quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Dependência do tempo da obesidade - Obesidade hormonal XIV

Time Dependence of Obesity – Hormonal Obesity XIV
by Jason Fung

O ganho de peso tem uma clara e óbvia dependência do tempo. As pessoas tendem a ganhar peso lentamente, durante anos ou mesmo décadas. Muitas pessoas começam como um adolescente magro (20 anos), mas gradualmente ganham meio quilo a um quilo por ano. Isso não é tão ruim, mas depois de 40 anos essas pessoas podem ter até 40 quilos de sobrepeso (60 anos).
A perda de peso também é dependente do tempo. Aqueles que têm lutado com seu peso por longos períodos tendem a ter mais problemas do que aqueles com ganho de peso mais recente. Tudo isto tem relação com a resistência à insulina. Aqueles que ganharam peso recente não tiveram tempo suficiente para desenvolver resistência grave à insulina e, portanto, alterações na dieta são bem sucedidas na redução de peso. As raízes dessa dependência do tempo encontra-se na Teoria da Obesidade hormonal.

Aqueles que têm lutado com seu peso durante décadas podem ter desenvolvido resistência grave à insulina. Se a resistência à insulina agora está conduzindo os níveis elevados de insulina, mesmo mudanças na dieta podem ter um efeito muito modesto na redução dos níveis de insulina. A resistência em si depende de altos níveis de insulina, mas também depende da persistência desses níveis. Portanto, podemos ajudar a prevenir o desenvolvimento de resistência trabalhando os intervalos entre as refeições (a questão do “Quando comer”).
Aqueles adolescentes magros têm pouca resistência à insulina. A cada década que se passa, a resistência à insulina aumenta gradualmente e eles desenvolvem resistência grave à insulina. Como o Diabetes Tipo 2 é uma doença de aumento da resistência à insulina, eles agora são diagnosticados com Diabetes Tipo 2. Eles agora têm diabesidade e síndrome metabólica.
Houve duas grandes mudanças na dieta desde a década de 70. A primeira mudança foi na composição de macronutrientes da nossa dieta (O que comer). Nós mudamos de um teor de gordura mais elevado (45%) para uma cultura de baixo teor de gordura. Ao fazê-lo, nós inadvertidamente aumentamos a composição de carboidratos de nossas dietas.
Aumentar os carboidratos não é necessariamente ruim, mas quando esses carboidratos são todos carboidratos refinados, temos um problema. Isso estimula a insulina e o ganho de peso. Nós exploramos isso em posts anteriores.
A outra grande mudança na dieta tem sido em relação ao horário das refeições (Quando comer). Mudamos de 3 refeições por dia sem lanches para 6 refeições por dia ou petiscar o tempo todo. As normas sociais que anteriormente desaprovavam comer fora da mesa agora permitem comer em quase toda parte.
Na década de 1970 tomávamos café da manhã às 7:00 da manhã e jantávamos às 19:00. Isso significa que passávamos 12 horas no estado alimentado (dominância de insulina) e 12 horas (das 19:00 às 07:00), no estado de jejum (deficiência de insulina).
Nas décadas de 1990 e 2000 nós alteramos para comer o tempo todo. Nós comemos assim que nos levantamos de manhã e comemos antes de ir para a cama. Portanto, em vez de um equilíbrio de estados alimentado e em jejum, passamos a maior parte do nosso tempo no estado de dominância de insulina.
Resistência em um sistema hormonal depende de 2 coisas. Deve haver níveis altos e persistentes. As mudanças na dieta que fizemos desde 1970 fornece estes exatos pré-requisitos. Os altos níveis de insulina são suficientes para conduzir o ganho de peso e obesidade. A resistência à insulina é sinônimo de diabetes do tipo 2.
Nós criamos a epidemia de diabesidade com nossas desastrosas, equivocadas mudanças na dieta. A parte mais irônica de todo este descalabro é que essas mudanças na dieta foram prescritas para reduzir a epidemia de doença cardíaca. Em vez disso, nós realmente a encorajamos ainda mais. Estamos atirando gasolina no fogo.
Um dos principais obstáculos para a saúde é aconselhamento dietético convencional. Torna-se óbvio que temos que restaurar o equilíbrio entre os estados alimentado e jejum. Em última análise, isso leva a comer menos. Se isso significa comer menos dos alimentos altamente insulogênicos, tais como açúcares e carboidratos refinados (O que comer), ou comer menos refeições (Quando comer), isso realmente não importa. No final, devemos comer menos.
No entanto, o nosso conselho para perder peso geralmente envolve comer mais. Se é para comer mais vezes/dia, mais lanches, mais cereais integrais, mais fibra, etc., o nosso conselho é sempre comer mais para perder peso.
Por que iríamos dar tal conselho completamente estúpido? Tal conselho obviamente-errado- e-realmente-realmente-estúpido?
