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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A moeda comum

The Common Currency
by Jason Fung

Moeda (dinheiro) é útil porque representa meios de medição e troca mutuamente acordados. Ou seja, se todos nós aceitamos dólares americanos como moeda de troca, então os itens tão díspares quanto um ônibus ou uma cebola podem ser todos medidos nas mesmas unidades. O ônibus é caro e custa mais dólares e a cebola é mais barata e custa menos dólares. Mas tudo é medido em dólares e ambas as partes aceitam dólares como moeda de troca.
Se uma das partes decide negociar em dólares e o outra aceita conchas do mar (como o usado historicamente em algumas culturas primitivas) ou sal, então é impossível de negociar. Não há moeda comum. O comprador quer usar dólares e o vendedor quer conchas do mar. No negócio. Ambas as partes precisam concordar sobre como negociar. Esse é o valor de uma moeda comum, seja dólares, seja conchas do mar, Bitcoins ou ouro. Só existe poder se as duas partes concordam.
É como uma linguagem comum. Inglês é particularmente útil porque muitas pessoas falam. Por isso, nos Estados Unidos, é muito provável que você possa falar Inglês e as pessoas possam te entender. Na China, o mandarim é mais útil do que o Inglês, mais uma vez, porque ambas as partes são capazes de falar.
A Microsoft dominou as guerras de software, porque era o mais popular, o que o tronou automaticamente o mais útil. Com certeza não era a tela azul da morte, ou o Microsoft Bob que o tornou útil. Gente, eu odiava aquele clipe estúpido. Me fazia querer furar os meus próprios olhos. Mas a Microsoft era o padrão comum, o que o tornou útil.
Mas este post é sobre nutrição e obesidade. Então, qual é a moeda comum de ganho de peso? A maioria das pessoas acha que ‘calorias’ cumprem esse papel de moeda comum. Açúcar contém um certo número de calorias e alface tem menos calorias. Nós imaginamos, portanto, que estes e alimentos caloricamente “caros” e “baratos” podem ser medidos na mesma moeda de calorias.
Há outras maneiras, é claro para medir diferentes alimentos. Você poderia simplesmente pesá-los. Então 200gr. de açúcar é o mesmo que 200gr. de alface. Isto é simplesmente uma moeda diferente. Você poderia usar o mesmo argumento da Primeira Lei da Termodinâmica tanto para o peso quanto para calorias. Se você comer 200gr. de alimentos, quer de açúcar ou de alface, você deve ganhar 200gr. de peso. Afinal, como pode o seu corpo ganhar mais peso? O peso vem de ar? Como pode ganhar menos peso? O peso do alimento simplesmente desaparece? Termodinâmica é uma lei, não uma sugestão geral. Em ambos os casos (peso e calorias), a confusão surge de mal-entendidos sobre termodinâmica e gordura corporal.
O que é crucialmente importante, porém, é ver se o corpo se importa com ‘calorias’. Será que o corpo tem algum mecanismo para contar calorias? Será que o corpo tem sensores para detectar calorias? Não temos uma bomba calorimétrica interna para medir calorias e mudar o comportamento/metabolismo baseado em calorias? Não, não e não.
Seu corpo não dá um pio sobre calorias. Calorias não são uma moeda aceita em nosso corpo. Ele não conta calorias, então por que você deveria? Uma caloria é uma caloria. E daí? Quem se importa? Certamente não o seu corpo. Considere dois alimentos de valor calórico igual. De um lado, você tem um pouco de refrigerante açucarado, e de outro lado você tem um prato de alface. As calorias são idênticas. Ok. E daí? Quando você come esses dois alimentos, o seu corpo de alguma forma mede essas calorias? Não.

200 calorias

O efeito metabólico destes dois alimentos é completamente e totalmente diferente. O açúcar vai estimular a insulina. Não vai ativar qualquer um outro hormônio da saciedade. Ele não ativa receptores de estiramento no estômago (sinal de saciedade). Ele não ativa o peptídeo YY, a colecistocinina (hormônios da saciedade). Um pedaço de bife, por outro lado, vai fazer todas essas coisas. Portanto, você se sente cheio [saciado] depois de comer o bife, mas não se sente saciado com o refrigerante.
Então, por que fingir que todas as calorias são iguais? Não há nada igual aqui. Calorias não são a moeda comum do corpo. É como nós estarmos andando por aí com um monte de conchas do mar em nossos bolsos e tentando comprar um hambúrguer na Filadélfia. Todo mundo quer dólares e queremos pagar em conchas do mar. O cara do hambúrguer não se importa com conchas do mar. O nosso corpo não se importa com calorias.
O mesmo aplica-se ao peso do alimento, ou ao volume de alimentos.
Seu corpo não pesa a comida que entra, e não se importa. A chave é que comer meio quilo de alface e meio quilo de açúcar produz respostas metabólicas completamente diferentes. Em um caso, o corpo pode queimar essa energia, e no outro caso, pode decidir armazenar como gordura. O peso não é a moeda comum.
Não, nossos corpo ganham ou perdem gordura de acordo com as instruções hormonais detalhadas do nosso cérebro. Então, ao que o nosso corpo responde? À insulina. O aumento e a queda da insulina é o principal estímulo para o ganho de peso. Assim, os alimentos que estimulam a insulina são tipicamente mais engordativos (biscoitos). Aqueles que não estimulam (couve) não são de fato tipicamente engordativos. Se o corpo se importa com a insulina (e outros hormônios, mas principalmente insulina), então precisamos usar a moeda comum, falar a língua comum do corpo. Insulina. Podemos traduzir alimentos em efeito da insulina em vez de calorias. Marty Kendall no www.optimisingnutrition fez exatamente isso.

Índice de insulina

Ele construiu o melhor índice insulinêmico de alimentos disponível. Você pode estimar o efeito da insulina do alimento com base em carboidratos líquidos (carboidratos - fibra) + 0,54 x proteína. Mesmo assim, esta fórmula só responde por cerca de 50% do efeito da insulina conhecido, por isso ainda há muito mais que precisamos aprender. A dieta menos insulinogênica é baixa em carboidratos, alta em fibras, moderada em proteínas, rica em gorduras naturais. Em outras palavras, comidade verdade, dieta de baixo carboidrato (LCHF – Low Carb High Fat).
O mesmo vale para a contagem de carboidratos. Seu corpo certamente responde aos carboidratos, mas não os conta. Alguns carboidratos irão estimular mais a insulina e outros não. Isto significa que nem todos os carboidratos são iguais. Carboidratos altamente processados ​​são muito estimulantes para a glicose e a insulina. Carboidratos minimamente processados ​​têm muito pouco efeito na glicose ou na insulina.

Então, lembre-se, a moeda comum do corpo não é caloria. Mas também não é gordura dietética, proteínas ou carboidratos [macronutrientes]. Não é fibra. Não é cetonas.
A única moeda com a qual o corpo realmente se importa é insulina. Se você quer perder peso, reduza a insulina. Se você quiser ganhar peso, aumente a insulina. Essa é a moeda comum. Uma vez que o nosso corpo só se importa com a insulina, é melhor saber o efeito insulinogênico dos alimentos.



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Um comentário:

  1. Grato Liss. Aguardando a próxima dessa série sensacional. Há se eu soubesse disso antes ... mas tá valendo.

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