisas naquela época também.
O que te mantém no lado ‘queimador de açúcar’? A insulina. A obesidade é uma doença de hiperinsulinemia. É a insulina, estúpido! A solução, então, é óbvia – Dieta com baixo carboidrato (Low Carb), moderada em proteínas, e alta em gorduras.



Para ficar por dentro das atualizações,
CURTA NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK:
PARTICIPE DO NOSSO GRUPO NO FACEBOOK:
E SE INSCREVA NO NOSSO CANAL NO YOUTUBE:





4 comentários:

  1. Otimo artigo Liss, parabéns. O problema do hifat é que pelo menos no meu caso o colesterol total foi para 330. Como fazer uma dieta hifat sem precisar tomar estatinas ja que parece que infelizmente sou um hiperabsorver.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Fernando!
      sugiro que leia:
      http://www.paleodiario.com/2014/07/o-que-fazer-se-uma-dieta-low-carb.html

      Excluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  3. Em relação ao artigo..."A gordura dietética, por outro lado, é metabolizada de uma maneira completamente diferente do que os carboidratos e as proteínas. A gordura da dieta é dividida em ácidos graxos por enzimas pancreáticas (lipases) e sais biliares. Eles são, em seguida, absorvidos no sistema linfático como gotas de gordura (gordura é insolúvel em água) chamado quilomícrons. Estes não vão para o sistema portal e não entram no fígado. Em seguida, fluem diretamente para a corrente sanguínea através da circulação linfática e, então, para o canal torácico."

    Pelo meu conhecimento,os AG de cadeia curta e media, que sofrem a ação das lipases linguais e gástricas vão diretamente para a circulação pela veia porta e transportados pela albumina(este transporte diferenciado de AGC e AGM é fundamental para lactentes devido a grande quantidade de AGc e AGM do leite como o Ácido Láurico que também é componente do óleo e côco) No caso dos AG de cadeia longas com +de 13 carbonos na molécula) e muito l0ngas ,além de sais biliares, o pâncreas libera Colipase pancreática na altura do duodeno, onde os AG que sofreram ação enzimática sao absorvidos pelos enterócitos, dentro deles os AG sofrem reesterificação e são direcionados para a circulação linfática dentro dos quilomicrons.

    ResponderExcluir