segunda-feira, 25 de julho de 2016

Principais pressupostos - Calorias Parte III

Key Assumptions – Calories Part III
by Jason Fung

Clique aqui para Calorias Parte I e Parte II. Aqui está o que nós convencionalmente pensamos sobre obesidade.
A teoria convencional da Obesidade


Pressuposto#1 Calorias que Entram e Calorias que Saem são independentes
O primeiro pressuposto é que Calorias que Entram e Calorias que Saem são independentes um do outro. Isto é, se você reduzir as Calorias que Entram, as Calorias que Saem não são afetadas. Isto é crucial. Se a redução de calorias em “calorias que Entram” provoca uma redução em “Calorias que Saem”, então o peso não é perdido. É apenas a “margem” ou a diferença entre Calorias que Entram e Calorias que Saem que importa. Nós abordamos isso no post anterior.
Nós nos concentramos na ingestão de energia calórica porque é fácil. Basta medir o que você come em um dia, somar as calorias e boom. Você tem a sua resposta. Para entender o que está acontecendo com o Gasto Energético Total (GET) é muito, muito mais difícil. É por isso que nós não pensamos a respeito e fazemos a suposição errônea de que é constante.
Calorias que Entram, Calorias que Saem

Vamos considerar o GET de uma pessoa que é obesa. Muitas pessoas acham que elas têm o metabolismo “lento”. Em outras palavras, o GET é baixo e, portanto, para a mesma quantidade de calorias, essa pessoa estará propensa a ganhar peso. Este é o familiar modelo Calorias que Entram e Calorias que Saem.
Por exemplo, Adam come 2000 calorias por dia e seu GET é de 2000 calorias. Não ganha nem perde gordura. Zeke come 2000 calorias por dia, mas seu GET é de 1500 calorias. 500 calorias de gordura são guardadas no estoque.
Então, o problema é que as pessoas obesas têm um GET baixo? Vamos olhar para este artigo “Alto gasto energético mascara baixa atividade física na obesidade”. Neste estudo, indivíduos magros e obesos tiveram seu Gasto Energético Total Diário (GETD) medido pelo método doubly labeled water, a Taxa Metabólica Basal – em repouso (TMB) pelo método de calorimetriaindireta e do gasto Energético produzido pela Atividade Física (GAF) ou “exercício”, medido por monitores de atividade multisensoriais.
Soa muito difícil e até um pouco doloroso. Então, quais foram os resultados? Será que indivíduos obesos têm um metabolismo “lento” ou “baixo”? Ummm ... não. Na verdade, é bem o contrário. Indivíduos magros tinham um GETD médio de 2404 calorias, enquanto os obesos tinham um GETD médio de 3244 calorias. Os indivíduos obesos também passaram menos tempo no “exercício”, mas, apesar disso, tinha um GETD muito maior. O que acontece?
O corpo do indivíduo obeso não estava tentando ganhar peso, ele estava tentando a seu melhor para perder peso. O corpo estava tentando queimar o excesso de energia. Assim, então, por que os obesos são... obesos? Com o tempo, seus corpos deveriam voltar à magreza. A resposta curta é que a Redução Calórica como Hipótese Primária está incorreta. Uma balança é a maneira errada de pensar sobre a forma como o corpo lida com energia.
O corpo age muito mais como um termostato. Há um set point específico de peso do corpo e o corpo tenta manter esse set point. A pergunta correta, então não é quantas calorias comemos ou não, mas o que ajusta esse set point? Em outras palavras “O que nos faz engordar” ou" Qual é a etiologia da obesidade?”
Nós também podemos ver a partir deste exemplo que há uma grande variação no GET de uma pessoa para outra. Na verdade, alguém pode ter um GET 50% mais elevado do que o outro. O que provoca isso? Os alimentos e comportamento alimentar têm alguma influência sobre isso? Vamos considerar isso em mais detalhes em posts futuros.
Pressuposto#2 Controle consciente das “Calorias que Entram”
O segundo pressuposto é que “Calorias que Entram” estão sob controle consciente. De alguma forma nós “sabemos” quantas calorias nós estamos ingerindo. Podemos escolher comer ou não comer. A fome é apenas uma inconveniência e não desempenha nenhum papel na homeostase do peso (manter um peso estável). É o cérebro consciente que toma a decisão de comer ou não, com base em calorias.