Porque ninguém faz dinheiro quando você come menos. Se tomar mais suplementos, as empresas de suplementos ganham dinheiro. Se você beber mais leite, os produtores de leite ganham dinheiro. Se você comer mais no café da manhã, as empresas de alimentos para café da manhã ganham dinheiro. E assim vai.
Dado que as empresas de alimentos e medicamentos estão fornecendo essas grandes doações para os médicos e nutricionistas, ninguém quer ouvir o conselho para comer menos. “Comer menos” é como o tio estranho no casamento com quem ninguém quer falar. 
A mensagem foi corrompida de “Como eu posso perder peso?” para “Como a minha empresa pode ganhar dinheiro, fingindo ajudar a perder peso?” Considere os lanches – antigamente um tabu na dieta. Este estudo Increased meal frequency does not promote greater weight loss in subjects who were prescribed an 8-week equi-energetic energy-restricted diet [Aumento da frequência das refeições não promove maior perda de peso em indivíduos que receberam prescrição de uma dieta com restrição calórica equi-energética de 8 semanas] demonstra que o aumento da frequência das refeições realmente não faz diferença na perda ou ganho de peso.
O hábito de lanchar foi investigado neste artigo “Carbohydrates, appetite and feeding behaviour in humans” [Carboidratos, apetite e comportamento alimentar em humanos] por Stubbs RJ e publicado no Journal of Nutrition 2001. Neste estudo, os participantes receberam lanches obrigatórios.
Há um efeito claro que lanches reduzem a ingestão calórica subsequente na hora das refeições. No entanto, esta diminuição de calorias não compensa as calorias ingeridas nos lanches.
Comer lanches não diminui a ingestão de alimentos, a aumenta. (Duh). Embora o conselho ainda persista de “pastar” durante o dia para diminuir os desejos de comida. Não há nenhuma diferença se se tratam de lanches gordurosos ou açucarados. O efeito é o mesmo.
A conclusão é que lanches tendem a aumentar a ingestão total de alimentos. Pior ainda, eles tendem a aumentar também o número de oportunidades alimentares – assim há um efeito duplamente ruim.
Porque lanches tendem a ser muito ricos em alimentos processados, a qualidade da ingestão de alimentos também é suscetível de sofrer bastante. No entanto, eles abrem grandes oportunidades para empresas de alimentos lucrarem com a venda nos salgadinhos. Há um lucro muito maior na venda de alimentos processados ​​em comparação com comida de verdade. Não é de admirar que as grandes empresas de alimentos têm estado tão entusiasmadas quanto uma anfitriã forçando as sobras aos hóspedes que partem.
Aqui, mais uma vez, devíamos ter escutado as nossas avós, em vez do governo. Não coma lanches, elas teriam dito. Vai estragar o seu jantar. Vai fazer você engordar. Como estavam certas...
O café da manhã é outra área onde há muita confusão. Pular o café da manhã nos faz ficar famintos e comer demais o resto do dia? Isso é o que muitos querem nos fazer acreditar. Café da manhã é a refeição mais importante do dia. A resposta, porém, tem muito mais nuances.
[Em inglês] a palavra café da manhã [breakfast] significa literalmente a refeição que quebra nosso jejum [break our fast], o período em que geralmente estamos dormindo. Não há nada que diz que precisamos encher nossas caras de comida no minuto em que rolamos para fora da cama. Também não há qualquer razão para fazer esta refeição cheia de açúcar e grãos refinados.
Se nós comemos a nossa primeira refeição às 12h, então o almoço será nossa refeição de “quebra de jejum” [Break Fast meal]. O que há de errado com isso?
O principal problema com o café da manhã, como explorado aqui neste artigo Impact of breakfast on daily energy intake [Impacto do café da manhã no consumo energético diário], publicado no Nutrition Journal 2011.
Neste artigo, os pesquisadores separaram os grupos de acordo com o número de calorias ingeridas no café da manhã. Aumentar a ingestão de comida no café da manhã não parece reduzir a ingestão de comida no almoço e no jantar.
Portanto, quanto mais se come no café da manhã, mais se come em geral ao longo do dia. Pior, aumenta o número de oportunidades alimentares e as ocasiões que estimulam a secreção de insulina.
O verdadeiro problema com o café da manhã é que estamos sempre na correria na parte da manhã. Portanto, temos a tendência de comer alimentos que são altamente convenientes, tais como cereais açucarados e outros bem fáceis de preparar, alimentos como torradas, iogurtes açucarados, bolinhos, aveia instantânea e afins.
Empresas de alimentos, procurando uma oportunidade de vender produtos mais altamente rentáveis, ​​se jogam, como moscas no fedor, nos produtos de café da manhã altamente processados. “Coma café da manhã” eles gritam. “É a refeição mais importante do dia!”. Você pode perder peso por comer o café da manhã. Você pode perder peso comendo mais lanches.
Não, meu amigo, você não pode.



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