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terça-feira, 26 de julho de 2016

Porque redução calórica não funciona - Calorias Parte IV

Why Caloric Reduction Doesn’t Work – Calories Part IV
by Jason Fung

Esta é uma continuação de Calorias parte III. Você pode começar aqui com a parteI e parte II. Nós estávamos discutindo os pressupostos da redução calórica como modelo primário...
Pressuposto#4 O estoque de gordura são essencialmente não regulamentado

Todos os sistemas do corpo são regulados. Se você considerar qualquer sistema no corpo, é um sistema regulado. Por exemplo, o crescimento em altura - regulada pelo hormônio do crescimento. Glicose [açúcar no sangue] - regulado pela insulina e glucagon, entre outros. Sexo - regulado pela testosterona e pelo estrogênio. Tireóide - regulado por hormônio estimulante da tireóide e tiroxina livre. E assim continua. Qualquer função corporal que você pode imaginar está sob algum sistema regulador - geralmente hormonal (endócrino, parácrino, etc. autócrino).
Somos levados a acreditar, no entanto, que o crescimento de células de gordura é essencialmente não regulamentado. O simples ato de comer, sem qualquer interferência de outros hormônios irá resultar em crescimento dos depósitos de gordura em nosso corpo. As calorias extras são despejadas como gordura no corpo da mesma forma que se poderia despejar no lixo algumas batatas de dentro de um saco.
Na verdade - já sabemos que isso é essencialmente falso. Estamos descobrindo novos caminhos hormonais na regulação do crescimento de gordura o tempo todo. A leptina é um caminho. A adiponectina é outra via potencial. A lipase hormônio sensível pode ser importante. O cortisol pode desempenhar um papel, bem como a lipoproteína lipase (LPL) e a lipase de triglicerídeos de tecido adiposo (adipose triglyceride lipase - ATGL). E, claro, a nossa velha e querida amiga, insulina. Nós estaremos falando de insulina em maiores detalhes em posts futuros. Bem mais detalhes.
Então, vamos recapitular ... Aqui estão os 4 principais pressupostos na teoria de Redução Calórica como Hipótese Primária (Caloric Reduction as Primary - CRaP), que são todos falsos:
1. Calorias que Entram e Calorias que Saem são independentes.
2. Controle consciente das Calorias que Entram.
3. Controle consciente das Calorias que Saem.
4. Reservas de gordura são essencialmente não regulamentadas.
É importante notar que, neste modelo, isto é uma relação causal. Ou seja, comer demais causa obesidade. Portanto, do ponto de vista científico, podemos facilmente testar esta hipótese.
Podemos fazer isso por meio da manipulação da variável “comer”. De acordo com a hipótese CRaP, comer demais provoca obesidade. Por isso comer menos vai reduzir a obesidade. Poderíamos prever que, ao reduzir a quantidade que comemos, a obesidade deve ser reduzida. Se assume que o Gasto Energético Basal (GEB) não é afetado por mudanças na ingestão calórica.
Isso é um estudo fácil de fazer. Nós pegamos algumas pessoas, lhes damos muito pouco para comer, e os vemos perder peso e viver felizes para sempre. Bam. Caso encerrado. Ligue para o comitê do Prêmio Nobel. Felizmente para nós, esses estudos já foram feitos.

