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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Uma caloria é uma caloria – Parte II

A calorie is a calorie – Part II
by Jason Fung

Esta é a continuação da nossa discussão sobre calorias - clique aqui para Calorias Parte I.
Uma caloria é uma caloria. Isto é obviamente verdadeiro. Assim como um cão é um cão, um dólar é um dólar, ou uma mesa é uma mesa. Há muitos tipos diferentes de cães e mesas, mas a simples declaração de que um cão é um cão é verdade.
Todas as calorias têm a mesma propensão a causar ganho de peso?


No entanto, isso não é realmente a questão que estamos discutindo. A verdadeira questão que estamos discutindo é “Todas as calorias têm a mesma propensão a causar acúmulo de gordura?”
Uma caloria é simplesmente uma unidade de energia. É a energia liberada quando certos alimentos são queimados em um laboratório. Certos alimentos contêm mais e outros menos [energia]. Não importa se esses alimentos são proteína, gordura ou carboidratos. Nós podemos queimá-los em um laboratório (ou em nossos corpos) e determinar a quantidade de calor liberado.
Algumas pessoas acreditam que apenas o total de ingestão calórica diária importa para o ganho de peso. Não importa se vamos comer salada ou sorvete, no final, tudo isso pode ser reduzido a calorias. Daí o ditado “Uma caloria é uma caloria”.
Esta é uma crença relativamente nova. De volta ao tempo dos nossos avós - digamos em torno de 1900, era “conhecimento comum” que a obesidade era causada por doces e alimentos ricos em amido (carboidratos refinados). Se você queria perder peso você cortava esses alimentos e você perdia peso. Ninguém, eles argumentam, engorda comendo brócolis.
Em outras palavras, eles acreditavam que as calorias não tinham todas a mesma propensão a causar ganho de peso. Alguns alimentos, como doces e pães, causariam obesidade, mas outros não. Uma calorias não é uma caloria. Na verdade, eles provavelmente nem sequer sabiam o que era uma caloria. Então, quem está correto?
Vamos olhar para esta equação:
Gordura = Calorias que Entram - Calorias que Saem
Vamos fazer a pergunta “Calorias que Entram importam?”. Em primeiro lugar, devemos supor que a mudar as “Calorias que Entram” em não muda as “Calorias que Saem”. Isto é, elas são independentes uma da outra. Nós supomos que aquilo que comemos não tem efeito sobre a quantidade de energia calórica que é usada. Veremos mais adiante que isso é completamente falso.
Se reduzirmos todos os alimentos simplesmente ao seu componente calórico, então podemos comparar o que entra (energia) com o que sai (gasto energético).
Vamos olhar para uma situação análoga. Vamos pensar em dólares em vez de calorias. Um dólar é um dólar.
Carteira de gordura = Dólares que Entram - Dólares que Saem

