segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Perspectiva histórica da obesidade - Obesidade hormonal I

Historic Perspective on Obesity – Hormonal Obesity I
by Jason Fung

Uma vez que sabemos que as calorias não são o verdadeiro problema, podemos começar a nos concentrar no que é realmente a causa da obesidade (a etiologia da obesidade). Você pode rever a série sobre calorias aqui para uma discussão mais profunda de por que calorias não são relevantes. Toda a obsessão com calorias foi um beco sem saída de 50 anos. Nós só podemos começar a resolver o problema da perda e ganho de peso por meio da compreensão das causas reais. Então, qual é a verdadeira causa da obesidade? Vamos voltar no tempo e ver o que as pessoas pensavam sobre a obesidade no passado.
Se considera que William Banting 1796-1878 escreveu o primeiro livro de dieta. Ele começou como um camarada de peso normal na adolescência e na faixa dos seus 20 anos. No entanto, à medida em que chegou aos 30, 40 e 50 anos, ele começou a ganhar algum peso. Não muito, mas alguns quilos por ano. Depois de algum tempo, com 62 anos de idade pesava mais de 91 quilos. Não é ruim para os padrões modernos, mas um verdadeiro macaco robusto para os padrões da época.



Então, a conselho de seus médicos, ele tentou comer menos. Mas então, ele começou a se sentir cansado, com fome e não estava realmente perdendo peso algum. Em seguida, ele tentou se exercitar mais. Ele remou no rio Tamisa e se tornou bem apto fisicamente. No entanto, ele ainda não era capaz de manter o peso baixo. Finalmente, a conselho de um cirurgião francês, ele começou uma nova dieta. Ele restringiria severamente não calorias, mas açúcares e amidos – o que hoje chamamos de carboidratos refinados. Ele evitou todos os pães, leite, cerveja, doces e batatas. O pobre coitado amava seus carboidratos também. Ele perdeu muito peso e se sentiu tão bem que ele decidiu publicar suas descobertas em “Letter onCorpulence Addressed to the Public” (Cartasobre a corpulência endereçada ao público). Este panfleto foi realmente o primeiro livro de dieta moderno. Com base na experiência pessoal, Banting sentiu que não eram as calorias que causavam o ganho de peso, mas os carboidratos refinados. Muitas de suas ideias de que os açúcares e amidos causavam ​​obesidade persistiram ao longo dos 100 anos seguintes. Sir William Osler - o médico canadense influente que escreveu The Principles and Practice of Medicine (Os Princípios e Prática da Medicina) - mostra que a maioria dos médicos do início dos anos de 1900 consideravam que os carboidratos refinados eram a principal causa da obesidade.
Em seu famoso livro, ele descreveu o tratamento da obesidade com dietas predominantemente com carne e ovos e pobre em carboidratos refinados. Em sua monografia 1882 “Obesity and its Treatment” (A obesidade e seu tratamento) Dr. Osler sentiu que alimentos com gordura eram cruciais para reduzir a obesidade porque eles aumentam da saciedade (sensação de estar cheio). Contraste isso com a demonização moderna da gorduras na dieta. Isto coincide perfeitamente com a epidemia de obesidade. Talvez o bom Dr. Osler tinha razão depois de tudo. Por volta de 1950 este era o conselho normal. Se você fosse perguntar aos seus avós antigamente o que causava a obesidade, eles não iriam falar sobre calorias. Calorias como uma unidade de energia era praticamente desconhecida na época. Diriam, em vez disso, que os doces e alimentos ricos em amido causavam obesidade. Dr. Spock’s Baby and Child Care - uma bíblia de educação infantil da década de 1950 - descreve o ganho ou a perda de peso, como dependente, na maior parte, da quantidade de sobremesas e alimentos ricos em amido simples consumidos. Dr. Passmore no British Journal of Nutrition, em 1963, escreveu o “Every woman know that carbohydrate is fattening” (Toda mulher sabe que carboidrato engorda). Toda. Mulher. Sabe. Isto não era segredo. Todo mundo sabia disso. Essas ideias haviam resistido ao teste do tempo. O senso comum e a observação empírica serviram para confirmar a verdade da questão. A ideia era “Anti-Frágil” como o grande Nassim Taleb diz. E obesidade não era um problema tão grande na época. Isto é o que eles pensavam:


