terça-feira, 14 de junho de 2016

Resistência à Insulina e Diabetes


Nesse post vamos analisar a relação entre a resistência à insulina e o diabetes.

Antes de mais nada: O que é DIABETES?


A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – SBEM (http://www.endocrino.org.br/o-que-e-diabetes/) explica que:

Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia). Pode ocorrer devido a defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas, pelas chamadas células beta.
A função principal da insulina é promover a entrada de glicose para as células do organismo de forma que ela possa ser aproveitada para as diversas atividades celulares. A falta da insulina ou um defeito na sua ação resulta, portanto, em acúmulo de glicose no sangue, o que chamamos de hiperglicemia.

Classificação do Diabetes

(...)
Diabetes Tipo 1 (DM 1) - Essa forma de diabetes é resultado da destruição das células beta pancreáticas por um processo imunológico, ou seja, pela formação de anticorpos pelo próprio organismo contra as células, beta levando a deficiência de insulina. (...)

O quadro clínico mais característico é de um início relativamente rápido (alguns dias até poucos meses) de sintomas como: sede, diurese e fome excessivas, emagrecimento importante, cansaço e fraqueza. Se o tratamento não for realizado rapidamente, os sintomas podem evoluir para desidratação severa, sonolência, vômitos, dificuldades respiratórias e coma. Esse quadro mais grave é conhecido como Cetoacidose Diabética e necessita de internação para tratamento.

Diabetes Tipo 2 (DM 2) - Nesta forma de diabetes está incluída a grande maioria dos casos (cerca de 90% dos pacientes diabéticos). Nesses pacientes, a insulina é produzida pelas células beta pancreáticas, porém, sua ação está dificultada, caracterizando um quadro de resistência insulínica. Isso vai levar a um aumento da produção de insulina para tentar manter a glicose em níveis normais. Quando isso não é mais possível, surge o diabetes. A instalação do quadro é mais lenta e os sintomas - sede, aumento da diurese, dores nas pernas, alterações visuais e outros - podem demorar vários anos até se apresentarem. Se não reconhecido e tratado a tempo, também pode evoluir para um quadro grave de desidratação e coma.


Além do diabetes Tipo 1 e Tipo 2, o site da SBEM cita ainda o diabetes gestacional e outros tipos bem mais raros, que incluem defeitos genéticos da função da célula beta (MODY 1, 2 e 3), defeitos genéticos na ação da insulina, doenças do pâncreas (pancreatite, tumores pancreáticos, hemocromatose), outras doenças endócrinas (Síndrome de Cushing, hipertireoidismo, acromegalia) e uso de certos medicamentos.

Mas o que nos interessa é o diabetes tipo 2, que pode ser evitado.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes -  SBD (http://www.diabetes.org.br/para-o-publico/diabetes/o-que-e-diabetes) “no Brasil, há mais de 13 milhões de pessoas vivendo com diabetes, o que representa 6,9% da população. E esse número está crescendo.”.

Insulina e diabetes tipo 1

No diabetes tipo 1, o corpo não produz insulina suficiente para regular os níveis de glicose no sangue.

Sem a presença de insulina, muitas das células do corpo não podem receber a glicose do sangue e, por conseguinte, o corpo utiliza outras fontes de energia.

As cetonas são produzidas pelo fígado como uma fonte alternativa de energia, no entanto, níveis elevados das cetonas podem levar a uma condição perigosa chamada cetoacidose.

Pessoas com diabetes tipo 1 terão de injetar insulina para compensar a falta de insulina do seu corpo.

Insulina e diabetes tipo 2

O diabetes de tipo 2 caracteriza-se por o corpo não responder de forma eficaz à insulina. Isto é denominado a resistência à insulina. Como resultado, o corpo é menos capaz de receber a glicose do sangue. Nos estágios iniciais do diabetes tipo 2, o corpo responde produzindo mais insulina do que normalmente precisa.

Se o diabetes de tipo 2 se desenvolver ao longo de vários anos, as exigências adicionais sobre o pâncreas para produzir insulina podem levar a uma perda das células produtoras de insulina (conhecidas como células beta pancreáticas) na medida em que se desgastam.

Dependendo do seu nível de resistência à insulina, as pessoas com diabetes tipo 2 também podem precisar tomar injeções de insulina para controlar seus níveis de açúcar no sangue.




Ao lermos os textos acima, fica clara a relação entre a insulina e o diabetes. Vemos que a resistência à insulina é o primeiro passo para o diabetes. Com a resistência à insulina, o pâncreas vai produzir mais insulina (é um ciclo vicioso, conforme explicado no post anterior) para alcançar o mesmo resultado (nível de glicose no sangue). Com o tempo, as células produtoras de insulina no pâncreas vão sendo danificadas, até o momento em que o pâncreas “dá pau” (desculpe a expressão, mas é isso – o pâncreas para de funcionar corretamente). Quando isso acontece, os níveis de glicose no sangue começam a aumentar e, só então, ocorre o diagnóstico de diabetes.

Veja o que a SBEM fala a respeito do diagnóstico:


Como Posso Saber se Estou Diabético?

O diagnóstico laboratorial pode ser feito de três formas e, caso positivo, deve ser confirmado em outra ocasião. São considerados positivos os que apresentarem os seguintes resultados:
1) glicemia de jejum > 126 mg/dl (jejum de 8 horas);

2) glicemia casual (colhida em qualquer horário do dia, independente da última refeição realizada (> 200 mg/dl em paciente com sintomas característicos de diabetes;

3) glicemia > 200 mg/dl duas horas após sobrecarga oral de 75 gramas de glicose.