Metabolismo basal

O primeiro estudo foi feito há quase 100 anos atrás. Intitulado “Um Estudo biométrico do metabolismo basal no homem” (A Biometric Study of Basal Metabolism in Man), foi feito em 1917 no Carnegie Institution of Washington’s Nutrition Laboratory com 12 homens jovens saudáveis. Eles foram colocados em dietas dos “semi-inanição” consistindo de 1400 a 2100 calorias por dia e, em seguida, observados com medição de seus gastos energéticos.
Isso realmente não parece uma dieta tão drástica, considerando algumas das dietas de baixa caloria que estão pó aí agora. Muitos dos estudos atuais, tais como o estudo LOOK AHEAD recentemente publicado, usam níveis muito semelhantes de ingestão calórica.
O que acontece com o corpo se você de repente restringir a ingestão calórica? De acordo com a hipótese CRaP, o Gasto Energético Total (GET) deve permanecer o mesmo. Reduzir calorias e manter constante o GET irá resultar na queima de gordura para energia e os pacientes devem perder peso. Parece bom.
No entanto, na realidade, o GET caiu substancialmente - gritantes 30%. Os homens queixaram-se constantemente de ser incapazes de manter-se aquecidos, mesmo com uma “abundância de roupas”. Frequência cardíaca e pressão arterial caíram. Os homens apresentaram marcada incapacidade de se concentrar e fraqueza acentuada durante a atividade física. Em outras palavras, seu metabolismo estava desacelerando.
Vamos pensar sobre o que está acontecendo aqui. Vamos supor que essas pessoas normalmente comem 3000 calorias por dia. Uma vez que elas não estão nem ganhando nem perdendo gordura, elas estão queimando 3000 calorias por dia. Agora vamos restringir as calorias para 2000 calorias por dia. Com uma redução  de aproximadamente 1/3 nas calorias, o corpo responde reduzindo os gastos calóricos (desligando).
Calorias são necessárias para aquecer o corpo. Assim, o corpo reduz o aquecimento corporal. Resultado - os pacientes sentem frio, não importa o quanto eles tentem colocar roupas.
Calorias são necessárias para o bombeamento do coração. Assim, o corpo reduz isso. Resultado - frequência cardíaca diminui.
Calorias são necessárias para manter a pressão sanguínea. Assim, o corpo reduz isso. Resultado - a pressão arterial diminui.
Calorias são necessárias para pensar (o cérebro é muito metabolicamente ativo). Assim, o corpo reduz isso. Resultado - incapacidade de se concentrar.
Calorias são necessárias para se mover. Assim, o corpo reduz isso. Resultado - fraqueza durante a atividade física.
Em outras palavras - o corpo mais ou menos impõe uma redução “geral” no gasto calórico. Assim como cortes no orçamento do hospital onde todo mundo recebe uma redução “geral” do orçamento. Isso cria o caos no hospital e cria o caos no corpo.
Por que o corpo faz isso? Bem, porque o corpo é inteligente e não quero morrer. Considere uma pessoa que normalmente come 3000 calorias por dia. Agora, ela come 2000 calorias por dia. Se ela continuasse a gastar 3000 calorias diárias, ela logo queimaria todo o seu estoque de gordura, e então o estoque de proteína e, em seguida, ela iria morrer. Legal. Por que ela iria querer fazer isso? A única coisa inteligente a fazer é imediatamente reduzir o gasto calórico para 2000 cal/dia para restaurar o equilíbrio. Por que nós assumimos que a Mãe Natureza é tão idiota? Nós assumimos que a redução de calorias em 1/3 seria recebida pelo corpo sem qualquer alteração no gasto energético basal? Sim, nós fizemos isso.
A pessoa racional iria se ajustar à nova dieta de 2000 calorias por dia, reduzindo o gasto de energia não apenas para 2000 calorias, mas um pouco menos (apenas para o caso), digamos 1900 calorias. Isso é exatamente o que o corpo faz. Porque isso é a coisa INTELIGENTE a fazer.
O que aconteceu com o peso? Os homens inicialmente perderam peso, mas o que aconteceu a seguir é provavelmente familiar a todos aqueles que têm tentado fazer dieta. Após a experiência terminar, eles recuperaram todo o peso e até um pouco mais. O GET (ou Calorias que Saem) caiu tão substancialmente que o retorno a uma dieta normal implicou que os homens começaram a recuperar o peso. Quando eles perderam o peso, eles perderam músculo e gordura. Quando recuperam o peso, foi tudo gordura.
Vamos pensar sobre isso em termos de dieta padrão de Restrição Calórica como Hipótese Primária (CRaP). Vamos dizer que nós impomos uma restrição calórica de 500 calorias por dia, com alguns conselhos como “controle das porções” ou algum outro absurdo. Eu esperaria que o GET fosse reduzido em 500 calorias por dia. Eu esperaria que a pessoa sentisse com frio, cansada, com fome e (provavelmente) irritável. O peso poderia inicialmente diminuir, mas iria ser recuperado conforme o corpo fizesse o ajuste. Quando eles saíssem da dieta, todo o peso seria recuperado com um pouco mais como garantia. Isso soa familiar a alguém? Soa familiar a todos.


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