As coisas começaram a mudar na década de 1950. Percebeu-se um aumento na incidência de doença cardíaca. Se isto é verdade ou não, é discutível. Gary Taubes argumenta que isso não era verdade em seu livro inovador “Why We Get Fat” (Porque engordamos). No entanto, as pessoas começaram a procurar a razão por trás desta “grande epidemia” de doença cardíaca. Seus olhares logo recaíram sobre a gordura na dieta. A “hipótese dieta –coração” (Diet-Heart Hypothesis) começou a ganhar força na década de 1960. Ancel Keys, um “especialista” em nutrição muito influente desempenhou um papel instrumental na popularização dessas ideias.


Com grande entusiasmo e ciência instável, a demonização da gordura da dieta (um alimento que os seres humanos vinham comendo desde que nós nos tornamos seres humanos) começou. Havia um problema, embora nós não o tenhamos enxergado no momento. A proteína dietética tende a permanecer relativamente constante na dieta humana. É realmente muito difícil aumentar a proteína da dieta para além de 20 a 30% das calorias sem recorrer a barras/shakes de proteína, etc. Então, se alguém fosse restringir os carboidratos da dieta, seria preciso aumentar as gorduras da dieta e vice-versa. Este é o resultado: Baixa Gordura = Alto Carboidrato (Low Fat = High Carb) e Baixo Carboidrato = Alta Gordura (Low carb = High Fat), uma vez que a gordura dietética era agora o vilão do momento, a dieta ‘saudável do coração’ recomendada tornou-se uma de alta de carboidrato. Considerando que carboidrato no hemisfério ocidental tende a ser refinado, comemos mais e mais pães de baixa gordura e massas. Afinal de contas, não estávamos trocando hambúrgueres por couve-flor e couve, mas por pão e grandes pratos de massas. Durante a década de 1950 e 1960 o debate científico (ocasionalmente muito amargo) se enfureceu indo e voltando. Alguns acreditavam que a gordura dietética era o vilão, enquanto outros, como John Yudkin acreditavam que carboidratos refinados eram o problema. Seu livro, “Pure, Whiteand Deadly – How Sugar is Killing Us” (Puro, branco e mortal - Como açúcar está nos matando) é assustadoramente presciente, e certamente deveria ganhar o prêmio de Melhor Título de Livro – De todos os Tempos.


O sarcasmo, por vezes, chegou a níveis extremos. Jean Mayer, PhD de Harvard, certa vez comparou a dieta de baixo carboidrato “em certo sentido, equivalente a assassinato em massa”. Apenas um pouco exagerado... A Associação Americana do Coração (American Heart Association) pensou que essas dietas também eram modismos perigosos. Umm... cara... realmente? Uma moda de 200 anos de idade? Ideias que tinham resistido ao teste do tempo? Gorduras alimentares que os seres humanos vinham comendo por, assim, um zilhão de anos? Isso é o que estava nos matando? Não ocorreu a estes gênios que, se a gordura dietética fosse nos matar, já teria feito isso nos últimos, oh, 1 milhão de anos? A dieta de baixa gordura, é claro, até aquele momento ainda não havia sido testada em seres humanos. Ninguém na história já havia decidido reduzir o teor de gordura da sua dieta por razões de saúde. Não tínhamos ideia de que efeitos isso teria. Claro, isso foi numa época em que nós também acreditávamos que poderíamos fazer uma substância mais nutritiva para bebês do que o leite materno. Que éramos de algum modo mais inteligentes do que 20 milhões de anos de evolução. Assim, em vez de comer gorduras naturais como a nata, manteiga e o azeite de oliva, nos voltamos para óleos puramente artificiais como a margarina. Naturalmente, estes acabaram por nos matar com gorduras trans, mas isso é uma história para outra hora. Nós nos afastamos da gordura e para nos aproximarmos dos carboidratos refinados. Então, quem ganhou? Você já sabe a resposta, e todos nós estamos piores por isso.




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