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terça-feira, 19 de julho de 2016

Insulina em jejum – O que é normal?


Nesse post falamos sobre o Teste de Kraft para diagnóstico de Diabetes. Conforme abordado no texto, é o único teste que diagnostica adequadamente a doença de “hiperinsulinemia” do diabetes. Kraft testou 14.384 pessoas dessa forma ao longo de 30 anos.

No post anterior falamos sobre o nível de glicose em jejum “normal”. E agora, neste post, continuaremos falando do estudo de Kraft, agora para tentar responder à pergunta: qual é o nível de insulina em jejum “normal”?



Os trechos citados a seguir foram extraídos do livro Diabetes Epidemic & You, do dr. Joseph R. Kraft (https://www.amazon.com.br/Diabetes-Epidemic-English-Joseph-Kraft-ebook/dp/B0062EYR7U/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1466016574&sr=8-1&keywords=Diabetes+Epidemic).


O radioimunoensaio de insulina abriu um caminho inexplorado na medicina laboratorial clínica relacionado ao diabetes mellitus. Na década de 1970, havia a avaliação precoce da insulina em jejum em pessoas diabéticas. Assim como a glicose no sangue em jejum durante décadas havia sido a pedra angular no diagnóstico e gestão do diabetes, esperava-se que a insulina em jejum fosse de igual ou até mesmo de maior importância. No entanto, investigações clínicas logo identificaram que níveis de insulina em jejum eram indistinguíveis entre pessoas diabéticas e não diabéticas.

Por favor consulte a Tabela 2. O material na Tabela 2 é sem precedentes e sem igual no mundo da literatura médica. Os 14.384 indivíduos eram pessoas saudáveis ​​submetidas pelos seus médicos ao teste de tolerância à glicose oral com análises de insulina, com carga de 100 g de glicose. Isto foi feito com a finalidade de identificar ou descartar diabetes mellitus. A faixa etária foi desde os muito jovens (com menos de 14 anos de idade) até os bem idosos (maiores de 80 anos de idade). Na Tabela 2, as insulinas em jejum daqueles com Diabetes Mellitus (Diabetes Mellitus Glicose Tolerance - DMGT) são indistinguíveis daqueles com tolerância à glicose diminuída (Impaired Glicose Tolerance - IGT) e daqueles com tolerância à glicose normal (Normal Glicose Tolerance - NGT). As insulinas em jejum não diferenciam um tipo de resposta de tolerância de outro.


Tabela 2. Distribuição da insulina em jejum em 14.384 testes de tolerância oral à glicose com análises de insulina designados Normal (NGT), Intolerante (IGT), e Diabetes Mellitus (DMGT).

*Insulina em jejum maior do que 30 microunidades/ml significa hiperinsulinemia


Qual é a insulina em jejum normal? Esta foi a pergunta que enfrentamos em 1972-1973, no início do nosso estudo. Com os nossos primeiros 1.000 testes de tolerância à glicose oral com análises de insulina, que incluiu pessoas de todas as idades com respostas Normal (NGT), Intolerante (IGT), e Diabetes mellitus (DMGT), foi determinada a insulina em jejum média. A insulina em jejum média foi de 14,65 microunidades/ml. O desvio padrão foi de mais ou menos 5 microunidades/ml; desse modo, a média de 14,65 ± 3 desvios padrão (isto é, 15 microunidades/ml) determinou a faixa de insulina em jejum de 0-30 microunidades/ml. Os 14.384 testes de tolerância à glicose oral com análises de insulina subsequentes confirmaram a insulina em jejum “normal” de 0-30 microunidades/ml. Na ausência de números comparáveis ​​de testes de tolerância à glicose oral com análises de insulina, a faixa de insulina em jejum permanece sem precedentes e sem igual.

A questão do que é insulina de jejum normal foi respondida. No entanto, ela levanta uma outra questão que deve ser abordada. Existe algum valor na determinação da insulina em jejum? A resposta é sim!! Insulinas em jejum superiores a 30 microunidades/ml (o limite superior do normal) são diagnóstico, por si só, do aumento acentuado de insulina, que é hiperinsulinemia - diabetes tipo 2. No entanto, o nosso estudo cumulativo de 14.384 testes de tolerância oral à glicose com análises de insulina mostraram que menos do que oito por cento das pessoas com hiperinsulinemia ou diabetes de tipo 2 têm insulina jejum maior do que 30 microunidades/ml. Por favor, consulte o Capítulo 12, Padrões de insulina dinâmicos. [veja aqui]


Obs.: No Brasil, alguns laboratórios apresentam "normal" a faixa de insulina em jejum que vai de 3 a 25 microunidades/ml.
Aqui, faz-se necessário um registro importante: insulina em jejum NORMAL (até 25 microunidades/ml) não significa IDEAL! Segundo vários especialistas na questão de resistência à insulina, o ideal é que a insulina em jejum fique abaixo de 7 ou 8 (ou até menos, para alguns)!

No próximo post falaremos sobre os exames que avaliam a resistência à insulina e discutiremos porque esse nível de “normalidade” de até 25 microunidades/ml é muito elevado.


Bom... agora entendemos a importância do exame de insulina basal. Muitas vezes a glicose em jejum pode estar normal, mas os níveis de insulina estão muito elevados, indicando que você está num caminho perigoso!

Veja uma amostra dos resultados dos meus exames de sangue abaixo:



Meus exames apresentaram insulina em jejum acima de 25 microunidades/ml em várias ocasiões, o que significa hiperinsulinemia e diabetes “in situ”, de acordo com os estudos do Dr. Kraft.

Em março deste ano minha insulina em jejum registrou 33,58 (alta demais!). Minha glicose em jejum, no entanto, deu 93 (dentro do limite de “normalidade”).

Quando o médico pede apenas o exame de glicose em jejum, pode chegar à conclusão, com base nesses resultados, que está tudo bem, tudo “normal” com o paciente. Mas na verdade não está. O paciente (no caso, eu) tem resistência grave à insulina e está com hiperinsulinemia clara. O diagnóstico de diabetes é só uma questão de “tempo”. Infelizmente, como vimos nos posts anteriores, esse “tempo” pode ser muito longo. E, enquanto o diagnóstico de diabetes não é dado, o paciente continua se alimentando “normalmente” (e isso inclui todo tipo de coisa ruim a que estamos expostos no nosso dia a dia) e, nesse tempo, a doença vai piorando.

Como vocês podem ver, meu nível de insulina em jejum está beeeeeem longe do IDEAL. E é por isso que eu continuo batalhando todos os dias pra melhorar esse indicador. É um exercício que requer mudanças de hábitos permanentes, pois qualquer deslize na alimentação pode fazer tudo “desandar” de novo (como vocês podem verificar em alguns momentos em que a minha insulina voltou a subir depois de ter atingido níveis mais baixos).

O Dr. Jason Fung, autor do livro The Obesity Code: Unlocking the Secrets of Weight Loss (https://www.amazon.com.br/Obesity-Code-Unlocking-Secrets-Weight-ebook/dp/B01C6D0LCK/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1465413172&sr=8-1&keywords=obesity+code) explica em suas palestras que a reversão de um quadro de resistência à insulina pode levar muito tempo. O tempo para que isso ocorra vai depender de quanto tempo você “carrega” esse problema. No meu caso, já são mais de 10 anos. Um quadro desses normalmente não é revertido em poucos meses.

O desafio é grande. Mas eu estou pronta! E não vou desanimar!


Esse assunto é novo pra você? Comece aqui.

Próximo post.



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