Agora vamos fazer a pergunta “Dólares que Entram importam?”
Vamos supor que eu vá a uma loja de biscoitos. Eu compro biscoitos por US$ 1 e os vendo por US$ 2. Se eu vender 10 biscoitos, eu ganho US$ 10. Se eu vender 20 biscoitos, eu ganho US$ 20. Então, obviamente, neste caso os “Dólares que Entram” são importantes. Quanto mais dólares entram, mais gorda fica a minha carteira.
No entanto, vamos considerar outro caso. Eu compro biscoitos da padaria por US$ 1 e os vendo por US$ 1. Se eu vender 10 biscoitos, eu ganho US$ 0. Se eu vender 20 biscoitos, eu ganho US$ 0. Se eu vender mais biscoitos, eu não faço mais dinheiro. Assim, neste caso, a quantidade de “Dólares que Entram” é completamente irrelevante.
Mas e se eu comprar biscoitos por US$ 1 e os vender por US$ 0,50. Se eu vender 10 biscoitos, eu perco US$ 5. Se eu vender 20 biscoitos, eu perco US$ 10. Neste caso, a relação é completamente oposta. Quanto mais “Dólares que Entram”, mais dinheiro eu perder.
É fácil ver neste exemplo que o que é, em última análise importante, é a margem, ou a quantidade de lucro por dólar de vendas. É extremamente importante saber o que está acontecendo com “Dólares que Entram”, porque isso determina o lucro. Conhecer os “Dólares que Entram” sem conhecer os “Dólares que Saem” não é relevante. Assumir que “Dólares que Saem” permanecem constantes não é correto.
Agora, vamos aplicar isso à obesidade:
Gordura = Calorias que Entram - Calorias que Saem
Um dos principais pressupostos da Redução Calórica como Hipótese Primária (Caloric Reduction as Primary - CRaP) é que “Calorias que Saem” são independentes de “Calorias que Entram”. No entanto, isso é realmente muito falso. Se as “Calorias que Entram” são acompanhadas por um igual aumento nas “Calorias que Saem” (a margem é zero), então nenhuma quantidade de excesso de “Calorias que Entram” irá resultar em armazenamento de gordura. Se “Calorias que Entram” diminuem, mas são compensadas com uma diminuição nas “Calorias que Saem”, então, nenhuma quantidade de redução na ingestão calórica irá resultar em perda de peso.
Dito de outra forma, se você comesse 1000 calorias extras, mas isso fosse acompanhado por 1000 calorias de extras de energia gasta, isso não resultaria em ganho de peso. É possível gastar essa energia extra como exercício, mas também é possível que esta energia extra seja gasta em função de um incremento na taxa metabólica basal (calor corporal).
Por exemplo, seria possível comer 5.794 calorias por dia e ainda assim não ganhar nenhum peso? Essa é a pergunta que Sam Feltham se propôs a responder usando-se como sujeito experimental. A (não tão) surpreendente resposta é que é certamente possível. Como, você pode perguntar? Como ele aumentou sua ingestão calórica para 5.797 calorias/dia, seu corpo aumentou o seu metabolismo para queimar 5.794 calorias por dia. Neste cenário, ele não iria ganhar peso algum (o que aconteceu).
Por outro lado, suponha que você diminua a sua ingestão calórica em 1000 calorias. Se isso faz com que nosso corpo reduza o nosso gasto de energia em 1000 calorias, então nenhum peso será perdido.
Nós gastamos quantias obsessivas de tempo considerando as “Calorias que Entram” parte da equação sem qualquer consideração a respeito das “Calorias que Saem”. Por quê? Isso é muito simples. É muito mais difícil de medir “Calorias que Saem” e, portanto, fazemos a suposição simples e errada de que é constante.
Há muitos tecidos metabolicamente ativos (cérebro, rins, coração, fígado), cuja atividade é simplesmente muito difícil de medir. Por exemplo, suponha que seu corpo decidiu reduzir o gasto energético diário, reduzindo a temperatura do corpo de 36,5º para 36,0º C. Como nós podemos medir isso sem um equipamento de laboratório sofisticado e caro e medições cuidadosas?
Como medir o gasto energético

O que é crucial não é simplesmente as “Calorias que Entram”, mas toda a quantidade de “Calorias que Entram - Calorias que Saem”. Como a mudança de uma dessas variáveis ​​afeta a outra?
Além disso, é extremamente importante conhecer a repartição das “Calorias que Saem” ou o Gasto Energético (GE). É exercício voluntário ou taxa metabólica de repouso involuntária?
Se certos alimentos (o que comer) ou hábitos alimentares (quando comer) afetam a taxa metabólica, então, uma caloria não é simplesmente uma caloria.
Existem opções de alimentos (o que comer) e comportamentos alimentares (quando comer) que alteram o Gasto Energético Total (GET)? A resposta a esta questão crucial é sim, mas temos muito trabalho a fazer antes que possamos chegar a esta resposta.




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