terça-feira, 30 de agosto de 2016

A nova ciência da Diabesidade - Obesidade hormonal XI

The New Science of Diabesidade – Hormonal Obesity XI
by Jason Fung

Diabesidade é assim chamada por causa da estreita associação entre obesidade e diabetes (tipo 2). A obesidade geralmente vem em primeiro lugar e o diabetes tipo 2 vem depois. Isso leva muitos a concluir que a obesidade causa o diabetes. Superficialmente, isso parece razoável, uma vez que que os dois frequentemente coexistem. Onde se torna mais difícil, porém, é quando as pessoas tentam explicar por que e como a obesidade causa diabetes.
Aqui, as respostas tornam-se muito mais vagas. Alguns teorizam que células de gordura produzem hormônios que, de alguma forma, magicamente causam diabetes. Alguns sugerem que as células de gordura produzem um hormônio chamado fator pigmento derivado do epitélio que causa resistência à insulina. Mas por que as células de gordura começam a produzir esse hormônio em primeiro lugar?
Alguns pesquisadores pensam que as células de gordura produzem um hormônio chamado resistina que faz com que outras células se tornem resistentes à insulina. Nome inteligente, pessoal. Mas por que as células de gordura produzem este hormônio em primeiro lugar?
Outros, como pesquisadores de Harvard, acha que a obesidade ‘estressa’ as células como uma espinha rebelde no colegial. Isto - por alguma razão - faz com que as células enviem um sinal de que os receptores de insulina devem parar de responder à insulina. Isto causa a resistência à insulina. Sério? Isso é o melhor que vocês podem trazer?
A resposta, porém, é muito mais simples e as suas raízes encontram-se na Teoria da Obesidade Hormonal.


Nós já exploramos anteriormente a evidência que dá suporte à Teoria de Obesidade Hormonal. A insulina é o principal condutor da obesidade. Cortisol também desempenha um papel, mas a insulina é o fator mais importante para a maioria das pessoas. A insulina também aumenta a resistência à insulina em um ciclo de auto reforço.
Uma vez que o diabetes tipo 2 é realmente só outra palavra para a resistência à insulina, podemos reorganizar a Teoria da obesidade Hormonal desta forma.


De acordo com esta construção, obesidade e diabetes são causados pela mesma coisa - níveis elevados de insulina. Isso explica por que o diabetes e a obesidade estão intimamente associados. Isso também explica por que todos os esforços para descobrir como a obesidade causa diabetes falharam. É porque a obesidade não causa o diabetes tipo 2. Em vez disso, ambos são manifestações de hiperinsulinemia. Isso leva ao fato de que a síndrome metabólica como um todo está relacionada com altos níveis de insulina, mas vamos explorar isso no futuro.
Diabetes e obesidade, ambos têm uma causa comum - níveis elevados de insulina. São, essencialmente, dois lados da mesma doença, daí o nome - diabesidade. Nós também podemos ver que há um problema interessante do ovo e da galinha aqui. Insulina leva à resistência à insulina, que leva à insulina em um círculo vicioso. Então, o que vem primeiro?
O problema começou pela resistência à insulina devido a, digamos, genética? Ou o problema é a insulina elevada para começar? Ambos são possíveis. A obesidade geralmente se manifesta em primeiro lugar. Assim, podemos começar a resolver o problema olhando para o curso de tempo da obesidade, especialmente a obesidade juvenil.
Neste artigo Early Changes in Postprandial Insulin Secretion, not in Insulin Sensitivity Characterize Juvenile Obesity [Alterações precoces na secreção de insulina pós-prandial, não na sensibilidade à insulina caracterizam a obesidade juvenil] Diabetes 43:696-702; 1994 Le Stunff C, os autores analisaram 3 grupos de pessoas - não-obesas, obesidade recente (<4,5 anos) e obesidade de longo tempo (> 4,5 anos). Eles foram capazes de medir a secreção de insulina em resposta a uma refeição padronizada.


Como você pode ver, ambos os grupos de indivíduos obesos tinham níveis mais elevados de secreção de insulina em comparação com os não-obesos. Secreção de insulina anormalmente elevada desenvolve-se precocemente no curso da obesidade e persiste.
E quanto a resistência à insulina?


Olhando para os gráficos de acompanhamento, você pode ver que a resistência à insulina (medida aqui pelo consumo máximo de glicose) se desenvolve ao longo do tempo. Com a longa duração da obesidade, a resistência à insulina aumenta. A resistência à insulina agora contribui cada vez mais para os níveis de insulina em jejum.


