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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Como ganhamos peso? – Calorias Parte I

A partir de hoje teremos a tradução da série de posts do Dr. Jason Fung sobre OBESIDADE (e sua relação com a resistência à insulina).
O Dr. Jason Fung é autor do livro The Obesity Code: Unlocking the Secrets of Weight Loss (https://www.amazon.com.br/Obesity-Code-Unlocking-Secrets-Weight-ebook/dp/B01C6D0LCK/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1465413172&sr=8-1&keywords=obesity+code) e do site Intensive Dietary Management (https://intensivedietarymanagement.com/) 

Eu cresci em Toronto, Ontário, Canadá. Eu fui para a Universidade de Toronto aos 17 anos para iniciar os estudos em Bioquímica. Aos 23, eu terminei a faculdade de medicina na Universidade de Toronto, e comecei a minha residência médica lá.

Terminando a minha especialidade de Medicina Interna, eu escolhi Nefrologia (doença renal) como o minha subespecialidade. Cada campo da medicina interna cria as suas próprias personalidades. Nefrologistas tinham a reputação de ser uma especialidade de ‘pensadores’. Há uma série de complexidades de fluídos e eletrólitos, e eu gostei destes enigmas. Estudei Nefrologia na Universidade da Califórnia, Los Angeles principalmente no Cedars-Sinai Hospital e no VA Wadsworth. Olhando para trás, percebo que deve ter sido um pouco desconcertante para os pacientes do hospital serem tratados por um médico que parecia ter cerca de 18 anos de idade.
Voltei para Toronto em 2001 para começar a minha carreira em Nefrologia, onde eu ainda tenho um escritório e uma prática hospitalar. A diabetes Tipo 2 é de longe a principal causa de doença do rim, e eu trato muitas centenas de pacientes com esta doença. Muitos também têm obesidade. No início do ano de 2010 meu interesse em nutrição, combinado com o meu foco profissional em obesidade e diabetes tipo 2, tinham me levado diretamente para o quebra-cabeça da diabesidade [diabetes + obesidade].


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Como ganhamos peso? – Calorias Parte I
by Jason Fung

Esta é a questão mais importante em relação à obesidade. É impossível tratar adequadamente qualquer doença sem ter alguma compreensão da causa (a etiologia). Por exemplo, se você entender que a causa das infecções são as bactérias, então, você pode focar as bactérias em seu tratamento. Então, como é que nós ganhamos peso - ou, mais cientificamente - o que é a etiologia da obesidade? Essa é a pergunta que nós deveríamos estar fazendo.
No entanto, muito pouco tempo é gasto a considerar esta questão tão importante, porque nós sentimos que já sabemos a resposta. É uma questão de calorias que entram versus calorias que saem, nós dizemos. Comer demais e se exercitar pouco causam a obesidade, dizemos. Consideramos estas verdades tão evidentes que nós não questionamos a sua veracidade mesmo por um minuto (se é verdade).
Também consideramos que a razão de comer demais ou se mover muito pouco é uma questão de escolha pessoal. Ou seja, nós escolhemos o que nós colocamos em nossas bocas e, portanto, somos responsáveis ​​por aquilo que comemos. Poderíamos ter comido brócolis em vez daquele saco de batatas fritas. Nós poderíamos ter corrido por uma hora em vez de assistir televisão.

Em outras palavras, a obesidade é uma falha pessoal - que a causa da obesidade encontra-se no indivíduo. Comer demais (gula) ou se mover muito pouco (preguiça) são falhas individuais - na verdade, 2 dos 7 pecados capitais. Se perguntarmos os “especialistas”, eles concordam que a chave para perda de peso é comer menos e se mover mais.
Santo consenso, Batman. Dos tantos “especialistas” de Michelle Obama ao USDA [United States Department of Agriculture – Departamento de Agricultura dos Estados Unidos], a praticamente todos os profissionais médicos (incluindo médicos e nutricionistas) concordando que “Coma menos, mova-se mais” é o caminho a percorrer, você poderia pensar que isso é uma verdade 100% inquestionável. Mas aqui vai um pensamento estranho... se todos nós concordamos que nós sabemos a cura para a obesidade, e nós gastamos bilhões em educação e programas - por que estamos ficando mais gordos? Em outras palavras, por que essa “cura” é tão ruim?
Vamos voltar. Se a causa da obesidade é comer demais e se exercitar pouco, podemos pensar sobre a obesidade da seguinte maneira:
Teoria convencional da Obesidade