Nós já sabemos que este pressuposto não é verdadeiro. Existem inúmeros sistemas hormonais interativos que dizem ao nosso corpo quando estamos com fome e quando não estamos. Leptina, grelina, colecistoquinina, peptídeo YY são apenas alguns dos exemplos mais óbvios de hormônios envolvidos na fome e saciedade. Claramente, não é apenas “decisão” do cérebro comer ou não, mas um complexo equilíbrio hormonal.
Se a decisão de comer ou não fosse puramente consciente, povos indígenas primitivos, então, deveriam ter visto inúmeros exemplos de pessoas super obesas e super magras porque não sabiam nem o que era uma caloria (imagine isso!). Na verdade, os povos primitivos não tinham praticamente nenhuma obesidade, mesmo em face de alimentos abundantes. Saber a ingestão calórica ou o valor calórico do alimento não é necessário para manter um peso saudável. Até recentemente, nós falávamos de alimentos que nos tornavam gordos ou magros, não calorias.
Isto, naturalmente, devia ter sido completamente óbvio. Considere isto. Nós comemos cerca de 2000 calorias por dia. Ao longo de um ano, vamos ter comido cerca de 2000 * 365 = 730.000 calorias. Se ganhar cerca de 500g a 1kg por ano de peso, isso é cerca de 7000 calorias. Assim, é uma taxa de erro de apenas 0,00958.
Em outras palavras, nós combinamos nossas Calorias que Entram e Calorias que Saem com uma exatidão superior a 99%. Isso ocorre porque cada um de nós conta cada pedaço de comida que come, e calcula o seu GETD e decide se deve comer ou não aquela vagem extra? Nós somos projetados para comer até que nossos corpos nos digam para parar, e não para cumprir alguma quota calórica. É importante compreender a sinalização de fome e de saciedade e o seu controle hormonal. Em vez disso, o modelo de Redução Calórica como Hipótese Primária (CRaP - Caloric Reduction as Primary) ignora isso e assume que toda a alimentação está sob controle voluntário.
Isso é simplesmente ridículo. Obviamente, existem sistemas automáticos no corpo que nos dizem quando comer, o que comer, quanta energia gastar em um exercício, a taxa metabólica basal, etc. É como supor que nós precisamos dizer-nos conscientemente quando respirar, e se esquecermos, estamos propensos a nos asfixiar. Não, isso é simplesmente errado.
Pressuposto#3 Controle consciente das “Calorias que Saem”
O terceiro pressuposto é que “Calorias que Saem” estão sob controle consciente. Nós controlamos a quantidade de exercício que fazemos, e assumimos que todo o resto é estável. Isso supõe que o exercício consome uma parte importante das nossas necessidades energéticas diárias. Nós muitas vezes assumimos que “Dieta e Exercício” significa que a dieta e o exercício são parceiros 50-50 na gestão de peso.
Considere que uma pessoa que não faz absolutamente nenhum exercício ainda requer quase 2000 calorias/dia. Se você já olhou um contador de calorias em uma esteira, você pode ter notado que, após cerca de 45 minutos de caminhada rápida, a quantidade de calorias queimadas é geralmente algo na ordem de 150 ou 200 calorias. Em outras palavras - nem mesmo 10% das nossas necessidades calóricas diárias. É nos outros 90% que devemos concentrar.
A maioria do nosso gasto energético diário é usado para geração de calor do corpo e outras faxinas metabólicas (gasto energético basal). Assumindo que isto é estável e imutável ao longo do tempo, nós ignoramos isso. Assumimos que a única variável que muda é a energia gasta em exercício/atividade voluntário. Logo veremos que isso também não é verdade. Gasto energético basal não é estável e pode mudar para mais ou para menos em até 50%.



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2 comentários:

  1. Muito didático o dr. Fung. No aguardo dos próximos capítulos.

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  2. Linha de raciocínio perfeita, muito satisfeito com a leitura.

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