quinta-feira, 9 de junho de 2016

O novo paradigma da resistência à insulina




A New Paradigm of Insulin Resistance – T2D 13




by Jason Fung







O nosso paradigma atual da resistência à insulina é o de uma chave e fechadura. A insulina é um hormônio que atua sobre um receptor hormonal em uma superfície de célula, com a finalidade de obter um efeito.




Isso é muitas vezes referido como um modelo chave e fechadura. A fechadura é o receptor de insulina, que mantém as portas para a célula fechadas. Quando a chave adequada (insulina) é inserida, então a porta é aberta para permitir a entrada da glicose da corrente sanguínea no interior da célula. Esta glicose, então, é capaz de acionara o mecanismo da célula.
Uma vez que a chave (insulina) é removida, então o portão fecha de volta e a glicose da corrente sanguínea não é mais capaz de ir para dentro da célula.
O que acontece durante o fenômeno da resistência à insulina? Classicamente, imaginamos que a fechadura e a chave não se encaixam mais muito bem. A chave (insulina) é capaz de abrir a fechadura (receptor) mas apenas parcialmente e não muito bem. Como resultado, a glicose não é capaz de passar através do portão normalmente.


Isto resulta em quantidades menores do que o normal de glicose no interior da célula. A glicose, que agora está bloqueada pela porta fechada, se empilha do lado de fora da célula no sangue, o que podemos detectar como elevada glicose no sangue e fazer o diagnóstico clínico de diabetes do tipo 2.
Isto também tem sido descrito como um estado de inanição interna [internal starvation] uma vez que a célula tem pouca glicose no interior. A reação instintiva é o corpo aumentar a produção de insulina (chave). Uma vez que cada chave funciona menos bem do que anteriormente, o corpo produz um número maior de chaves para certificar-se que glicose suficiente entrará nas células. Uma teoria boa e limpa.
O problema, realmente, é que esse paradigma não se encaixa na realidade. Em primeiro lugar, o problema é a insulina, ou o receptor de insulina? Bem, é realmente muito fácil atualmente olhar para a estrutura da insulina e para a estrutura do receptor de insulina de pacientes resistência à insulina. Você simplesmente isola a insulina ou algumas células e verifica a sua estrutura com ferramentas moleculares sofisticadas. Imediatamente torna-se claro que não há nada de errado com a insulina ou o receptor. Então, qual é o problema?
A única possibilidade que resta é que há algo que está emperrando o sistema. Algum tipo de bloqueador que interfere com o mecanismo de fechadura e chave. Mas o que? Há todos os tipos de teorias. Inflamação. Estresse oxidativo. Produtos finais da glicação avançada [AGEs]. Todos os chavões habituais que surgem quando os médicos realmente não têm nenhuma ideia. Com este modelo, nós não temos a menor ideia real do que causou a resistência à insulina. Sem entender o que causa a RI, não temos chance de tratá-la.
Depois, há o paradoxo central da resistência hepática à insulina. Deixe-me explicar. A insulina tem duas ações principais no fígado. Lembre-se que a insulina aumenta quando você come. Isso diz ao corpo para parar de produzir glicose no fígado (gliconeogênese), porque há muita glicose vindo do estômago (comida). Este é mediado por meio da via FOX01.