Eu chamo isso de Redução Calórica como Hipótese Primária (Caloric Reduction as Primary - CRaP). Isto significa que o fator primordial (mas não o único) na obesidade são as calorias e a redução de calorias é a base do tratamento. Além disso, a razão por trás de comer demais não é hormonal, não é fome, mas escolha pessoal. Ele também pode ser chamado de modelo “Calorias que Entram, Calorias que Saem” (Calories in, Calories out - CICO), e é muitas vezes é descrito como uma balança. Calorias não utilizadas no exercício serão depositadas como gordura.
É o desequilíbrio de calorias que conduz ao longo do tempo à acumulação de gordura. É muitas vezes chamado de “Primeira Lei da Termodinâmica” - energia não pode ser criada ou destruída em um sistema isolado. Isso faz as coisas soarem muito científicas e evoca pensamento de Einstein, mas a termodinâmica tem aproximadamente zero a ver com a biologia humana. O corpo humano não é um sistema isolado. Energia entra e sai o tempo todo. É um sistema aberto, portanto, termodinâmica não se aplica de maneira alguma.
Nem a Segunda nem a Terceira Lei da Termodinâmica se aplicam aos seres humanos ou outros seres vivos, então, por que a Primeira Lei se aplicaria? A resposta é que não se aplica, e as pessoas só usam a Primeira Lei da Termodinâmica em uma discussão para sentirem-se inteligentes. Elas também usam para fazer parecer que sua teoria da obesidade tem credibilidade científica.
Quer dizer, eu não aplico o Princípio da Incerteza de Heisenberg para o meu cereal matinal, não é? Então, por que a Primeira Lei da Termodinâmica se aplica à obesidade? Não se aplica. Mas a mera aplicação deste “Lei” dá ao pessoal do modelo de “Calorias que Entram, Calorias que Saem” um brilho de respeitabilidade que não é merecido.
O que as pessoas estão tentando dizer é que, se a massa gorda é estável, então as calorias ingeridas devem ser equilibradas pelas calorias utilizadas pelo organismo. Se presume que a forma como o corpo usa essas calorias de energia é principalmente pelo exercício. No entanto, isso não é verdade, uma vez que o corpo pode escolher como gastar a energia ingerida. Vejamos um exemplo.
Se nós consumirmos 2000 calorias de energia, essas 2000 calorias podem ter muitos diferentes destinos metabólicos. Tem as calorias que são queimadas para aquecimento (gasto energético de repouso), utilizadas na produção de novos proteínas/ossos/ músculos, usadas em exercício/esforço físico, ou depositadas como gordura? Nós não nos importamos se a energia é queimada na forma de calor, mas NOS IMPORTAMOS se ela é depositada como gordura.
Além disso, as “Calorias que Saem” não são tão estáveis como nós pensamos. Elas podem ir até 3000 calorias/dia em algumas pessoas e apenas a 1200 calorias/dia em outras. Isso também pode mudar dependendo do que nós comemos. Assim, podemos ver que uma simples pilha de “Calorias que Saem” não é realmente tão simples assim.
De acordo com este ponto de vista da obesidade, podemos pensar em armazenamento de gordura da seguinte maneira:
Armazenamento de gordura = Calorias que Entram - Calorias que Saem
Quando você pensa sobre isso desta forma, parece que o armazenamento de gordura é determinado pelas calorias. Se assumirmos que “Calorias que Saem” são fixas e nunca mudam, então isso significa que “Estamos ficando gordos, porque estamos comendo demais”. Agora, a suposição de que “Calorias que Saem” são fixas é falsa, mas vamos simplificar neste momento.
Mas podemos reorganizar a equação da seguinte forma:
Calorias que Entram = Armazenamento de gordura + Calorias que Saem
Se assumirmos mais uma vez que “Calorias que Saem” são fixas e nunca mudam (falso), então a implicação aqui é que “Calorias que Entram” dependem do armazenamento de gordura. O que significa que a quantidade que comemos é determinada pelo fato de estarmos ou não no modo de “armazenamento de gordura”. Isto agora leva-nos a fazer a pergunta correta - O que está nos fazendo estar no modo de armazenamento de gordura? Em outras palavras “Estamos comendo demais, porque estamos ficando gordos”. Isso levanta a questão adequada “Por que estamos ficando gordos?” ou “Qual é a etiologia da obesidade?” - a questão central deste blog e as causas da obesidade, diabetes, doenças cardíacas, câncer e a maioria das doenças chamadas da doenças da civilização.
Ambas as equações são igualmente verdadeiras e não violam a “Primeira Lei da Termodinâmica”, mas a implicação é totalmente diferente. Qual dessas interpretações é verdadeira?

(Traduzido de https://intensivedietarymanagement.com/how-do-we-gain-weight-calories-part-1/)



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3 comentários:

  1. A etiologia da obesidade envolve tantos mecanismos...

    Entramos num estilo de vida ancorado em alimentos ultraprocessados - cheios de químicas artificiais para forçar a hiperpalatabilidade, com excedo de açúcares/farináceos refinados, que por sua vez enguiçam os mecanismos de fome/saciedade.

    E a culpa é sempre do obeso guloso e preguiçoso...

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  2. A etiologia da obesidade envolve tantos mecanismos...

    Entramos num estilo de vida ancorado em alimentos ultraprocessados - cheios de químicas artificiais para forçar a hiperpalatabilidade, com excedo de açúcares/farináceos refinados, que por sua vez enguiçam os mecanismos de fome/saciedade.

    E a culpa é sempre do obeso guloso e preguiçoso...

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  3. Como muitas fezes na mi ha vida me senti inútil, incapaz, com vergonha de estar acima do peso, pois a vida toda tive sobre peso, mesmo lutando sempre para emagrecer.Sempre me considerei uma incapaz, uma perdedora.

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