Esta é a resposta para o problema do ovo e da galinha, da insulina e da resistência à insulina. A insulina é a afronta primária. Níveis de insulina elevados persistentes levam à resistência à insulina. Esta resistência à insulina, por sua vez, leva a níveis mais elevados de insulina.
A sequência temporal da obesidade juvenil pode ser representada assim. Isso realmente se parece com a nossa compreensão da Teoria Hormonal da Obesidade.


Na semana passada houve algum entusiasmo com o artigo publicado no Journal of the American Medical Association, de que as taxas de obesidade para a faixa etária de 2-5 anos caíram 43%. A maioria dos outros grupos etários não viu uma mudança significativa nas taxas de obesidade. Uma vez que a obesidade infantil é altamente ligada à obesidade adulta, esta é realmente uma notícia muito boa.


Alguns grupos, como a campanha equivocada de Michelle Obama “Let’s move” [Mova-se] não perdeu tempo em parabenizar a si próprios por um trabalho bem feito. Eles acreditam que a sua campanha de atividade física tem desempenhado um papel fundamental neste sucesso. Isto apesar do fato da maioria dos estudos mostrarem que o exercício físico tem pouco ou nada a vercom a perda de peso.
Se os seus programas anti-obesidade foram um sucesso tão grande, por que nós só vemos os resultados na faixa etária mais baixa (2-5 anos)? Eu não me recordo de pensar que a maioria das crianças de 2 anos de idade precisa ser mais ativa. Também não me lembro de ver qualquer criança de 2 anos nas academias de puxando ferro. A obesidade adulta, no entanto, não parece ter sido muito alterada.
A resposta, porém, é muito mais simples. Encontra-se nos efeitos dependentes do tempo da obesidade.
Aqueles com obesidade de longa data tendem a ter mais resistência à insulina e a obesidade, portanto, é mais difícil de tratar. A duração relativamente curta da obesidade no grupo de 2 a 5 anos de idade significa que a obesidade é relativamente mais fácil de tratar.
Se olharmos para a linha do total de adoçantes calóricos, vemos que de 1977 a 2000 houve um aumento constante no consumo de adoçantes per capita. Isto foi em resposta às odiosas orientações dietéticas de 1977, que produziram a infame pirâmide alimentar. O objetivo era comer menos e menos gordura como uma porcentagem de calorias e mais carboidratos. Então, alimentos açucarados, uma vez que eram pobres em gordura, foram incentivados. 1977 é também quando a epidemia de obesidade começou.


Consumo de adoçantes atingiu o pico em 2000 sob o ataque de Atkins. No final dos anos 90 e início dos anos 2000 a culinária de Atkins reinou suprema. Isto incluiu todos os aspirantes imitadores de Atkins. Toda a atenção para a mensagem low-carb [dieta de baixo carboidrato] resultou na ingestão de adoçante menor devido à percepção de que o açúcar faz você engordar.
Claro, você poderia ter simplesmente perguntado a sua avó. Ela teria lhe dito que o primeiro passo na perda de peso era parar de comer doces e alimentos ricos em amido. Em vez disso, ouvimos os políticos e os médicos que diziam que o açúcar não faz você engordar, gordura faz você gordura. Mesmo comendo menos e menos gordura, nós ganhamos mais e mais peso.
O principal benefício da mensagem de Atkins foi que a ingestão de açúcar começou a cair a partir do ano de 2000. Mesmo após a loucura de Atkins ter se tornado tão fora de moda como uma pulseira Livestrong, a verdade incontestável é que muito açúcar é ruim para você. Muito, muito ruim. A ingestão de açúcar cai em 2000 e depois de um período de 5 a 10 anos, o mesmo acontece com a obesidade no grupo mais fácil de tratar. Faz todo o sentido para mim.



Esse assunto é novo pra você? Comece aqui.



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3 comentários:

  1. Liss, estou amando ter acesso ao trabalho de uma brasileira que teve a brilhante ideia de se especializar na importantíssima "Teoria Funguiana"!

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  2. Obrigada! Acho o trabalho do dr. Jason Fung importantíssimo. E todo mundo deveria conhecer. Mas como a tradução do livro dele ainda deve demorar aqui no Brasil, a gente fica por aqui lendo os posts. Eu li o livro e é muito parecido com os posts, então já ajuda muito.

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