Existem ainda dois grupos de pacientes, identificados por esses mesmos exames, que devem ser acompanhados de perto pois tem grande chance de tornarem-se diabéticos. Na verdade esses pacientes já devem ser submetidos a um tratamento preventivo que inclui mudança de hábitos alimentares, prática de atividade física ou mesmo a introdução de medicamentos. São eles:

(a) glicemia de jejum > 110mg/dl e < 126 mg/dl.

(b) glicemia 2 horas após sobrecarga de 75 gr de glicose oral entre 140 mg/dl e 200 mg/dl


Nestes dois últimos casos (glicemia em jejum entre 110mg/dl e 126 mg/dl), quer dizer que a pessoa está no estágio conhecido como “pré-diabetes”. Se nada for feito a respeito, esse quadro irá evoluir para o diabetes. No entanto, somente quando a glicemia em jejum ultrapassar 126 mg/dl é que o diagnóstico de diabetes é confirmado.


VEJA BEM!!! Conforme vimos, quando o nível de glicose no sangue começa a aumentar significa que as células produtoras de insulina no pâncreas já estão seriamente danificadas. É por isso que, em alguns casos, pessoas com diabetes tipo 2 podem vir a precisar de injeções de insulina! Isso porque a insulina produzida pelo pâncreas já não é mais suficiente para manter a glicose em níveis normais. Portanto, para evitar todos as complicações decorrentes da hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue), a pessoa acaba tendo que injetar insulina em seu organismo para controlar os níveis de glicose.

O DM2 [Diabetes Tipo 2] é uma condição progressiva causada por fatores genéticos e ambientais que induzem a resistência à insulina nos tecidos e a disfunção das células beta.
Com base no United Kingdom Prospective Diabetes Study (UKPDS) e no Belfast Diabetes Study, estima-se que no diagnóstico de T2DM, função da célulab beta já está reduzida em 50-60% e que esta redução da função das células beta parece começar 10-12 anos antes do aparecimento de hiperglicemia [11, 12].
Várias linhas de evidência indicaram que não há hiperglicemia sem disfunção das células beta [13,14].

Estudos longitudinais em humanos demonstraram claramente que a função das células beta deteriora-se ao longo dos anos. Na fase que precede o diabetes, o declínio da função das células beta é lento, mas constante (2% ao ano) [19]. Após o desenvolvimento de hiperglicemia evidente, há uma aceleração significativa (18% ao ano) na falência das células beta, e a função das células beta deteriora independentemente do regime terapêutico [11,19,20]. A disfunção acelerada das células beta é a consequência da glicolipotoxicidade. A consequente deterioração do equilíbrio metabólico com níveis crescentes de glicose e ácidos graxos livres, aumentam e aceleram a disfunção das células beta, levam à apoptose das células beta que não parece ser adequadamente compensada pelo processo regenerativo e consequente diminuição da massa das células beta.




Aqui, a SBEM explica a importância de controlar a hiperglicemia:


Por que Tratar a Hiperglicemia?

A hiperglicemia é a elevação das taxas de açúcar no sangue e que deve ser controlada. Sabe-se que a hiperglicemia crônica através dos anos está associada a lesões da microcirculação, lesando e prejudicando o funcionamento de vários órgãos como os rins, os olhos, os nervos e o coração. Os pacientes que conseguem manter um bom controle da glicemia têm uma importante redução no risco de desenvolver tais complicações como já ficou demonstrado em vários estudos científicos.

Pacientes com Diabetes Tipo 2 não diagnosticado tem risco maior de apresentar acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio e doença vascular periférica do que pessoas que não têm diabetes. Isso reforça a necessidade de um diagnóstico precoce que permita evitar tais complicações.

As complicações do diabetes podem ser muitas, tais como doença renal, problemas nos pés e membros inferiores que podem levar à amputação de membros, problemas nos olhos (glaucoma, catarata, retinopatia) e problemas de pele (http://www.diabetes.org.br/para-o-publico/complicacoes/complicacoes-do-diabetes).

Apesar da gravidade dessa doença, o diagnóstico de diabetes, como vimos, demora muito (vários anos) para ocorrer, e quando ocorre, já trouxe enormes prejuízos ao organismo dessas pessoas. E já sabemos que tudo começa com a resistência à insulina!!! A pergunta de um milhão de reais é: “Se tudo começa com um quadro de resistência à insulina – que vai evoluindo durante anos até o diagnóstico do diabetes – porque a maioria dos nossos médicos nunca pediu um exame de insulina basal para os seus pacientes de risco?”

Acompanhando a evolução dos níveis de insulina de uma pessoa, é possível saber, com bastante antecedência, se ela está indo nessa direção, e é possível introduzir mudanças de hábitos e de alimentação capazes de mudar essa história. No entanto, o procedimento padrão é pedir exames de glicemia. Com isso, o paciente só é alertado quando sua glicose ultrapassa os níveis considerados normais (ou seja: quando a doença já está instalada).


Esse assunto é novo pra você? Comece aqui.

Próximo post.




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3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Injetar insulina para quem já está com excesso de insulina?

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    Respostas
    1. Pois é... Infelizmente, esse é o tratamento atual dados aos diabéticos.
      Mas quem acompanha o dr. Jason Fung sabe que é possível reverter isso com alimentação.

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