A segunda ação mais importante no fígado é aumentar a produção de gordura (lipogênese de novo (LDN)). Isso é para lidar com o dilúvio de entrada de glicose que o corpo não pode usar corretamente. Isso é mediado por meio da via de SREBP-1c.
Assim, se o fígado se torna resistente à insulina, então o efeito da insulina deve cair para ambas estas ações. Isto é, o fígado deve continuar a produzir glicose e parar de produzir gordura. Mas isso é o caso apenas para gliconeogênese. Isto é, durante a resistência à insulina, o fígado continua a produzir nova glicose como esperado. Mas a produção de nova gordura (LDN) continua e na verdade aumenta. Assim, o efeito da insulina sobre LDN não é atenuado, mas acelerado!
Mas que diabos?
Como, diabos, pode este fígado resistente à insulina ser seletivamente resistente a um efeito da insulina e ainda acelerar outro efeito? Na mesma célula, em resposta aos mesmos níveis de insulina, com o mesmo receptor de insulina? Isso parece loucura. A mesma célula é resistente à insulina e super sensível à insulina ao mesmo tempo!
Como podemos explicar esse paradoxo?
Nós precisamos de um novo paradigma de resistência à insulina que se encaixe melhor aos fatos. Na verdade, nós podemos pensar em resistência à insulina como um fenômeno de transbordamento [overflow], em vez de fechadura e chave. Tudo o que nós realmente sabemos sobre a resistência à insulina é que é muito mais difícil de mover a glicose para dentro de uma célula ‘resistente à insulina’ do que em uma normal.
Mas isso não significa necessariamente que a porta está encravada. Em vez disso, talvez a célula já esteja transbordando com glicose e, portanto, mais glicose não pode entrar.
Imagine que a célula seja um vagão de metrô. Quando a porta se abre, os passageiros do lado de fora (glicose na corrente sanguínea) marcham de forma ordenadamente agradável para dentro carro de metro vazio (célula). Normalmente, não é necessário mais do que um empurrãozinho para colocar essa glicose para dentro da célula (insulina dá o impulso).
Mas, durante a resistência à insulina, o problema não é que a porta não abre. O problema, em vez disso, é que o vagão do metrô (célula) já está transbordando de passageiros (glicose). Agora, a glicose do lado de fora da célula simplesmente não consegue entrar e a plataforma fica lotada.
A insulina tenta empurrar a glicose para dentro da célula como os funcionários do metrô japonês, mas eles simplesmente não conseguem fazê-lo porque está cheio. Assim, parece que a célula é resistente aos efeitos da insulina, mas o problema, na realidade, é que a célula está transbordando. Assim, a reação é fabricar mais insulina (empurradores) para ajudar a empurrar a glicose para dentro da célula. O que funciona, mas apenas por um tempo.


Assim, a célula não está em um estado de ‘inanição interna’. Em vez disso, a célula está transbordando com glicose. Glicose começa a derramar para dentro do sangue, parecendo que a gliconeogênese não foi terminada, o que é consistente com a resistência à insulina.
Mas o que acontece com a produção de gordura?
No modelo clássico de resistência à insulina, o paradoxo era de que a LDN era intensificada, e não diminuída, o que se parecia muito mais com sensibilidade intensificada à insulina em vez de resistência. Mas no modelo de transbordamento, a LDN seria intensificada porque a célula está tentando se livrar do excesso de glicose por meio da produção de gordura extra. A célula está transbordando e não em um modo ‘inanição interna’.
Por que isso é extremamente importante? Porque compreender este novo paradigma levará à resposta de como a resistência à insulina se desenvolve e o que podemos fazer sobre isso. O problema não reside nem na insulina nem no receptor de insulina. Ambos são normais. O problema é que a célula está completamente cheia de glicose. Então, o que causou isso? A resposta então parece óbvia - é uma questão de glicose demais e insulina demais. Em outras palavras, foi a própria insulina que causou a resistência à insulina. Nós não precisamos perseguir sombras à procura de alguma causa misteriosa da resistência à insulina.
Uma vez que entendamos que glicose excessiva e insulina excessiva são a causa da resistência à insulina, então podemos agora conceber um tratamento racional. Reduzir a insulina e reduzir a glicose. Uma vez revertida a resistência à insulina, você cura a diabetes do tipo 2.

(Traduzido de https://intensivedietarymanagement.com/new-paradigm-insulin-resistance-t2d/)


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2 comentários:

  1. Bacana! Espero que outros especialistas corroborem com essa tese do Dr Fung.

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  2. Embora não seja especialista, parece-me que a hipótese levantada aqui explica melhor a resistência à insulina. A abordagem adotada pela medicina tradicional comprovadamente está fracassando, basta olhar ao nosso redor.

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