quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O surpreendente paradoxo da alimentação em excesso - Calorias Parte X

The Astonishing Overeating Paradox – Calories Part X
by Jason Fung

Lembra quando você estava na escola? Você podia comer e comer (“comer como um porco”). Batatas fritas, pizza, refrigerantes. Cerveja no final. E você nunca ganhava peso. Você era tão fino quanto um breve esquecido sonho. Lentamente, isso desapareceu. Ultimamente, parece que até mesmo olhar do jeito errado para um pão te faz engordar 1 quilo. O que aconteceu? O que acontece quando comemos demais?

Se olharmos para a Redução Calórica como Hipótese Primária (CRaP - Caloric Reduction as Primary) novamente, podemos ver que esta é uma hipótese que pode ser facilmente testada. Se comer demais causa obesidade, então devemos ser capazes de alimentar em excesso pessoas em um ambiente experimental e essas pessoas devem ganhar peso. Isso deve ser fácil de fazer. Obter algumas pessoas. Fazê-las comer demais. Vê-las ganhar e ganhar peso. Bam. Caso encerrado. Liguem para o comitê do Prêmio Nobel.
Felizmente para nós, esses experimentos de alimentação em excesso já foram feitos para nós. O mais famoso desses estudos foi feito por o endocrinologista Dr. Ethan Sims no final dos anos 1960. Ele começou a recrutar estudantes universitários para comer demais. Acontece que não era tão fácil fazer essas pessoas comerem demais. Para aqueles de vocês que já tentaram alimentar um bebê chorando que se recusa acomer (porque você pensou que ele/ela poderia morrer de fome) - sabem o que eu estou falando. Ou então pense sobre a última vez em que você se enfiou num buffet chinês local. Agora tente imaginar comer mais 2 costeletas de porco. Sim, não é tão fácil.
Assim, o Dr. Sims rapidamente abandonou esse caminho e, em vez disso, forçou condenados da Prisão Estadual de Vermont a participarem da sua experiência. As atividades físicas também eram estritamente controladas. Inicialmente condenados foram alimentados com 4000 calorias/dia. Eles achavam que isso era suficiente, mas uma coisa engraçada aconteceu. As pessoas começaram a ganhar peso inicialmente, mas então o ganho de peso estabilizou.
Assim, com uma combinação de curiosidade científica e controle ético solto (Olá - Consentimento informado?), algumas pessoas foram levadas a comer mais de 10.000 calorias/dia. 10.000 calorias por dia! Um dos homens só ganhou 4,5 quilos com isso tudo. No entanto, a maioria das pessoas teve um ganho de 20% do peso corporal. O que aconteceu com seu gasto de energético? O metabolismo ou Gasto Energético Total (GET) aumentou em 50%.
O que está acontecendo? Bem, em resposta ao aumento de calorias, o corpo está aumentando o gasto de energia. Imagine que você tem uma lareira em que você usa um pedaço de madeira a cada dia. Agora, de repente, você está recebendo 5 pedaços de madeira por dia todos os dias. Você não acha que você gostaria de começar a usar um pouco mais de madeira? Claro. O corpo também não é tão estúpido que ele continuaria usando mesma energia, por isso aumenta o GET e nos sentimos maravilhosos. Mais energia. Sem frio no corpo, etc.
Quando a experiência terminou, o que mais surpreendeu os pesquisadores foi a rapidez com a qual o peso corporal retornou ao normal. Na verdade, a maioria dessas pessoas não manteve nenhum peso que ganhou. Então, aqui vemos que comer em excesso NÃO leva, de fato, à obesidade. O corpo é mais como um termostato. Embora o peso corporal possa, temporariamente, ultrapassar o ponto de ajuste do peso, o corpo rapidamente leva as coisas de volta ao normal.
Vamos olhar para uma experiência mais recente. Esta vem do estudo:
Neste experimento, pegaram sujeitos e os alimentaram em excesso em 50% ao longo do curso de 6 semanas e, em seguida, os monitoraram durante 6 semanas. A dieta foi de 46% de carboidratos.
O que aconteceu com o peso deles? Você pode ver os resultados no gráfico abaixo. Ao longo do período de alimentação em excesso, a massa de gordura, de fato, aumentou. Mas o que aconteceu depois?
Alimentação em excesso

É nítido que o peso do corpo rapidamente, e de forma automática, retorna ao seu peso original. É quase como se o corpo tivesse um ponto de ajuste do peso (BSW – Body Set Weight).
O que aconteceu com o GET? Usando doubly labeled water [método de medição], bem como a calorimetria indireta, eles testaram o que aconteceu com o GET quando os sujeitos foram alimentados em excesso.
Alimentação em excesso experimental

A partir de um GET médio da linha de base de 13,2 MJ/dia, eles aumentaram o GET entre 1,4 e 15,0. Em outras palavras, o corpo está aumentando o gasto de energia para queimar esse excesso de calorias que está entrando.
Quando o período de alimentação em excesso passou, o GET diminuiu de volta para 13,1 MJ/dia. O peso voltou ao normal e o GET voltou ao normal também.
Do artigo “concluímos que havia evidências de que um sensor fisiológico se mostrou sensível ao fato de que o peso corporal havia sido perturbado e estava tentando redefini-lo”.
Em outras palavras, parece que há um ponto de ajuste do peso corporal (BSW). Foi feita uma tentativa de aumentar o peso corporal pelo excesso de alimentação, mas o corpo lutou contra ela e com sucesso conseguiu voltar ao seu peso original.
Mas a questão importante é a seguinte:
O que controla o ponto de ajuste do peso? Precisamos saber isso para que efetivamente trabalhar com os nossos corpos para perder peso. Não podemos simplesmente restringir calorias. Precisamos ajustar esse BSW.
Assim, parece de fato, que comer em excesso não causa, de fato, a obesidade. Portanto, tentativas de perder peso por meio de restrição de calorias por si só não serão eficazes, porque excesso de calorias não era o problema em primeiro lugar.



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